janeiro 03, 2010

Gostei do Seu Biquini










Búzios, dezembro de 2009, a gringa se diverte com o seu moreno nacional.

Aterro Dezembro de 2009

Retrospectiva do Blogue - Alteridade e Neoliberalismo

Quanto desse povo quarentão que acha que tinha que matar esses pivetinhos de rua ajudou a fazer de CAPITÃES DE AREIA o grande sucesso teatral jovem no verão de 1982/1983? Será que se os pivetinhos fossem todos parecidos com Alexandre Frota e Bianca Byington, protagonistas da peça, eles mudariam de idéia?

Há coisa de dez anos atrás, fui arrastado por uma menina que eu estava pegando para ver a adaptação de Gabriel Vilela para MORTE E VIDA SEVERINA. Ela fazia questão de assistir porque era parente distante do João Cabral de Mello Neto (um ou dois "l"?). O ator que fazia Severino era um jovem adulto, malhadaço, o que dava para ver porque seu figurino era apenas um saiote mezzo aborígene mezzo africano e uma espécie de touca com a mesma inspiração. O sujeito andava com um grande cajado e sua dicção era em tom profundo e épico. Gabriel Vilela deve ter adorado os livros do Joseph Campbell e, em sua concepção, o protagonista de João Cabral, em vez de um retirante miserável e subnutrido, era um herói em busca da verdade.

Após quase duas horas de entediante espetáculo (o sotaque surfista do Severino não ajudava muito e os peitinhos da deusa-rio Capibaribe - não pergunte - não foram o suficiente para aliviar), saímos à rua. Posso contar de positivo da moça que ela também não gostou do musical, mas tivemos a chance de ouvir ao nosso lado um pessoal mais velho comentando como apreciara a peça, com uma mulher ressaltando que tinha visto outra montagem muitos anos atrás, mas "nem se compara, era um horror, todo mundo esfarrapado, todo mundo se arrastando pelo chão"...

Quando moleque, li um clássico de psicologia para adolescentes, NUNCA LHE PROMETI UM JARDIM DE ROSAS, mostrando o início do processo de cura de uma garota esquizofrênica judia. Um dos momentos interessantes do livro era quando a protagonista contava que, conversando com uma amiga, falou que fulana parecia estar num purim (ou coisa parecida, eu não conheço tão a fundo a cultura judaica) e sua amiga não entendera; só então se tocara que sempre percebera todas as pessoas à sua volta como judias, como tendo a mesma criação e cultura que ela tivera.

Na verdade, isso se aplica praticamente a todos nós. Eu, enquanto branco (para os padrões brasileiros, é claro), sempre pensei em negros como brancos com mais melanina. O conceito "preto de alma branca" vem dessa idéia. Nós não os enxergamos como sujeitos com outra cultura, que são encarados de forma diferente pelo mundo e, portanto, encaram-no também de forma diferente. E assim agimos também em relação a pobres - eles são iguais a nós, só que com menos dinheiro.

É assim que adolescentes de Zona Sul podem se identificar com meninos de rua da Salvador dos anos 30, 40. Os espectadores vêem aquela garotada que não tem pais para encher o saco, que tem desprezo pelo "sistema", que não precisam trabalhar para viver, mas usam seus talentos e astúcia superiores para conseguir uns trocados, e passam o dia à toa com os amigos, namorando, transando e fazendo festas e pensam "sou eu! Essa é a vida que eu gostaria de ter!". É assim que Gabriel Vilela pode pegar um clássico da miséria nordestina e fazer uma saga épica de alguém bestificado com Campbell. É assim que podemos eventualmente chegar a pensar que se esses pobres todos resolvessem estudar, seriam alguém na vida.

Mas tentar negar esse dito de que "pobre é pobre porque quer" costuma ser acompanhado de uma história de que "meu pai veio do interior de não-sei-onde, vendia verduras que catava no Morro do Chapéu, depois abriu uma lojinha (...)". Meu amigo Carlos Henrique, de direita, neoliberal e tudo, certa vez me explicou o que achava ser o motivo para a diferença de personalidade entre o Romário e o Ronaldo Fenômeno - o Ronaldinho é ex-suburbano pobre, o Romário é ex-favelado. A diferença pode parecer mínima pra turma da Zona Sul, mas pra quem cresceu em Valqueire como o Carlos (e estudou e foi ser alguém na vida), é imensa. Pobre e miserável são duas coisas muito diferentes. Têm culturas diferentes. Aprendem a ter objetivos de vida diferentes. São diferentes. Como homens e mulheres, negros e brancos, pivetes de rua da Salvador dos anos 40 e Alexandre Frota e Bianca Byington. O povo que viu aquela peça cresceu, deixou a rebeldia pra trás, formou família e hoje fica preocupado com esses pivetinhos que estão vivendo de verdade o sonho que esses senhores de classe média tinham na adolescência. Só que são mais feios e sujos.

P.S.:

1. Pra fazer Morte e Vida Severina, Gabriel Villela, que era o administrador do Teatro Glória, onde a montagem estreou, recebeu uma grana de patrocínio, pegou o enorme elenco e foi passar uma temporada no Nordeste, para que todos pudessem ver e sentir de perto a atmosfera do poema. (Lá eles descobriram que o Nordeste brasileiro é puro Campbell).

2. Meu pai é uma dessas histórias de sujeito que subiu na vida trabalhando. Um dos cinco filhos de um casal de portugueses que veio pra cá nos anos 30, eram tão pobres que moravam na rua Sambaíba, no Alto Leblon - e eu não estou ironizando. Lááááááá em cima, um local ermo e desolado (1). Embora as duas irmãs de meu pai ainda vivam (uma é dona de um pequeno salão de cabeleireiro no Sol Ipanema), ele e seus dois irmãos já faleceram. Meu pai, mesmo completando apenas o Ensino Fundamental conseguiu fazer um patrimônio e botar os filhos no maravilhoso mundo da casa própria, carro zero quilômetro e faculdade; seus irmãos não foram tão bem-sucedidos.

Meu pai era um sujeito que, embora fosse bem-humorado, era fechado e não tinha nada dessa história de demonstrar sentimentos. Uma das poucas vezes que se permitiu fazê-lo contou uma história de quando tinha sete anos e estava na escola e a professora deu para a turma ilustrações mimeografados (um aparelho para fazer cópias a álcool, para o povo com menos de 35 anos) dos personagens Disney para colorir. A figura paterna sempre teve talento e gosto para o desenho e, quando recebeu o Mickey, começou a chorar, porque o camundongo era todo preto, não tinha nada para colorir, e ele estava certo que a professora lhe dera justo o ratinho porque ele era pobre. É desse tipo de vivência que eu não tenho conhecimento. É isso o que eu quero dizer quando digo que pobres não são como nós, só que com menos dinheiro (e estudo).

Retrospectiva do Blogue: Yes, Yes, de Bukowski

No momento, meu poema de amor favorito (já foi "When you're old", do Yeats, e "Song", de Louise Bogan. Tradução livre por mim mesmo.

Quando Deus criou o Amor, Ele não ajudou à maioria
Quando Deus criou os cães, Ele não ajudou os cães
Quando Deus criou as plantas, Ele foi assim-assim
Quando Deus criou o Ódio, nós ganhamos uma ferramenta utilitária
Quando Deus me criou, Ele me criou
Quando Deus criou o macaco, Ele estava apagado
Quando Deus criou a girafa, Ele estava de porre
Quando Deus criou as drogas, Ele estava no maior alto astral
Quando Deus criou o suicídio, Ele estava no maior baixo astral

Quando Deus criou você deitada nua na cama
Ele sabia o que estava fazendo
Ele estava de porre e estava doidão
E criou o fogo a água e as montanhas ao mesmo tempo

Ele cometeu seus erros, é verdade
Mas quando Ele criou você deitada nua na cama
Ele gozou por sobre todo seu abençoado Universo


when God created love he didn't help most
when God created dogs He didn't help dogs
when God created plants that was average
when God created hate we had a standard utility
when God created me He created me
when God created the monkey He was asleep
when He created the giraffe He was drunk
when He created narcotics He was high
and when He created suicide He was low

when He created you lying in bed
He knew what He was doing
He was drunk and He was high
and He created the mountians and the sea and fire at the same time

He made some mistakes
but when He created you lying in bed
He came all over His Blessed Universe
Publicada por Ave em 8:32 AM

A Primeira Lua Cheia de Dezembro de 2009


d'après Arnaldo

A Fronteira Final - A Primeira Temporada de Star Trek a Série Clássica

O Punhal Imaginário



pelo blogueiro convidado Antônio Rogério da Silva

Embora seja uma nave militar, não são raras as falhas de segurança existentes na Enterprise, da série original de Jornada nas Estrelas. Fosse o controle mais severo, poucas histórias preencheriam o tempo de um episódio. Pode-se talvez creditar essas brechas ao caráter liberal da tripulação e seus comandantes, que pressupõem que todos cumprirão seus deveres sem precisar da ordem de ninguém. O certo é que os erros de procedimentos são responsáveis pelos desdobramentos de várias histórias em todas suas temporadas.

O contraste entre essa postura de franca confiança e uma conduta mais rigorosa de controle fica evidente no capítulo intitulado O Punhal Imaginário. Depois de ter abastecido e trocado encomendas com a colônia penal do planeta Tantalus, sobe a bordo um passageiro clandestino fugitivo daquele presídio. Logo se descobre tratar do Dr. Simon van Gelder (Morgan Woodward), assistente do famoso cientista Dr. Tristan Adams (James Gregory), diretor da prisão – outro maluco como o Dr. Roger Korby de E as Meninas, de que são Feitas?. Uma vez capturado, o fugitivo transtornado informa fatos contraditórios que forçam o Capitão Kirk (William Shatner) a investigá-los, em Tantalus, acompanhado apenas pela bela psicóloga de bordo, Helen Noel (Marianna Hill), com quem já tivera um rápido romance numa noite de natal.

Adams é um especialista de renome, admirado por Noel e reconhecido no setor penitenciário por seus métodos pacíficos e não invasivos de controle dos internos mais violentos. Uma de suas experiências adota a máquina chamada de neutralizador neural, capaz de condicionar o comportamento conveniente aos casos de prisioneiros mais agressivos, quando são submetidos a seu tratamento. O neutralizador induz a dor e sofrimento psicológico toda vez que o paciente tenta agir de uma maneira proibida por seu manipulador. Na prática, a máquina funciona como um instrumento de tortura que serve para “lavagem cerebral” de suas vítimas. O sonho de consumo de todo ditador em regimes totalitários.

O controle das mentes de seus súditos é a aspiração de pessoas com tendências tirânicas que imaginam serem as outras meras “folhas de papel em branco”, onde se poderia escrever qualquer ideia e fazer tábula rasa das suas memórias e interesses próprios. O erro está em não se aceitar que parte relevante do comportamento de todo ser humano possa estar incorporado geneticamente e acreditar que as emoções inatas devam ser reprimidas sempre, para se evitar atitudes irracionais. Um adágio estóico que o vulcano Spock (Leonard Nimoy) faz questão de frisar é que “onde não há emoção, não há motivo para violência”; esquecendo-se da existência dos assim chamados “assassinatos a sangue frio”.

De fato, alguma lógica formal pode surgir da supressão das emoções e concepções prévias – os estóicos eram bons nisso. Entretanto, a aplicação eficaz de uma norma ou regra demanda motivação adequada por parte do agente. Os seres vivos precisam “saber e sentir” se os resultados de suas ações afetarão de alguma maneira a sua própria sobrevivência e reprodução, a fim de se envolverem com elas e as realizarem corretamente. Da integridade física entre corpo e mente, surge o equilíbrio necessário aos melhores especialistas em suas análises, avaliações e tomadas de decisão, ainda que procurem não se deixarem envolver afetivamente pela situação ou tentem apagar os traços emotivos nos seus cálculos racionais. Uma mente sã em um corpo são não precisa, mesmo na solidão, da presença de um carrasco frio e objetivo para sobreviver. Neste caso, é melhor estar só do que mal acompanhado.

Urca Dezembro de 2009

dezembro 27, 2009

O Vazio

O vazio de postagens é que minha meta era fazer uma postagem por dia em 2009. Depois que fiz, fui cuidar do trabalho antes do recesso de fim de ano e viajar! Búúúúzios..!

dezembro 02, 2009

Programação do Grêmio para o Jogo de Domingo

*por um amigo tricolor


Sábado

12:00 - embarque para o RIO

15:00 - Cerveja na beira da Praia de Copacabana

17:00 - Futevôlei com Edmundo e Ery Johnson

18:00 - Banho de mar e uma cervejinha

18:45 - Maxi Lopez da uma volta de bicicleta pelo calçadão com Souza para comer um xis.

19:30 - Rospide faz uma roda de samba com Zeca pagodinho e Junior (EX-
fla)

21:00 - janta

22:00 - Banho

22:30 - Inicio da concentração na casa do Adriano, Douglas costa sobe o morro para buscar sua "Merenda"

24h00min - Souza, Maxi Lopez e Leo Moura vão buscar umas mulher, e como já é tarde Mario Fernandes volta para o Hotel.

Domingo

02:00 - Putaria Total na casa do Adriano 15 jogadores e 25 mulatas, Victor se envolve em uma briga num Baile Funk.

05:00 - Jogadores vao embora da casa do Adriano.

05:30 - Jogadores são vistos metendo um Hot Dog na rua.

*06:30 - Todos os atletas se encontram no hotel descansando, menos o Douglas que ainda não voltou do morro.

12:00 Thiago é cortado do jogo pq pediu concentração total na partida

16:45 - Jogadores chegam ao Maraca

17:00 - Time do Grêmio entra em campo

17:01 - Victor da um soco na boca do Adriano e é expulso.

17:01 - Maxi Lopez chama o juiz de Maricon e Também é expulso.

17:30 - Após o tumulto Adriano bate o penalti e faz 1 a 0

17:32 - Grêmio Perde Souza com lesão grave na orelha esquerda.

17:35 - Adriano sai da área do flamengo e chega na pequena área do Grêmio e coloca entre as pernas de Marcelo Grohe

17:36 - Túlio da a saída e atrasa para o golero que aceita o gol porque estava amarrando as chuteiras.

17:37 - Rafael Marques toma cartão amarelo porque tirou a camisa para comemorar o terceiro gol do Flamengo.

19:00 - Fra CAMPEÃO

*19:45 - Chopp na Gávea

21:30 - Douglas Costa volta do morro...

22:00 - Retorno a Porto Alegre

24:00 - Chegada em Porto Alegre com aeroporto lotado e a galera recebendo os jogadores como heróis do Grêmio!!!!

novembro 24, 2009

Agora que está mais do que claro que nenhum time da série A quer de jeito nenhum - nem que a vaca tussa - ser campeão brasileiro, só resta mesmo entregar o título ao Vasco...

novembro 21, 2009

Deus, assim como o Padre Voador, anda de balão


Vai ver que é por isso que ele anda meio perdido e quase ninguém consegue encontrá-lo...


Um celular com câmera em Copacabana, novembro de 2009.




Um Celular com Câmera


Outras sugestões do cardápio: frango à cubana com jeitão meio gay ou linguado grelhado com cara de doidão.

Um Celular com Câmera em Copacabana

Um Celular com Câmera no Centro




Porque a formiga é a melhor amiga da cigarra.

Guess Her Muff

Adivinha sua pentelheira! O saite Guess Her Muff foi obviamente feito pra mostrar foto amadora de mulher pelada.



Mas uma coisa simples como mostrar uma foto da moça vestida e você ter que clicar pra vê-la despida modifica toda a maneira de ver a coisa.




Além das óbvias "eu jamais imaginaria que essa moça tivesse esse comportamento entre quatro paredes"...






Existe o óbvio fator voyeurístico de invadir a privacidade de alguém, que não teria tanto impacto se as fotos das moças estivessem uma atrás da outra (como aqui), já que não há a potencialização pela "espiadinha" necessária...




E també faz-nos pensar no quanto dessexualizamos as moças com que convivemos ou vemos na rua... Embora aqui eu tenha selecionado moças bonitas ou extremas, o saite está cheio de mulheres daquelas que não chamam muita a atenção. Relembrar que elas são pessoas sexuais, por mais que pareça eu tentando dar um significado a essa pornografia toda, mexe um pouco com nossos conceitos.




É o sentimento inverso daquele de quando a sua amada se veste e volta a ser um segredo cercado de roupas como todas as outras. Ver nesse saite que todas as moças - gordinhas, nerds, jovens, bonitas, caídas, acabadas - são seres sexuais me fez pela primeira vez perceber o que o protagonista da HQ do Manara "O perfume do invisível" sente quando descobre o sexo na meia-idade e comenta "imaginar que todas elas têm uma bocetinha, por debaixo daquelas roupas" (para).


Teoria da Conspiração

Depois de Carla Perez, outra mulher desconhecida se faz passar por uma celebridade e... ninguém parece perceber!!!!!!!



Obviamente alienígenas capazes de assumir muito mal formas humanas as estão substituindo e usando seus poderes telepáticos para suprir suas transmorfodeficiências. Vejam abaixo o extraterrestre que está tentando se passar por Letícia Spiller.



Caso não haja mais postagens aqui, vocês já sabem que fim levei... ei... quem é você? Como? Débora Secco... mas ela era muito diferente... aaaaaaaaaaaaaargh...

novembro 13, 2009

Manual Para Grileiros Principiantes

“Saiba (...) como ter lugar reservado na praia”, tá na primeira página do Globo hoje. É que é a capa do Rio Show desta semana. Aprenda o macete: basta ligar prum barraqueiro que por uma graninha ele ocupa um espaço pra você e, se tiver bebês no grupo, ainda arma uma piscininha. O Zé Pereira pensou em fotografar essa matéria e mandar praquela seção do Globo “ilegal, e daí?”.

Sim, porque os barraqueiros são camelôs ilegais, nem vale a pena falar de se apossar de um espaço público, e a água – centenas de litros – necessária pra encher uma piscininha vem dos gatos que eles fazem pra montar chuveirinhos “só para os clientes”.

Faz sentido, afinal pros leitores do Globo deve soar um absurdo que um bando de pé-rapados que acordam ainda de madrugada pra viajar até a Zona Sul tentar fazer um programa de graça possam ocupar um lugar na praia deles. Afina, pra que que eles pagam tanto IPTU? Mas o que fazer? Thomas L. Friedman certa vez, numa viagem a um desses países subdesenvolvidos da Ásia, ao ver uma cameloa que cobrava pra dar o peso e altura do sujeito, louvou-a como personificação da iniciativa. Esses barraqueiros só estão sendo neoliberais. Quem pode mais, chora menos e se esses pobres não fossem tão preguiçosos e sem iniciativa teriam grana pra reservar local na praia também.

novembro 12, 2009

E Isto Porque Tenho Personalidade

Em fins de agosto perdi minha carteira. Logo em seguida foi devolvida, sem o dinheiro, mas àquela altura já tinha cancelado meus cartões, inclusive o de débito do Itaú Personnalité. Lembro-me que quando quiseram que eu aceitasse esse upgrade, o gerente veio no meu trabalho, levando cartões, talões de cheque e o escambau.

Solicitei um novo cartão de débito pra atendente. Como eu moro sozinho e no horário comercial não estou em casa, pedi que entregassem no endereço de minha mãe. A moça me avisou que eu teria que confirmar a mudança no dia seguinte pra que eles entregassem o cartão. Aceitei. No dia seguinte eles me ligaram e confirmaram o novo endereço pra entrega. Ok.

Passaram-se os cinco a dez dias úteis da entrega e nada. Liguei de novo pra lã e descobri que não tinham mandado o cartão ainda porque EU DEVERIA TER LIGADO PRA CONFIRMAR O ENDEREÇO - NÃO VALIA TENDO SIDO ELES A LIGAR! ENTÃO PRA QUE DIABOS ELES LIGARAM?

Solicitei novo cartão. Passaram-se de novo os dez dias úteis. Liguei pra lá e a culpa era da greve do correio. Tive que pedir outro cartão. O prazo diminuiu pra oito dias corridos. Liguei pra lá ao fim dos oito dias. A moça me disse que eram oito dias contados a partir do dia seguinte da ligação e que só a partir do dia seguinte eles teriam certeza de que o cartão não seria entregue. Liguei de novo no dia seguinte. A esta altura já estávamos em fins de outubro. Pedi de novo outro cartão.

Enquanto isso, perdia minhas horas de almoço tendo que ir à agência ou pedindo à minha mãe aposentada que o fosse pra pagar contas, pegar dinheiro ou mesmo conferir a fatura do cartão de crédito - que, por motivos óbvios, estava sendo usado demais. Fui checar meu saldo na Internet e apareceu um pop-up com a fotinho do gerente, dizendo que, "qualquer problema, basta passar um email'". Estou esperando a resposta há vinte dias.

Finalmente liguei pra agência pra falar com o meu "gerente exclusivo" - não o fiz antes porque das vezes anteriores eles sempre diziam que cartão múltiplo tinha que ser tratado no telefone de cartões, não no Bankline. Finalmente descobriram que os cartões estavam indo pra agência - bastava eu sair do trabalho no Centro no horário comercial e ir até Botafogo pegá-lo!!! Berrei tanto que toparam entregar no dia seguinte, uma quinta-feira. Não vieram. Liguei pra lá e a moça me disse que na terça poderiam entregar. Mais berros dizendo que estava há três meses sem cartão e finalmente toparam entregar na sexta, pois eu não queria ficar mais um fim de semana dependendo de trocas de cheques. Obviamente ele estava bloqueado e tive que perder minha hora de almoço - e até mais um pouco - na fila de um banco numa sexta-feira, pra ativar minha senha.

Isto foi na sexta passada. Ontem almocei no Dona Empada, paguei normalmente com o cartão e o embolsei. Passei das 18h30m às 22h30m de ontem tentando conferir a fatura do meu cartão de crédito, mas até agora, 18h30m do dia seguinte, o banco online só diz que este sistema está momentaneamente fora do ar e preu tentar de novo em alguns minutos.

Hoje fui sacar dinheiro e deu que meu cartão está bloqueado. Basta eu ir a uma agência pra recadastrar a senha. Mais uma hora de almoço numa sexta perdida. E o Personnalité, vocês devem lembrar, é um banco de elite. Por algum motivo, eu não consigo visualizar o Eike Batista passando por isso.

Aí subitamente pensei no casamento dele com a Luma e lembrei que ele é um péssimo exemplo. Mas vocês entenderam a coisa.

novembro 11, 2009

novembro 08, 2009

Preciso Matar Meu Pai para Me Tornar Adulto

Joseph Campbell culpa a falta de mitos e ritos de passagem em nossa sociedade pela personalidade frágil moderna e sua suscetibilidade ao estresse e às pressões, sua sensação de abandono e desamparo, seu egocentrismo e falta de rumo espiritual, aquele medo de assumir responsabilidades, enfim, sua puerilidade, sua imaturidade... Quando exatamente sabemos que não somos mais meninos? Em minha infância havia ainda muitas coisas que se podiam dizer inegavelmente de criança: balas, revistas em quadrinhos, desenhos animados, videogames, coleção de miniaturas... estão entendendo aonde eu quero chegar?

Nas sociedades mais antigas e/ou mais primitivas, a transformação do adolescente em adulto não era um processo vago e longo. Em certa idade você passava por um ritual, normalmente exaustivo e desafiador, e pronto, não havia dúvida, você era um adulto. Em Roma, por exemplo, o debutante recebia sua toga; em culturas de caça e coleta envolvia normalmente um êxtase místico, a perfuração para receber brincos ou aros, que causavam deformações em orelhas, lábios, narizes, ou então cortes nos membros e no torso, tatuagens, enfim, o adolescente era testado, era exposto à dor de crescer e saber-se mais perto da morte e era mesmo fisicamente transformado. Ao voltar de sua iniciação o seu corpo definitivamente não era mais o mesmo, você tinha marcas que mostravam que você era adulto e não iriam deixá-lo voltar a agir como criança.

Nessas culturas o indivíduo neurótico ou desajustado não durava muito. Se os adultos percebiam durante o ritual qualquer incapacidade, o adolescente se tornava um pária, era expulso da tribo ou em casos mais extremos, era morto pelos que o iniciavam. A sociedade em questão era mais vigorosa e homogênea, com um forte senso de identificação com os objetivos e finalidades das pessoas em volta.

Só que havia um preço a se pagar: a perda do pensamento original e da criatividade.