Embora amigos meus bem localizados nos órgãos de imprensa fiquem provocando em mesas de bar que existem muito mais histórias por trás do que podemos imaginar, mas não, eles não podem esclarecer quais sejam, o caso do Ronaldo envolveu apenas ele, suas fantasias sexuais e um travesti prostituído que viu sua chance de fama e fortuna aparecer do nada e agarrou-a como pôde. Um outro amigo meu questionou a primeira página que o caso recebeu de praticamente todos os jornais, mesmo os sérios, já que se resumiria a uma fofoca de celebridade. Contra-argumentei que não era bem assim, não era uma matéria Caras, com o Fenômeno contando sobre seu novo amor ou sua nova solteirice e como isso estaria mudando sua vida, mas sim, em primeiro lugar, a maior pagação de mico, e em segundo lugar, uma cadeia de fatos improváveis que desnuda a solidão no topo, o vazio de se conseguir tudo que se desejava materialmente e não se obter a satisfação esperada, a dificuldade de se relacionar com outras pessoas quando transformado num ícone etc. etc.
Isso, é claro, num mundo perfeito. A revista Veja não fez nada disso, simplesmente estampou o centroavante na capa, comparando-o ao depressivo - e deprimente - Maradona, em vez do Pelé que poderia ter sido. O blogue Imprensa Marrom e o Zuenir Ventura dois dias depois (coincidência?) já ressaltaram que os "escândalos" do camisa 9 referem-se apenas a problemas particulares que afetavam apenas a ele (ou ele e cônjuge), enquanto que o ídolo escolhido pelo hebdomadário como modelo de retidão tinha um filho envolvido com traficantes, filhos não reconhecidos e contumazes envolvimentos em escândalos relacionados a contratos com entidades esportivas.
A Veja sabe o que faz. Optou há mais de uma década em explorar preconceitos e ressentimentos em sua pauta. O Fenômeno, no imaginário popular, não joga tudo o que dizem dele, amarelou na final de 98 depois de decepcionar durante todo o torneio na França, é uma invenção da mídia para suceder o Romário, de quem os figurões tinham inveja, e ainda por cima foi o culpado pelo fracasso de 2006, por despender suas folga em boates, mostrando completa falta de amor à camisa canarinho. Tirando a tradicional prevenção que a classe média tem contra jogadores de futebol ("é um absurdo eles ganharem o que ganham"), o maior artilheiro da história das Copas do Mundo tem contra si nunca ter se consagrado num clube de repercussão nacional. Certo, certo, ele ganhou a Copa do Brasil com o Cruzeiro, mas nunca chefiou nenhum esquadrão inesquecível vívido na memória nacional - e os clubes mineiros, mesmo os de massa, não têm a mesma penetração que os clubes de São Paulo e do Rio (hoje em dia, quase só o Flamengo). Jogou com o uniforme estrelado um ano e pouco e foi-se, com 18 anos, ainda mais uma esquálida promessa do que um musculoso (e depois adiposo) craque.
Dar capa presse tipo de coisa é um tremendo afago no ego do leitor ("viu, você não é rico, famoso e bem-sucedido como o Ronaldinho, nem comeu Daniella Cicarelli, Raíca Oliveira e outras gostosas menos cotadas, mas tem uma família saudável que não se envolve com drogas e travestis"), mas esse assunto me veio hoje à cabeça atrasado porque no trabalho encontrei um Jornal do Commercio antigo com a história do traficante com crachá do PAC - pra quem não sabe, semana passada um monte de jornais estampou manchete prum traficante que foi capturado e tinha um crachá do PAC. Quem procurasse bem encontraria a foto do documento com o logotipo da... OAS, uma empreiteira contratada para obras na favela. Todo mundo sabe que a grande imprensa abriu a temporada de caça ao Lula, depois de algum tempo de adesismo, após o Mensalão. E, em mais um capítulo dessa sanha, manipula os medos e preconceitos de seu público (traficantes) para vinculá-los ao Lula.
Eu não li "A Cultura do Medo", mas a sociedade que estamos criando está ficando assustadora. Qualquer um que frequente um fórum de Internet, ou leia os comentários de um blogue de opinião mais visitado e afamado do que este aqui, sabe que as pessoas, em vez de melhor informadas com todas as fontes à disposição, estão se tornando cada vez mais hidrófobas e descontroladas em seus pontos de vista. Existem vários processos em andamento neste caso: a modernização e a globalização fazem as pessoas perderem rapidamente seus pontos de referência culturais e as levam a se apegar ferreamente aos seus preconceitos de classe, a fim de pertencerem a algum lugar, algum grupo, bem como o medo da marginalização numa sociedade cada vez mais globalizada (de novo) e, por causa disso, mediana, e outros sobre os quais não tenho competência para falar (ou mesmo refletir). Mas posso falar dos dragões de Komodo - e assim fecha-se o título desta postagem.
Há coisa de uns dez - ou talvez mais - anos atrás, o Globo Repórter fez um especial sobre dragões de Komodo. Pra quem não sabe, são lagartos de 2 metros de comprimento, que caçam animais mordendo-os e depois seguindo-os, esperando que morram da infecção causada pela sua saliva cheia de bactérias. Inclusive estão pesquisando o sangue do réptil gigante em busca de novos antibióticos, já que ele é imune aos microrganismos patogênicos. O bicho é lerdo e por isso é que depois que consegue abocanhar a presa, não completa o serviço e fica seguindo-a por dias, esperando ela cair dura de septicemia.
Pois bem, o programa começava com o Roberto Cabrini indo de barco em direção à ilha que é o habitat do animal falando longamente sobre seu tamanho, seu nome assustador, as lendas etc. etc. Quando ele chegava na ilha, um traveling, possivelmente de um carro, correndo por entre fileiras de barracos e palafitas mostrava pessoas inexpressivas olhando meio ressabiadas para a câmera, sob a voz do Cabrini declamando sombriamente algo no estilo "na ilha, os olhares são de desconfiança e medo; ninguém fala nada, mas todos sabem que é a sombra do dragão de Komodo que paira sobre eles". Talvez não, talvez fosse apenas a instintiva reação da maioria das pessoas, que não gosta de ser filmada por estranhos, ainda mais em sua privacidade (e em sua miséria).
Logo adiante Cabrini contava um horroroso caso de um garoto que foi atacado por um dragão e entrevistava a família que teve que resgatar o moleque afastando o agressor com vassouradas (caramba! Que fera perigosa!). Infelizmente para o repórter, o garoto foi pro hospital, tomou uns antibióticos e estava vivo e saltitante. Mas não, isso não ficaria assim. Para o próximo bloco ele prometia relatar histórias de pessoas devoradas pelo reptiliano monstro insular.
E, no próximo bloco, ele as relatou. Mostrou a lápide de um sujeito vítima dos dragões, aposta onde o corpo foi encontrado, no alto de um morro. Tudo bem, a história tinha sido na década de 50, pelo que indicava a data inscrita. Tudo bem, pela data de nascimento e morte, o cara tinha quase 70 anos, mas Cabrini contou a história toda com voz taciturna e pausas sombrias: um inglês foi pesquisar os gigantes escamados, subiu uma montanha, sumiu uma semana e quando o acharam, seu cadáver estava semidevorado pelos descomunais lagartos. Daí perdi a paciência e mudei de canal.
Eu não teria ficado tão irritado se na semana anterior não tivesse visto um documentário no Discovery sobre dragõe de Komodo (e outros depois), onde fiquei sabendo de seus hábitos, das pesquisas para antibióticos e de sua quase completa inofensividade. Uma das cenas era os pescadores da ilha pondo seus peixes a secar ao sol, um lagartão se aproximando sorrateiramente para tentar roubar um dos falecidos vertebrados marinhos e um bando de crianças gargalhantes e pululantes se divertindo espantando o bicho. Ataque a crianças? Putz, dá um passeio pelo seu bairro procurando que vai encontrar histórias de ataques de cachorros mais assustadores. O pesquisador inglês deve ter tido um enfarte de ficar subindo montanha e, como nosso amigo reptiliano é carniceiro - ele não tem medo de bactérias patogências, lembra? - deve ter aproveitado.
Demonizar dragões de Komodo pode parecer inofensivo, afinal as chances de um de nós dar de cara com um deles é mínima. Mas o que isso mostra do pensamento jornalístico de alguns anos pra cá é sintomático. Tudo tem que ser espetacular. Pesquisa é desnecessária, principalmente se for trazer resultados contrários ao que já se decidiu de antemão. E, principalmente, ensine o espectador a temer tudo que é diferente e ele não entende. Num mundo como o nosso, que está mudando cada vez mais rápido, isso ensina as pessoas que aprendem com a televisão a serem preconceituosas, ressentidas, fortemente identificadas com o pensamento da maioria e tementes ao pensamento desigual. O próprio Cabrini já experimentou na pele as consequências de tal tratamento pela imprensa. É como já dizia Nietszche, não combata monstros temendo tornar-se um deles. E se você olhar dentro do abismo, o abismo olhará de volta pra você.
maio 07, 2008
maio 04, 2008
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Apesar do orgulho em saber que coordenadores de cursos universitários baianos lêem este blogue pelo menos desde 30 de março de 2008, quando foi publicada a tirinha acima (com uma pequena colaboração do Strip Generator), este sáite vem a público esclarecer que não endossa as declarações de que os baianos têm QI baixo (a terra do Águia de Haia, sinônimo de inteligência na minha época - "esse cara é o maior Ruy Barbosa") e por isso tocam um instrumento de apenas uma corda.Já se existisse um berimbau de três cordas e alguns sujeitos começassem a querer ser astros da capoeira music tocando aquele de uma só...
Dançando muito a quantidade de álcool não fazia muito efeito. É um velho truque índio, que a maioria desconhece porque homens que bebem muito não costumam gostar de dançar. A Cláudia tentava me explicar que o que estavam tocando era nau catrineta, que o Zeca Baleiro tinha popularizado no país todo, mas eu quase não conseguia prestar atenção, era a primeira vez desde que ela tinha ido me buscar no aeroporto que saíamos sós. Sim, algumas amigas tinham vindo com ela, além da Inês, a irmã, mas não o namorado, e bastava isso, bastava ele não estar ali ao lado dela que o resto do mundo poderia estar ao nosso redor e ainda assim eu estaria sozinho com ela, a sobrinha do jovem, talentoso e falecido artista de mamulengos, a pesquisadora, a moça de 23 anos que me mostrara as fotos de seu ex-namorada e grande paixão da vida, seu distante e brilhante primo médico quarentão, ambos fantasiados prontos para sair para o carnaval, ela de dominatrix, ele de camisa caindo pregueada sobre a imensa barriga, calça indiferente e apenas uma máscara, ele com um ar perdido e ela de lado, seu rosto olhando agressivamente e dominador para a câmera, e a câmera não mente jamais, entrega tudo, é objetiva, fria e imparcial, não racionaliza, não tenta se auto-iludir: aquelas mulheres com personalidades tão esplendorosas que as fazem atraentes e desejáveis são reduzidas à sua mediana beleza; aquelas namoradas que julgamos erradamente nos amar aparecem com seus olhos vazios e inexpressivos; aquele coroa tão jovial e cheio de energia aparece em toda a glória de sua decadência de telômeros curtos e células não mais se replicando.
Assim como aparece o espírito abusado e apaixonante de Cláudia, morena de pele de café como sempre sonhei, cantora e microbióloga, tantos nomes em latim e conhecimentos arcanos na mente e tão pouca roupa sobre o corpo, a barriga exposta pela blusa curta mostrando a curva da cintura feita para encaixar no braço masculino, perfeita para encaixar no braço masculino, e a nau catrineta, a nau catrineta que se foda, que se foda a Cláudia, que eu foda a Cláudia, é o que penso, é o que me passa pela cabeça, a cientista gostosa, a versão feminina para os heróis dos filmes americanos de ficção científica dos anos 50, não tenho mais desculpa, não tenho mais nenhuma razão para adiar, não tenho mais como postergar a tentativa de um beijo, a tentativa de provar a saliva dela, mesmo que ela me afaste, mesmo que ela diga que é um absurdo, ela não vai dizer, é claro que não o fará, eu estou louco de pensar uma coisa dessas, mas e se ela o fizer, não terá sido a primeira vez, preciso pensar, preciso jogar uma água no rosto, só para ser um pouco mais eu mesmo, para ter um pouco mais de certeza, um pouco mais, o limite de tempo, o imensurável espaço entre o pensamento e a ação, o momento exato, o gesto exato, o ato exato, exato e certo.
Assim como aparece o espírito abusado e apaixonante de Cláudia, morena de pele de café como sempre sonhei, cantora e microbióloga, tantos nomes em latim e conhecimentos arcanos na mente e tão pouca roupa sobre o corpo, a barriga exposta pela blusa curta mostrando a curva da cintura feita para encaixar no braço masculino, perfeita para encaixar no braço masculino, e a nau catrineta, a nau catrineta que se foda, que se foda a Cláudia, que eu foda a Cláudia, é o que penso, é o que me passa pela cabeça, a cientista gostosa, a versão feminina para os heróis dos filmes americanos de ficção científica dos anos 50, não tenho mais desculpa, não tenho mais nenhuma razão para adiar, não tenho mais como postergar a tentativa de um beijo, a tentativa de provar a saliva dela, mesmo que ela me afaste, mesmo que ela diga que é um absurdo, ela não vai dizer, é claro que não o fará, eu estou louco de pensar uma coisa dessas, mas e se ela o fizer, não terá sido a primeira vez, preciso pensar, preciso jogar uma água no rosto, só para ser um pouco mais eu mesmo, para ter um pouco mais de certeza, um pouco mais, o limite de tempo, o imensurável espaço entre o pensamento e a ação, o momento exato, o gesto exato, o ato exato, exato e certo.
O Mistério das Sambistas Seminuas

Uma vez o Fantástico levou uma dessas modelos-e-atrizes-passistas para Grumari, num dia de semana, de manhã cedo, pra que ela, peitos de fora, mostrasse como se prendia um tapa-sexo (sei, sei, apenas para fins educativos). Tinha o de clipe, com uma armação de metal tipo grampo, e o de esparadrapo duplo. Como eles não soltavam com o rebolado e o suor permaneceu um mistério, mas a audiência feminina já tinha levantado pra ir comer alguma coisa e a masculina estava ocupada demais pra se perguntar isso. Felizmente, com a Internet, a resposta para qualquer pergunta está ao alcance de um clique de mouse. Finalmente descobri o incentivo pra elas requebrarem tanto.
Undead Ted
O Estação Botafogo e a Cinemateca do MAM estão desde o dia 1o. exibindo um festival de filmes fantásticos - nem todos fantásticos filmes, é claro - mas este curta aí em cima, que abriu para o inacreditável Zibhakhana, na sexta 2, é sensacional. O único gasto real do orçamento deve ter sido mesmo a maquiagem, e o resto, uma camerazinha digital e uma edição simples e rápida num PC... mas uma excelente idéia. O cinema inteiro gargalhou. É verdade que era um público formado principalmente por nerds, mas...
Também digno de nota foi o longa da noite, Zibhakhana, Estrada para o Inferno, o primeiro filme de terror gore do Paquistão, em que os espectadores tiveram o desprazer de conhecer O HOMEM DA BURCA! Com baixíssimo orçamento e uma história nada original, Omar Ali Khan, o diretor, formado em jornalismo e cinema nos EUA, consegue urdir uma fita trash consistente, inteligente e efetiva - levei Livia Rosa e minha prima nerd de 15 anos, aquela a quem apresentei "A Noite dos Mortos-Vivos", e as duas morreram de medo.
O filme conta a história de cinco jovens paquistaneses que driblam os pais para no fim de semana ir assistir à "banda de rock mais quente do Paquistão", numa van caindo as pedaços decorada com pinturas heavy metal (1). Aliás, a trilha sonora, com rock em urdu, estranhamento parecido com o RPB dos anos 80, mais lounge music indo-muçulmana, e sucessos locais, já é um achado por si só. A garotada americanizada e globalizada pega um atalho porque tem um povo protestando contra a poluição das águas da região e acaba dando de cara com toda a mitologia pop de terror ocidental - George Romero, Lucio Fulci, John Carpenter, Tobe Hooper são citados um por um enquanto os adolescentes são dizimados. Adolescentes, aliás, bem construídos apesar dos diálogos ruins. Mesmo a "garota popular", que em filmes ianques estaríamos torcendo para morrer logo, atrai nossa simpatia. E, sinceramente, o assassino canibal indestrutível ser o "Homem da Burca" é um achado. Assim como nas fitas de horror estadunidenses dos anos 70 grande parte de sua efetividade dependia do contraste e da desconfiança mútua entre a juventude citadina e o sertão caipira de então, o cenário belíndico do Paquistão se presta que é uma maravilha presse tipo de libreto... um dos personagens é perguntado se pretende voltar aos EUA, onde morou, e responde que seu país é muito interessante. Parte está na idade da pedra e parte é moderna e contemporânea.
O trailer do filme está aí abaixo. É pouquíssimo provável que isso algum dia estréie nos cinemas, mas com sorte talvez saia em vídeo. Eu dei nota 5 pra ele na saída da sessão (ele está na mostra competitiva e o público vota). Com sorte vai ter repercussão...
abril 28, 2008
Ronaldo Fenômeno
Envolvido numa história com três travestis.
Explicado por que ele tem tantos problemas nos joelhos.
(De um amigo meu que prefere permanecer anônimo)
Explicado por que ele tem tantos problemas nos joelhos.
(De um amigo meu que prefere permanecer anônimo)
abril 23, 2008
Assim Caminha a Humanidade
MOSCOU, 22 ABR (ANSA) - O jornal russo "Moskovski Korrespondent", quepublicou na última semana a notícia da separação entre o presidenteVladimir Putin e sua esposa, desmentiu o caso afirmando que o"affaire" entre Putin e sua suposta amante, a jovem ginasta AlinaKabaeva, foi inventado para cobrir um espaço vazio na página depolítica quando a equipe de redação estava bêbada."Tínhamos um buraco que não podíamos encher com os personagens desempre do show business, e, já mais à noite, cansados e estressados,acabamos bebendo demais. Não saberia dizer quem teve a idéia", disseao tablóide Izvestia o jornalista Lev Rishkov, um dos redatores danotícia, que também publicou na internet uma longa confissão, motivadaprovavelmente por pressão dos dirigentes do jornal e do própriogabinete presidencial.
(pescado no blogue da Ana Sílvia).
(pescado no blogue da Ana Sílvia).
abril 22, 2008
Amigos no Churrasco do Sílvio
Eu e Amigos no Churrasco do Sílvio
Parte I - Ainda era dia...
O cineasta e editor Zé José e o músico Heitor.
Glauber e Priscila (Foto de Livia Rosa)
abril 21, 2008
Grandes Poemas
A minha pobre tradução para o português está abaixo da anglófona.
Days
Ralph Waldo Emerson
Daughters of Time, the hypocritic Days,
Muffled and dumb like barefoot dervishes,
And marching single in an endless file,
Bring diadems and fagots in their hands.
To each they offer gifts after his will,
Bread, kingdoms, stars, and sky that holds them all.
I, in my pleached garden, watched the pomp,
Forgot my morning wishes, hastily
Took a few herbs and apples, and the Day
Turned and departed silent. I, too late,
Under her solemn fillet saw the scorn.
Pré-nota: Traduzi "dias" como "horas" apenas para manter o gênero feminino.
As hipócritas Horas, filhas do Tempo
Abafadas e atoleimadas como dervixes descalços
Marcham em uma interminável fila única
Trazendo diademas e regalos nas mãos
A cada um oferecem presentes à vontade,
Pão, reinos, estrelas e o céu que nos protege
Eu, em meu jardim curvo, apressadamente
Colhi algumas ervas e maçãs e a Hora
Virou-se e partiu silenciosa.
Tarde demais percebi,
Sob seu solene perfil,
O desprezo
Days
Ralph Waldo Emerson
Daughters of Time, the hypocritic Days,
Muffled and dumb like barefoot dervishes,
And marching single in an endless file,
Bring diadems and fagots in their hands.
To each they offer gifts after his will,
Bread, kingdoms, stars, and sky that holds them all.
I, in my pleached garden, watched the pomp,
Forgot my morning wishes, hastily
Took a few herbs and apples, and the Day
Turned and departed silent. I, too late,
Under her solemn fillet saw the scorn.
Pré-nota: Traduzi "dias" como "horas" apenas para manter o gênero feminino.
As hipócritas Horas, filhas do Tempo
Abafadas e atoleimadas como dervixes descalços
Marcham em uma interminável fila única
Trazendo diademas e regalos nas mãos
A cada um oferecem presentes à vontade,
Pão, reinos, estrelas e o céu que nos protege
Eu, em meu jardim curvo, apressadamente
Colhi algumas ervas e maçãs e a Hora
Virou-se e partiu silenciosa.
Tarde demais percebi,
Sob seu solene perfil,
O desprezo
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