março 14, 2008

Mais Emily Dickinson


Of course I prayed
And did God care?
He cared as much as on the air
A bird had stamped her foot
And cried "Give me"
My reason - life -
I had not had but for Yourself
´T were better charity
To leave me in the atom´s tomb
Merry, and nought, and gay, and numb
Than this smart misery

Claro que orei
E Deus de interessou?
Tanto quanto por um passarinho
Batendo os pés em pleno ar
E gritando "me dá!"
Minha razão - minha vida -
Sem Ti não a teria
Seria mais caridoso
Ter me deixado encerrada na tumba do átomo
Alegre e nada, feliz e insensível
Do que este lúcido sofrer

(Foto do cemitério bizantino de Mucugê)

De Boas Intenções o Inferno Está Cheio

Do (imperdível para qualquer nerd) sáite Melhores do Mundo:

Até aqui, aposto que a série Tropa de Elite vai repetir o êxito do filme e se tornar uma produção bastante premiada lá fora. Enquanto isso, o Arnaldo Bloch vai insistir é fascista, exalta a violência até que eu marque uma aula particular de cinema pra explicar pra ele a diferença entre a intenção do personagem e a intenção do diretor.

É, mas quando um diretor abusa dos contra-plongées, mostrando o personagem sempre de baixo para cima, para ele parecer maior e o enche de closes, ele está enaltecendo o sujeito.

Na Hora de Comprar um Novo Aparelho Eletrônico, Como Diferenciar um Japonês de um Chinês?











Sinto muito, monoglotas, mas não vou traduzir esse texto todo aí não. Na verdade, é um gibi educativo da época da II Guerra para os soldados americanos no Pacífico. Os quadrinhos são de autoria de um dos Vinte Gênios dos Quadrinhos que eu listei ali embaixo, Milton Caniff. Mesmo nesse trabalho de propaganda, percebam a elegância da puxada do nanquim e o forte contraste claro/escuro. Os personagens que apresentam a coisa são da sua grande tira TERRY E OS PIRATAS, cujo uso do já citado alto contraste, de planos e tempo de narrativa cinematográficos, misturando com sensibilidade closes, planos abertos e panorâmicas que se espalhavam pela tira inteira, pode ser apontado como uma influência no maior de todos, Will Eisner. Mas isso é assunto pra outra postagem.

Este gibi foi tirado do sáite http://www.ep.tc, onde tem muito mais quadrinhos risíveis de propaganda.

Plástico de Carro

Kamikaze bom é kamikaze morto

Enquanto isso, na Chapada Diamantina...



Você Tem o Direito de Votar em Branco - Afinal, o Voto Deve Refletir o que se Passa na Cabeça do Eleitor

Acho o maior barato quando um sujeito que trabalha num grande órgão de imprensa ou numa multinacional me explica que vai votar em branco porque quer mostrar que não concorda com o que está aí. Não quer fazer parte do que está aí. Tudo bem, tem o povo mais maluco e cabeça também... er, má notícia: a não ser que você dê uma de Unabomber ou São Bento no refúgio, você FAZ parte do que está aí. Gente que ridiculariza qualquer tentativa de discurso ideologizado, quando mais falar em revolução, quer mostrar sua revolta. Pode chorar alto também.

A gente não vai nem a reunião de condomínio e depois reclama que políticos não prestam. Nós estamos tão alienados (no sentido marxista mesmo, eu acho, eu realmente devia ter lido A Teoria da Alienação pra faculdade em vez de só assinar o trabalho da Soraya) do processo decisório, do governo, que simplesmente aceitamos que uma entidade supracorpórea e etérea reja nossa vida e tudo que podemos fazer é escrever correios-e indignados para os jornais (Até quando bla bla bla bla a violência bla bla bla a educação no trânsito bla bla bla pobres na praia bla bla bla). Eles estão lá porque foram votados, porque os formadores de opinão estão a fim de fazer piadinhas sobre teatro de vanguarda em vez de formar opinião, porque ir a assembléia é muito chato, não temos tempo, dinheiro e nem ao menos sabemos como se funda um partido político. E se alguém funda ou trabalha numa ONG, imediatamente fica um "chato", um "radical" etc. etc.

Os políticos ruins não estão lá porque foram entrando e ninguém os pôs pra fora. Aliás, é mais ou menos por isso, sim. Estão lá porque a política está completamente abandonada e às moscas. Ouvimos quatro anos de reclamações contra a Câmara dos Deputados, os 300 picaretas, os corruptos, os anões, os bla bla bla, e quando tem eleição os dois deputados mais votados do país são Maluf e Clodovil. Parecemos os CEOs de uma empresa mal gerida, que só quer mostrar um balanço trimestral bom pra arrancar nosso bônus e foder com o futuro. Não queremos perder nosso tempo ou ter trabalho à toa fazendo um mínimo trabalho político e apostamos em um monte de salvadores sebastianistas: Collor, o Caçador de Marajás; FH, o Pai do Real; Lula, o Operário Radical. E nem falemos do Legislativo.

Vote em branco, se quiser. Cheque em branco, voto em branco, cérebro em branco, é tudo afinal a mesma coisa.

março 13, 2008

Um Intelectual Entediado

Vinte Gênios dos Quadrinhos

Will Eisner; Carl Barks; Hergé; Milton Caniff; Ozamu Tezuka; Hugo Pratt; Jean "Moebius" Giraud; Al Capp; Robert Crumb; Hal Foster; Harvey Kurtzman; Stan Lee; Jack Kirby; Frank Miller; Alan Moore; Neil Gaiman; Guido Crepax; Herriman; Alex Raymond; Schulz

Menções Honrosas: Os irmãos Hernandez; Franquin; Chester Gould; Lee Falk; Grant Morrison; Bilal; Liberatore; Kazuo Koike; John Buscema; Quino; Don Martin; Don Rosa; Bernie Krigstein; Rich Corben; Wolinski; Art Spiegelman; Pichard; Feiffer; Goscinny;

Breve comentários mais detalhados sobre cada um deles.

Os Pragmáticos Americanos Vão À II Guerra

Fotos que eu tirei no Museu Aeroespacial de Campo dos Afonsos, grande passeio

Era uma coisa meio Resgate do Soldado Ryan mesmo, tinha um trabalho sujo a ser feito e alguém tinha que fazê-lo. Os americanos não eram muito de correr riscos em batalhas ousadas. Eles tinham o potencial humano e o equipamento para ganhar a guerra sem ter que perder muitos de seus garotos, daí preferível levar um tempo a mais e fazer um serviço limpo do que jogar a garotada no moedor de carne pra acabar logo com a briga.

O próprio pensamento militar americano era assim mesmo, vide Eisenhower e Bradley, generais competentes, organizados, mas que nunca se destacaram por seus brilhantes golpes de mão. Tinha o Patton, é verdade, mas além de ser um aristocrata intelectual maluco, ele nunca passou de comandante de exército - nunca teve um grupo de exércitos em mão. No Pacífico, onde contavam mais as operações navais, os estadunidenses tiveram um comando mais arrojado, nas pessoas de Nimitz e Halsey, mas parte dessa ousadia nasceu da inutilização dos couraçados da frota do Pacífico no ataque a Pearl Harbor. Sem os enormes canhões dos vasos de linha, eles tiveram que se valer dos barcos de elite que sobraram - os porta-aviões - e foram obrigados a usar táticas mais modernas e eficazes. O próprio cenário do vasto oceano, com uns atoizinhos e arquipelagozinhos afastados por centenas de quilômetros de água salgada entre si, obrigou-os a abandonar a ortodoxia e a criar a grande idéia de pular carniça, em vez de enfrentar cada guarnição japonesa: eles tomavam uma ilhota com espaço suficente prum campo de pouso, enchiam de aviões e, com o apoio destes, tomavam outra ilhazinha no extremo da cobertura aérea. As bases nipônicas por perto ficavam sujeitas a bombardeios, tinham dificuldades em ser reabastecidas e acabavam murchando, perdendo qualquer valor de combate e até suas comunicações. Por isso que até os anos 70, volta e meia aparecia um japa largado num pontinho de terra desses lá pelo Pacífico que nem sabia que a guerra tinha acabado.


Um P-40, raro caça americano de motor axial ou inline, ao lado do próprio. Repare como a frente dele é consideravelmente mais fina do que a do Thunderbolt logo abaixo, e a fuselagem por conseguinte, muito mais esguia


Um minúsculo motor radial, para aviõezinhos de passeio. A simplicidade da estrutura revela claramente os pistões dispostos em torno do eixo e as hastes que movimentam a hélice. Repare como é consideravelmente mais volumoso de frente que o axial. O gigantesco Twin Wasp radial de 2.000 HPs (40 vezes mais!) exibido abaixo, apesar de muito mais complexo, segue os mesmos conceitos

Mais exemplos desse pragmatismo americano podem ser encontrados em sua ideologia armamentista. Vejam seus aviões, por exemplo. Os europeus aderiram ao motor axial, ou inline, ou seja, os cilindros dispõem-se em linha reta em volta do eixo da hélice. O motor, e consequentemente a frente do avião, ficavam mais finos e cortavam o ar como uma faca, criando aeronaves com menos arrasto, mais elegantes e aerodinâmicas. Os alemães criaram um avião pequeno e potente, pra aumentar seu desempenho, o ME-109. Os ingleses preferiram uma asa maior, pra criar um aparelho mais manobrável, e fizeram o inesquecível Spitfire.



O mítico motor axial Rolls-Royce Merlin, que equipava o Spitfire, o Hurricane, o Lancaster e o Mosquito. Note sua forma de valise, de caixa, comparado com o motor radial logo abaixo


O motor radial Twin Wasp da Pratt & Whitney, o mais clássico da II Guerra. Equipou os Thunderbolt, Corsair, Wildcat e Hellcat.

Já os americanos adotaram de coração o motor radial, ou seja, os cilindros ficavam dispostos como raios em volta do eixo da hélice. Era aquele motor que parecia uma roda vista de frente, o motor que a maioria das pessoas associa a aviões a hélice. Não era lá muito aerodinâmico, já que ficava uma parede redonda na frente do aeroplano, aumentando o arrasto, mas tinha suas vantagens - essa mesma parede redonda recebia muito mais ar quando o aparelho voava, dispensando refrigeração por líquido, o que o tornava mecanicamente mais simples e, logo, bem mais leve do que os radiais; além disso, num efeito colateral, ele servia até mesmo como blindagem frontal, já que era um sólido e maciço anteparo na frente do piloto e, por menos sofisticado e cheio de rebimbocas do que os seus primos inline, era menos frágil e aguentava mais tiros sem abrir o bico(1).


O Twin Wasp, motor radial, ao lado do P-47 Thunderbolt, avião que o usou. Notem a forma bojuda do aparelho. O P-47 era um esplêndido caça-bombardeiro e foi a aeronave que equipou a Força Aérea Brasileira na II Guerra

Uma anedota conta que Willy Messerschmit, quando apresentou seu ME-109 aos milicos alemães e sofreu críticas de um sujeito (cujo nome me escapa agora) de que o aparelho deveria levar mais blindagem e armamento, respondeu perguntando "você quer um avião ou uma porta de celeiro?" Anos depois, ao lado desse mesmo sujeito, Messerschmit teria tido que procurar um abrigo antiaéreo enquanto um pesado e canhestro Thunderbolt P-47 semeava o terror em Berlim, levando o sujeito a virar pro engenheiro e dizer: "eis aí sua porta de celeiro". Pois era exatamente essa a filosofia americana pra aeronaves: pegue um motor, envenene-o até não poder mais, depois circunde-o de armamento e blindagem e manda pra briga. Deixa essas frescuras de manobrabilidade com aqueles europeus decadentes, afinal, quando eles virem um P-47 subindo mais rapidamente do que eles pra em seguida mergulhar incomparavelmente, com suas oito metralhadoras cuspindo uma barragem de fogo, aparentemente imune a tudo que se atira contra ele, quem vai estar preocupado com raio de curva?


Minha irmã posa ao lado de um Thunderbolt para dar sua escala e mostrar a preferência americana pelos aviões grandes, pesados, canhestros, mas cheios de potência, blindagem e armamento. Um P-40 é muito menor

A mesma coisa se aplicava ao resto. Seu fuzil era o melhor e mais prático. Seus canhões eram simples e eficientes. Seu tanque, o Sherman, é verdade nunca foi tão bom quanto os tanques alemães (calculava-se que seriam precisos 4 Shermans pra derrotar um Panzer VI Panther). Mas os Panteras eram caros e difíceis de produzir; exigiam muito mais material pra serem construídos; eram tão sofisticados que eram sujeitos a muito problemas mecânicos; enfim, raramente os boches conseguiam alinhar um Pantera contra menos do que 4 Shermans. O desenho modular deste, entretanto, permitia que fosse atualizado constantemente, mudando blindagem, suspensão, canhão, metralhadora, mira, tudo enfim, muito facilmente. Ainda nos anos 70 e início dos 80, em sua versão Super Sherman, esse blindado ainda estava na primeira linha de exércitos poderosos como o de Israel.

Um Sherman no museu militar Conde de Linhares, em frente à Quinta da Boavista

(1) Os japas também adotaram o motor radial, mas seus pilotos preferiam aeronaves mais manobráveis, o que levou os desenhistas japoneses a rebolar para criarem maravilhas como o Zero, miraculosamente esguio apesar do frontão redondo, capaz de curvas fechadas e altas velocidades numa embalagem pequena e mortal. No entanto, tão perfeito e preciso era o desenho que mexer em quase qualquer coisa ali estragava tudo e, como consequência, o Zero, senhor inconteste dos céus no começo da guerra, em cerca de um ano já tinha virado caça dos aviões americanos, constantemente aperfeiçoados, adaptados e atualizados pela miríade de engenheiros que os estadunidenses tinham à disposição para aproveitar os recursos vastos de seu fabuloso parque industrial.

É, rapaz, tomei uma trolha deste tamanho...

Longas de Animação

Tanta gente falou bem de Ratatouille que fiquei decepcionado. A fita segue uma já familiar "fórmula" dessas animações de computador, sobre um rato/robô/monstro/peixe/formiga com aspirações mais altas do que aquelas a que está destinado e sua luta para seguir seu sonho. A repetição torna o esquema cansativo e, enquanto produto da Pixar, o desenho é bem melhor do que os chatíssimos Espanta-Tubarões e Robôs, por exemplo, mas estruturalmente falho. Tem um vilão que praticamente desaparece pouco depois do meio do longa, diálogos e situações repetitivas e cenas que perdem a hora de terminar. Mas o pior está nos extras do DVD. A entrevista do diretor, Brad Bird, falando sobre como animação deveria ser levada mais a sério, ser considerada arte como qualquer filme, que não é só para cranças etc.

No nosso mundo tão pop e pós-moderno em que existem mais artigos e teses sendo feitos sobre Star Trek, super-heróis e Os Simpsons do que Godard e Henry Moore, fica difícil de acreditar que ainda não se leva animação a sério. Fitas recentes como A Viagem de Chihiro e Os Incríveis, do próprio Brad Bird, foram incluídas em tudo que era lista de melhores do ano. O Brad, aliás, também tem em seu currículo o decantadíssimo The Iron Giant e um trabalho Consultor Criativo na obra-prima dos bonequinhos desenhados, o já citado Simpsons. Também costumam frequentar listas de melhores de todos os tempos obras como Fantasia e Branca de Neve. Mas esse ressentimento traído nas entrevistas do DVD parece ser o motor de Ratatouille e sua tão completa subordinação à mensagem de que das mais desprezadas áreas pode surgir um gênio.

Rataouille pelo menos foge ao humor óbvio referencial que outras linhas de animação digital seguem. Shrek II é o melhor (aliás, pior) exemplo disso, já que praticamente todo humor é extraído de imaginar como seriam as coisas do nosso mundo no País do Faz-de-Conta. O primeiro é ótimo e engraçado, mas me lembro que saí do cinema com algo me perturbando. A príncípio pensei que a sátira aos ícones dos contos de fadas (o que me irritou um pouco, já que no nosso subconsciente coletivo e no design dos personagens eles estão indelevelmente ligados a Disney e é muito fácil satirizar propriedade de um estúdio concorrente), ou a idéia incomum (e saudável) da princesa abrindo mão de sua beleza física para ficar com o homem (???) que amava, mas depois começou a ficar mais claro para mim que o filme faz uma apologia não só do padrão estético do ogro, mas também de seu estilo de vida; em suma, celebra tudo aquilo que Matt Groening & cia. criticam (com carinho e compreensão, mas inegavelmente criticando, como no pesadíssimo episódio da morte de Frank Grimes) no Homer Simpson. Shrek I muitas vezes celebra o egoísmo, as pequenas trapaças, a mesquinhez e a rabugice.

Mas isso é o de menos, o filme afinal é bom e, apesar de tudo, confronta a mesmice. O pior de todos, aquele cujo final me deixou chocado e boquiaberto mesmo, foi Madagascar. Os pinguins psicopatas são engraçadíssimos, é verdade, e, como bons comediantes da velha guarda, sabem dosar suas aparições, o suficiente para deixar uma forte impressão e nos deixar com gosto de "quero mais". O resto, entretanto, é insuportavelmente tedioso e ainda por cima coroado com a mais revoltante apologia ao conformismo já feita (1) - a de que o bom da vida é ficar preso numa gaiola de ouro. Instintos selvagens? Larga disso, liga a tevê. A hipocrisia da fita é tão incomensuravelmente grande que mostra como um dos riscos de tentar viver por si próprio a vontade de acabar devorando (literalmente) seus amigos, o leão que começa a querer comer a zebra. Entretanto, no final ele acaba voltando à sua jaula e aos seus tão queridos e sonhados bifes. Só que nunca lhe ocorre perguntar de onde vêm os seus inofensivos bifes, que TÊM QUE VIR DE ALGUM ANIMAL. Talvez porque não faça diferença, já que ele não conhece o bicho de onde veio aquele filé - as únicas vidas que importam são as dos conhecidos (extrapolando, é raciocinando assim que se prepara o pensamento para a idéia de que matar 80 mil civis iraquianos não faz diferença desde que com isso esteja se aumentando a segurança dos compatriotas, o que, aliás, não tem nada a ver, já que o Iraque não tinha nada a ver com a Al Qaeda, mas resolvi fazer esta extrapolação só pra irritar o Marquinhos). Notem que os farristas lêmures, ou suricatos, não me lembro que bichos eram aqueles festeiros, no fundo só querem se aproveitar dos heróis do desenho. Lição 2: não confie nesse pessoal boêmio.

Ratatouille, ao contrário do brilhante Os Incríveis (um filme sobre crise de meia-idade; não por coincidência, me fisgou completamente), segue uma fórmula que já está cansada, mas Madagascar é o fim. Parece propaganda republicana. Lavagem cerebral. Uma ode ao conformismo e à mediocridade. Pais, tomem cuidado. Afastem seus filhos dessa fita.

março 11, 2008

Se Eu Escrevesse Poesia pra Comer Mulher nos Anos 70 (e seguintes) Seria Mais ou Menos Assim III

Física Um Quanto Romântica

Num átimo
A tomo

Te faço mulher
Moleca
De átomo
Te faço molécula

Aristófanes Faz Stand-Up Comedy (do Blogue AO MIRANTE, NELSON!)

(O blogue está ao alcance deste clique).

(...) Então eu encontrei, numa festa ontem à noite, o Sócrates, puto porque eu esculhambei a figura dele na minha peça As Nuvens - e aí, vendo que eu já tinha abusado do vinho, ele me chamou de comediógrafo bêbado. “É”, eu disse, “e sua mulher Xantipa é um tribufu. Mas amanhã eu vou estar sóbrio!” (risos) Na verdade ele fez beicinho por eu ter insinuado na peça que ele e os sofistas eram tudo farinha do mesmo saco, e queria que eu me desculpasse pelo xingamento. Falei na hora: “Ué, tudo bem. Traz algum sofista aqui e eu me desculpo na hora por ter xingado eles de socráticos!” (risos) Mas eu entendo perfeitamente essa ziquizira dele: acordar todo dia e olhar pra cara da Xantipa? Eu preferia mil vezes uma taça de cicuta. (risos) Falando sério - os filósofos reclamam de eu me achar superior a eles, mas vejam se eu não tenho razão: os pitagóricos vivem se metendo com triângulos, mas quem freqüenta os círculos do jet set ateniense sou eu; a turma do Heráclito vive tentando ver se dá pra entrar no mesmo rio duas vezes, enquanto eu uso a ponte; esse rapaz, o Platão, vive falando no mito da caverna, e eu já realizei o sonho da casa própria! (risos) Aliás, o Platão é um caso à parte. Dia desses, num banquete, o Diógenes, só pra sacanear ele – por ele ter dito que o homem é um bípede sem plumas –, depenou um galo e jogou na roda, dizendo “Eis o homem de Platão!” E eu, pensando cá comigo: “Neca de pitibiriba. Toda Atenas já sabe quem é o homem de Platão...” (risos) Aliás, falam também que eu meto o pau no Diógenes porque o cara é pobre, mas quando eu digo que ele não tem onde cair morto é porque, morando naquele barril apertado, o coitado vai morrer é em pé, mesmo! (risos) Bom, pra terminar, semana que vem eu vou estrear uma peça nova, Lisístrata, sobre uma greve de mulheres atenienses. Apesar de tratar de temas adultos como política, sociologia e estratégia militar, ela vai ser totalmente liberada pra menores: não rola nada de sexo! (risos) E agora há pouco, enquanto eu vinha pro afiteatro, um renomado crítico me perguntou se na minha peça As Rãs os atores apareceriam coaxando. Eu respondi que esse papel a crítica teatral já faz, quando comenta minhas estréias. (risos) Aliás, vocês sabem a diferença entre um crítico, um espartano e um texugo? (...)

Mais Poesia que Eu Teria Escrito nos Anos 70 (e seguintes) pra Comer Mulher

Pecador

A l m a
L a m a

M a l a

Pesando

Imprensa Livre Já!

Isso aí embaixo deve ser exemplo de como a imprensa está perdendo sua liberdade sob o autoritarismo do PT:

No domingo passado, o JB saiu com a manchete "Cartão pagou até bailarinas", que tinha como subtítulo "Servidor da Casa Civil contratou 20 moças". A matéria foi assinada pelo repórter especial Weiller Diniz.

As "bailarinas" eram plantas de uma espécie muito encontrada no Jalapão, em Goiás.

Tem mais. Na terça, chamada de primeira: "Bailarinas do cartão corporativo viram 20 vasos de flores".

Do site Coleguinhas.

março 09, 2008

Um Navio MUITO Encalhado


As fotos da família Ferrez estão em exposição no CCBB e em destaque o arrasamento do Morro do Castelo. Qual pérfida e pervertida mente pôde ter concebido o desmonte do marco zero da cidade, onde ficavam os marcos iniciais da cidade, a mais antiga edificação da cidade e um monte de outras coisas da cidade é um mistério que só os estudiosos dos cérebros de psicopatas assassinos podem responder. Tão grotesca foi toda a coisa que os elementos se negavam a cooperar. Picareta e dinamite pouco puderam fazer para derrubar a colina, que, ao contrário da maior parte das elevações do Rio, não era feita de pedra, mas de solo, terra mesmo, endurecida e batida, que se esfarinhava quando atacada. Depois de meses perdidos e quase nada demolido, finalmente alguém teve a idéia de usar mangueiras d'água de alta pressão, que "derreteram" o berço da então capital da República.

Também indicativo do caráter porra-louca da operação foi o fato de que posto o morro abaixo, edificaram um monte de pavilhões para uma Feira Internacional comemorando o centenário da independênciam (em 1922, é claro) e, depois de acabada a Feira, demoliram-nos todos (O povo tinha dinheiro pra gastar naquela época, abrindo Avenidas Centrais, derrubando morros e construindo e derrubando prédios à larga!) e deixaram aquela esplanada lá virtualmente deserta e abandonada anos a fio! A foto aí em cima é de 1936, quatorze anos depois, e não se vê quase nada além de um deserto de homens e idéias no local. Exceto por um... navio??????????

O que esse navio está fazendo aí?????? A única referência na Net sobre a embarcação está aqui. Parece que um certo "Cordão dos Laranjas" construiu em 1935 um salão de bailes que durou quatro a cinco anos. Uma explicação plausível, é verdade, mas surpreendente: compare o tamanho do transatlântico com o dos edifícios, visivelmente grandes, ali perto - ele parece ser enorme! Quem seriam esses "laranjas" com grana suficiente pra edificar tal salão - só pra abandoná-lo alguns anos depois? Teria a história toda algo a ver com a origem da gíria "laranja"? Para onde foram o barco e os laranjas? Por que nunca ouvimos falar de nenhum dois dois?

Visível na foto também está o bairro da Misericórdia - o primeiro lugar da cidade a ser habitado ao nível do mar, quando o morro do Castelo ficou pequeno e o Rio de Janeiro desceu suas encostas. O bairro foi destruído, junto com o Ministério da Agricultura, quando construíram a Perimetral, aquele viaduto horroroso que passa pela Praça XV. Onde fica aquele deserto de homens e idéias entre o cais das barcas e o Castelo, havia toda uma antiquíssima área residencial, também criminosamente demolida.

E aquele prédio alto à esquerda, com um desenho modernista avançadíssimo pra época? Era o edifício do IRB, ali na altura da Marechal Câmara?

Do sáite Saudades do Rio

Emily Dickinson



Look back in time with kindly eyes
He probably did his best
How softly sinks the trembling sun
In human nature's west

Ao olhar para trás, seja condescendente com o tempo
Ele provavelmente fez o melhor possível
Quão suavemente se põe o sol tremeluzente
No poente da natureza humana

(Foto de 1998 e pobre tradução por Luiz Henriques Neto)
"Em meu princípio está meu fim" (Eliot)