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dezembro 20, 2010
dezembro 17, 2010
Leonard Cohen
Como a imensa maioria da população do planeta, a única coisa que eu conhecia até ontem era o Aleluia do Leonard Cohen - maravilhoso, por sinal. Você pode ver a versão ao vivo aqui e abaixo a do disco mesmo, só com a foto dele:
Nunca tinha prestado atenção na letra, olha que bonito:
Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah
Baby I have been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you.
I've seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
There was a time you let me know
What's really going on below
But now you never show it to me, do you?
And remember when I moved in you
The holy dove was moving too
And every breath we drew was Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Maybe there’s a God above
But all I’ve ever learned from love
Was how to shoot at someone who outdrew you
It’s not a cry you can hear at night
It’s not somebody who has seen the light
It’s a cold and it’s a broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though
It all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah
Olha que coisa de chorar, esse final:
Fiz o meu melhor, não foi muito
Eu não conseguia sentir, então tentei tocar
Eu contei a verdade, não vim para enganar você
E ainda que
Tudo tenha dado errado
Vou permanecer frente ao Senhor da Música
Com nada em minha voz além de Aleluia.
As estrofes todas são lindas, aliás:
Sua fé era forte, mas você precisava de prova
Você a viu banhando-se no telhado
Sua beleza e o luar avassalaram você
Ela amarrou você
A uma cadeira de cozinha
Ela quebrou seu trono, ela cortou seu cabelo
E de seus lábios ela arrancou o Aleluia
As letras dele são quilométricas, ele é poeta também - e ainda desenha bem - e sabe ir de um poema curtinho tipo mimeógrafo a coisas como a canção acima, as músicas em geral sendo bem mais longas do que ao que estamos acostumados porque ele TEM algo a dizer.
Eis aí um poema dele, seguido da tradução apressada de sempre:
For you
I will be a ghetto jew
and dance
and put white stockings
on my twisted limbs
and poison wells
across the town
For you
I will be an apostate jew
and tell the Spanish priest
of the blood vow
in the Talmud
and where the bones
of the child are hid
For you
I will be a banker jew
and bring to ruin
a proud old hunting king
and end his line
For you
I will be a Broadway jew
and cry in theatres
for my mother
and sell bargain goods
beneath the counter
For you
I will be a doctor jew
and search
in all the garbage cans for foreskins
to sew back again
For you
I will be a Dachau jew
and lie down in lime
with twisted limbs
Por você
Serei um judeu de gueto
E dançarei
E porei meias brancas
Em meus membros tortos
E envenenarei os poços
Pela cidade
Por você
Serei um judeu apóstata
E direi ao padre espanhol
Do juramento de sangue
No Talmude
E onde os ossos das crianças
Estão escondidos
Por você
Serei um banqueiro judeu
E trarei à ruína
Um orgulhoso velho rei caçador
E darei um fim à sua linhagem
Por você
Serei um judeu da Broadway
E chorarei em teatros
Pela minha mãe
E venderei produtos baratos
Atrás do balcão
Por você
Serei um médico judeu
E procurarei
Em todas as latas de lixo por prepúcios
Para costurá-los de volta
Por você
Serei um judeu de Dachau
A jazer na cal
Com membros tortos
E uma dor tão intensa
Que mente alguma pode compreender
Você pode encontrar mais poemas dele nesta página em inglês. Então, pra se despedir, o sensacional intérprete canta mais uma de suas grandes canções abaixo. mas não deixe de conferir o er... bem... algo delicado Rufus Wainwright cantando "Everybody Knows" no vocêtubo...
Nunca tinha prestado atenção na letra, olha que bonito:
Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah
Baby I have been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you.
I've seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
There was a time you let me know
What's really going on below
But now you never show it to me, do you?
And remember when I moved in you
The holy dove was moving too
And every breath we drew was Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Maybe there’s a God above
But all I’ve ever learned from love
Was how to shoot at someone who outdrew you
It’s not a cry you can hear at night
It’s not somebody who has seen the light
It’s a cold and it’s a broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though
It all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah
Olha que coisa de chorar, esse final:
Fiz o meu melhor, não foi muito
Eu não conseguia sentir, então tentei tocar
Eu contei a verdade, não vim para enganar você
E ainda que
Tudo tenha dado errado
Vou permanecer frente ao Senhor da Música
Com nada em minha voz além de Aleluia.
As estrofes todas são lindas, aliás:
Sua fé era forte, mas você precisava de prova
Você a viu banhando-se no telhado
Sua beleza e o luar avassalaram você
Ela amarrou você
A uma cadeira de cozinha
Ela quebrou seu trono, ela cortou seu cabelo
E de seus lábios ela arrancou o Aleluia
As letras dele são quilométricas, ele é poeta também - e ainda desenha bem - e sabe ir de um poema curtinho tipo mimeógrafo a coisas como a canção acima, as músicas em geral sendo bem mais longas do que ao que estamos acostumados porque ele TEM algo a dizer.
Eis aí um poema dele, seguido da tradução apressada de sempre:
For you
I will be a ghetto jew
and dance
and put white stockings
on my twisted limbs
and poison wells
across the town
For you
I will be an apostate jew
and tell the Spanish priest
of the blood vow
in the Talmud
and where the bones
of the child are hid
For you
I will be a banker jew
and bring to ruin
a proud old hunting king
and end his line
For you
I will be a Broadway jew
and cry in theatres
for my mother
and sell bargain goods
beneath the counter
For you
I will be a doctor jew
and search
in all the garbage cans for foreskins
to sew back again
For you
I will be a Dachau jew
and lie down in lime
with twisted limbs
Por você
Serei um judeu de gueto
E dançarei
E porei meias brancas
Em meus membros tortos
E envenenarei os poços
Pela cidade
Por você
Serei um judeu apóstata
E direi ao padre espanhol
Do juramento de sangue
No Talmude
E onde os ossos das crianças
Estão escondidos
Por você
Serei um banqueiro judeu
E trarei à ruína
Um orgulhoso velho rei caçador
E darei um fim à sua linhagem
Por você
Serei um judeu da Broadway
E chorarei em teatros
Pela minha mãe
E venderei produtos baratos
Atrás do balcão
Por você
Serei um médico judeu
E procurarei
Em todas as latas de lixo por prepúcios
Para costurá-los de volta
Por você
Serei um judeu de Dachau
A jazer na cal
Com membros tortos
E uma dor tão intensa
Que mente alguma pode compreender
Você pode encontrar mais poemas dele nesta página em inglês. Então, pra se despedir, o sensacional intérprete canta mais uma de suas grandes canções abaixo. mas não deixe de conferir o er... bem... algo delicado Rufus Wainwright cantando "Everybody Knows" no vocêtubo...
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dezembro 12, 2010
dezembro 06, 2010
A Blietzkrig Alemã no Morro do Alemão
Teve gente chamando a ocupação do Morro do Alemão de blitzkrieg. É uma comparação extremamente incorreta, com o articulista citando o elemento surpresa como a principal semelhança. No entanto, qual exatamente o elemento surpresa se os órgãos de segurança já haviam avisado com antecedência que iriam invadir a comunidade e usando blindados para ultrapassar as barreiras?
Não, na verdade, sob este aspecto, a operação foi na verdade um antiquado e pouco criativo ataque frontal, na melhor tradição clausewitziana de concentração de forças, ou seja, "junta todo mundo e vamos dar um pau nesses caras!" Este conceito foi justamente o que foi ultrapassado na blitzkrieg, conforme artigos aqui já postados, mas, apesar de tudo, pode-se dizer que, pelo menos em seu espírito de aproximação indireta, o povo que concatenou a invasão do complexo de favelas baseou-se na guerra-relâmpago dos homônimos do Morro.

Aproximação indireta, defendida no clássico "A Arte da Guerra", de Sun Tzu, com sua versão moderna preconizada por Samuel Fuller, desenvolvida por Sir Basil Liddel Hart e aplicada pela Wermacht na II Guerra, consiste justamente em evitar custosos ataques frontais às posições mais fortes do inimigo. O pensamento militar em voga desde o século XIX era o de aniquilar o exército adversário com um golpe poderoso, buscando-se atingi-lo em seu ponto mais forte para obter uma vitória decisiva. Ataques a posições secundárias seriam perda de tempo, sob este ponto de vista.
Então, quando se fala em "surpresa" na blitzkrieg alemã da II Guerra, não é pra dizer que os nazistas atacavam quando ninguém esperava - pelo contrário, os anglofrancos ficaram esperando desde 1939 o ataque na frente ocidental que só se concretizou em maio de 1940, e sim porque os hunos buscavam os pontos fracos do inimigo, para se infiltrar em suas linhas e desbaratar seus exércitos sem a necessidade de ficar trocando golpes justamente onde o adversário era mais forte e mais baixas poderia causar.
Por exemplo, no fronte ocidental, estando toda a fronteira franco-alemã fortificada com a Linha Maginot, os aliados esperavam que os teutões repetissem o Plano Schlieffen de 1914 e avançassem pela Bélgica. Assim, os anglogauleses mandaram a maior parte de seus exércitos para os Países Baixos, no Norte, e deixaram apenas forças leves para dar apoio aos fortes fronteiriços, no Sul. Entre os dois grupamentos de forças, havia uma florestinha cheia de morrotes, as Ardenas, que os estrategistas do lado de cá julgavam um obstáculo que atrasaria a marcha da infantaria e proibiria o uso de blindados.
Mas para os alemães aquela região era mais ondulada do que intransponível e jogou suas forças blindadas por ali, escoando-as entre os exércitos aliados na Bélgica e os fortes Maginot, passando a menos de 15 quilômetros das fortificações. No entanto, a velocidade dos blindados tornou qualquer reação francesa impraticável e, mesmo com a infantaria vindo bem atrás, foi impossível um contra-ataque de flanco porque os tanques desbaratavam e desorganizavam os quartéis-generais e as forças de infantaria por onde passavam, mesmo que não viesse ninguém imediatamente atrás para ocupar o terreno.
Deixando então os alemães de lado e voltando ao Morro do Alemão, a aproximação indireta usada pelas polícias foi justamente avisar que iria entrar de qualquer jeito e usando blindados, para dar tempo para os traficantes fugirem. Um ataque repentino certamente causaria uma reação instintiva do Movimento e poderia acarretar baixas não só entre os combatentes (a que ponto chegamos) como também entre os civis, justamente o que o governo não queria e que sempre atravancou os planos para se pacificar aquelas imensas comunidades. Trabalhadores mortos às pencas e suas famílias acusando os PMs inviabilizaria qualquer tentativa ulterior de se repetir a operação, desmoralizaria as forças governamentais e aumentaria a aura de invencibilidade dos criminosos.
Da maneira que foi, a vitória foi completa e total. Os traficantes fugiram da Vila Cruzeiro atônitos e atarantados, carregando somente o que podiam levar nas mãos e sem tempo de planejar uma contraofensiva. A invasão do Morro do Alemão em seguida desbaratou completamente suas forças. Sem dinheiro, armamento, contatos, drogas, base de operações e sob contínua pressão, há muito pouca coisa que os traficantes fugitivos possam fazer, a não ser que alguém acredite que eles realmente sejam super-homens, entes com força de vontade e intelecto superiores, capazes de, do nada, construir em poucos dias um Império do Mal. Nem o Imperador Palpatine foi tão rápido.
Agora, o que aconteceria se a polícia metralhasse os traficantes em fuga, o movimento com que tanta gente sonhava e que aparentemente causaria orgasmos de vingança nos apresentadores da tevê cristã que fazia a cobertura?
Belisário, o mais genial general da Antiguidade Tardia, o homem que reconquistou a Itália pro Império Bizantino, que destruiu os poderosíssimos persas partas, sempre com forças numericamente inferiores, certa vez impediu um flanqueamento por estes últimos com uma rápida movimentação estratégica. Tendo construído uma rede de estradas e treinado incessantemente suas forças priorizando sempre a mobilidade, conseguiu alcançar Antioquia antes que os partas, aliados aos sarracenos, lá chegassem, numa manobra de aproximação indireta, atravessando o "intransponível" deserto.

Belisário viveu na Antiguidade Tardia, antes da invenção da perspectiva
Longe de suas bases e com suas linhas de comunicação e suprimentos esgarçada e sob pressão, os persas desistiram de tentar a conquista de Antioquia (o que forçaria uma divisão das forças bizantinas, já que era a segunda cidade mais rica do império) e começaram a recuar de volta para sua terra. Belisário considerava o caso encerrado, mas suas tropas não estavam nem um pouco satisfeitas. O grande e (então) jovem estrategista procurou demonstrar a seus comandados, como conta Sir Basil Liddel Hart em seu livro "Strategy" que "a verdadeira vitória consiste em se obrigar o adversário a abandonar o cumprimento de sua missão, com o mínimo de perdas. Se tal resultado for obtido, não existe necessidade real de vencer batalhas. 'Qual a razão, em consequência, para se querer derrotar um fugitivo?' A tentativa iria criar um risco desnecessário, e um fracasso poderia deixar o império aberto a uma invasão mais perigosa. Não deixar a um exército em retirada um meio de fuga é a maneira mais segura de forçar sua coragem pelo desespero".
Então, o que aconteceria se houvesse o metralhamento dos traficantes? Eles certamente não iriam ficar parados que nem patinhos em estande de tiro, esperando serem derrubados. Iriam reagir e talvez conseguissem novamente derrubar um helicóptero. Qual teria sido o efeito de uma catástrofe como essas na moral de ambos os lados? De fugitivos correndo como baratas assustadas a criaturas perigosíssimas em um pulo. E a reação dos criminosos entrincheirados no Alemão, sabedores de que a única escolha era resistência ou morte? Será que simplesmente iriam fugir se misturando aos moradores ou iriam receber a bala as forças de ocupação? Quantas baixas civis inaceitáveis decorreriam dessa resistência?
Quando finalmente as forças de segurança do Rio conseguem uma vitória tática e estratégica total, com perfeito planejamento do ponto de vista militar, fica um povo exigindo reações irracionais e emocionais por pura vingança. Vingança nunca, NUNCA foi boa conselheira em operações de guerra. Napoleão não planejava suas batalhas dando chutes em mapas e dizendo que ia foder com aqueles filhos da puta todos. Finalmente a inteligência do governo está fazendo jus a seu nome e arriscar-se a sofrer uma derrota tática, ainda que improvável, quando a vitória é total e completa, é uma tolice que levou alguns dos melhores exércitos que o planeta já viu à completa desmoralização e desintegração.
Belisário, por exemplo, para manter o controle sobre suas tropas, a contragosto atacou os persas em retirada e sofreu a única derrota em toda sua longa carreira. Felizmente os partas sofreram também tantas baixas que não tiveram opção a não ser recolherem-se a suas bases. O império ficou aberto a um inimigo que, por sorte, não teve como aproveitar. O Rio de Janeiro não podia se arriscar a tanto.
Não, na verdade, sob este aspecto, a operação foi na verdade um antiquado e pouco criativo ataque frontal, na melhor tradição clausewitziana de concentração de forças, ou seja, "junta todo mundo e vamos dar um pau nesses caras!" Este conceito foi justamente o que foi ultrapassado na blitzkrieg, conforme artigos aqui já postados, mas, apesar de tudo, pode-se dizer que, pelo menos em seu espírito de aproximação indireta, o povo que concatenou a invasão do complexo de favelas baseou-se na guerra-relâmpago dos homônimos do Morro.

Aproximação indireta, defendida no clássico "A Arte da Guerra", de Sun Tzu, com sua versão moderna preconizada por Samuel Fuller, desenvolvida por Sir Basil Liddel Hart e aplicada pela Wermacht na II Guerra, consiste justamente em evitar custosos ataques frontais às posições mais fortes do inimigo. O pensamento militar em voga desde o século XIX era o de aniquilar o exército adversário com um golpe poderoso, buscando-se atingi-lo em seu ponto mais forte para obter uma vitória decisiva. Ataques a posições secundárias seriam perda de tempo, sob este ponto de vista.
Então, quando se fala em "surpresa" na blitzkrieg alemã da II Guerra, não é pra dizer que os nazistas atacavam quando ninguém esperava - pelo contrário, os anglofrancos ficaram esperando desde 1939 o ataque na frente ocidental que só se concretizou em maio de 1940, e sim porque os hunos buscavam os pontos fracos do inimigo, para se infiltrar em suas linhas e desbaratar seus exércitos sem a necessidade de ficar trocando golpes justamente onde o adversário era mais forte e mais baixas poderia causar.
Por exemplo, no fronte ocidental, estando toda a fronteira franco-alemã fortificada com a Linha Maginot, os aliados esperavam que os teutões repetissem o Plano Schlieffen de 1914 e avançassem pela Bélgica. Assim, os anglogauleses mandaram a maior parte de seus exércitos para os Países Baixos, no Norte, e deixaram apenas forças leves para dar apoio aos fortes fronteiriços, no Sul. Entre os dois grupamentos de forças, havia uma florestinha cheia de morrotes, as Ardenas, que os estrategistas do lado de cá julgavam um obstáculo que atrasaria a marcha da infantaria e proibiria o uso de blindados.
Mas para os alemães aquela região era mais ondulada do que intransponível e jogou suas forças blindadas por ali, escoando-as entre os exércitos aliados na Bélgica e os fortes Maginot, passando a menos de 15 quilômetros das fortificações. No entanto, a velocidade dos blindados tornou qualquer reação francesa impraticável e, mesmo com a infantaria vindo bem atrás, foi impossível um contra-ataque de flanco porque os tanques desbaratavam e desorganizavam os quartéis-generais e as forças de infantaria por onde passavam, mesmo que não viesse ninguém imediatamente atrás para ocupar o terreno.
Deixando então os alemães de lado e voltando ao Morro do Alemão, a aproximação indireta usada pelas polícias foi justamente avisar que iria entrar de qualquer jeito e usando blindados, para dar tempo para os traficantes fugirem. Um ataque repentino certamente causaria uma reação instintiva do Movimento e poderia acarretar baixas não só entre os combatentes (a que ponto chegamos) como também entre os civis, justamente o que o governo não queria e que sempre atravancou os planos para se pacificar aquelas imensas comunidades. Trabalhadores mortos às pencas e suas famílias acusando os PMs inviabilizaria qualquer tentativa ulterior de se repetir a operação, desmoralizaria as forças governamentais e aumentaria a aura de invencibilidade dos criminosos.
Da maneira que foi, a vitória foi completa e total. Os traficantes fugiram da Vila Cruzeiro atônitos e atarantados, carregando somente o que podiam levar nas mãos e sem tempo de planejar uma contraofensiva. A invasão do Morro do Alemão em seguida desbaratou completamente suas forças. Sem dinheiro, armamento, contatos, drogas, base de operações e sob contínua pressão, há muito pouca coisa que os traficantes fugitivos possam fazer, a não ser que alguém acredite que eles realmente sejam super-homens, entes com força de vontade e intelecto superiores, capazes de, do nada, construir em poucos dias um Império do Mal. Nem o Imperador Palpatine foi tão rápido.
Agora, o que aconteceria se a polícia metralhasse os traficantes em fuga, o movimento com que tanta gente sonhava e que aparentemente causaria orgasmos de vingança nos apresentadores da tevê cristã que fazia a cobertura?
Belisário, o mais genial general da Antiguidade Tardia, o homem que reconquistou a Itália pro Império Bizantino, que destruiu os poderosíssimos persas partas, sempre com forças numericamente inferiores, certa vez impediu um flanqueamento por estes últimos com uma rápida movimentação estratégica. Tendo construído uma rede de estradas e treinado incessantemente suas forças priorizando sempre a mobilidade, conseguiu alcançar Antioquia antes que os partas, aliados aos sarracenos, lá chegassem, numa manobra de aproximação indireta, atravessando o "intransponível" deserto.

Belisário viveu na Antiguidade Tardia, antes da invenção da perspectiva
Longe de suas bases e com suas linhas de comunicação e suprimentos esgarçada e sob pressão, os persas desistiram de tentar a conquista de Antioquia (o que forçaria uma divisão das forças bizantinas, já que era a segunda cidade mais rica do império) e começaram a recuar de volta para sua terra. Belisário considerava o caso encerrado, mas suas tropas não estavam nem um pouco satisfeitas. O grande e (então) jovem estrategista procurou demonstrar a seus comandados, como conta Sir Basil Liddel Hart em seu livro "Strategy" que "a verdadeira vitória consiste em se obrigar o adversário a abandonar o cumprimento de sua missão, com o mínimo de perdas. Se tal resultado for obtido, não existe necessidade real de vencer batalhas. 'Qual a razão, em consequência, para se querer derrotar um fugitivo?' A tentativa iria criar um risco desnecessário, e um fracasso poderia deixar o império aberto a uma invasão mais perigosa. Não deixar a um exército em retirada um meio de fuga é a maneira mais segura de forçar sua coragem pelo desespero".
Então, o que aconteceria se houvesse o metralhamento dos traficantes? Eles certamente não iriam ficar parados que nem patinhos em estande de tiro, esperando serem derrubados. Iriam reagir e talvez conseguissem novamente derrubar um helicóptero. Qual teria sido o efeito de uma catástrofe como essas na moral de ambos os lados? De fugitivos correndo como baratas assustadas a criaturas perigosíssimas em um pulo. E a reação dos criminosos entrincheirados no Alemão, sabedores de que a única escolha era resistência ou morte? Será que simplesmente iriam fugir se misturando aos moradores ou iriam receber a bala as forças de ocupação? Quantas baixas civis inaceitáveis decorreriam dessa resistência?
Quando finalmente as forças de segurança do Rio conseguem uma vitória tática e estratégica total, com perfeito planejamento do ponto de vista militar, fica um povo exigindo reações irracionais e emocionais por pura vingança. Vingança nunca, NUNCA foi boa conselheira em operações de guerra. Napoleão não planejava suas batalhas dando chutes em mapas e dizendo que ia foder com aqueles filhos da puta todos. Finalmente a inteligência do governo está fazendo jus a seu nome e arriscar-se a sofrer uma derrota tática, ainda que improvável, quando a vitória é total e completa, é uma tolice que levou alguns dos melhores exércitos que o planeta já viu à completa desmoralização e desintegração.
Belisário, por exemplo, para manter o controle sobre suas tropas, a contragosto atacou os persas em retirada e sofreu a única derrota em toda sua longa carreira. Felizmente os partas sofreram também tantas baixas que não tiveram opção a não ser recolherem-se a suas bases. O império ficou aberto a um inimigo que, por sorte, não teve como aproveitar. O Rio de Janeiro não podia se arriscar a tanto.
Navalha de Occam
O campeonato brasileiro acabou e, no Vasco, PC Gusmão, que após bela recuperação tirando o time da zona de rebaixamento e levando-o à beira do G-4 para a Libertadores, teve o cargo ameaçado porque depois dessa bela campanha no final do primeiro turno e início do segundo, teve uma série de empates e derrotas, com muitos - muitos mesmo - adversários anotando seus gols nos últimos cinco minutos de cada partida.
PC fez uma espécie de mea culpa, dizendo que não soube administrar a boa campanha e deixou a equipe relaxar depois que o fantasma do rebaixamento foi afastado. No entanto, uma rápida análise das efemérides do certame nos leva a perceber que o começo da queda do Vasco, por uma incrível coincidência, deu-se quando da estreia de Felipe, Zé Roberto e Eder Luís.
A Navalha de Occam é uma ferramenta lógica. Basicamente diz que, se há várias explicações para um fato, a mais simples é a mais correta. Então que tal descartarmos que a queda de rendimento do Vasco foi mera coincidência? Apesar de medíocres, os garotos e desconhecidos que recuperaram o Vasco, fazendo uma longa sequência de empates fora de casa/vitórias no Rio, eram jovens, precisando ainda se firmar e, portanto, mais dispostos a correr até o fim, mesmo que os salários não estivessem em dia. Felipe, Zé Roberto e, menos, Éder Luís, chegaram fora de forma, ficaram meses sem jogar esperando a janela de transferência e Felipe já está sofrendo os efeitos da idade, que lhe tirou a explosão e seu mais característico drible, jogar a bola na frente e sair correndo atrás depois de fintar o marcador.
Sim, há mais jogadas bonitas, melhor articulação na saída de bola, mas continua a falta de objetividade no ataque e, principalmente, aparece falta de gás no fim dos jogos. Locutores de futebol às vezes parecem não ter jogado nem umas fanáticas peladinhas: todo mundo sabe que as últimas partidas são disputadas sem nenhuma organização, com os caras em melhor forma física parecendo que jogam muito mais só porque conseguem sair correndo e passando por todos os seus marcadores já com a língua de fora e pensando na cervejinha com a galera. Times que desmontam no fim, após correr o tempo todo com um a menos, ou ter chegado de uma longa viagem, ou de ter feito vários jogos, são dados como "demolidos" pelo adversário, mesmo que em 70 minutos tenham sido páreo duríssimo. O inverso também acontece: equipes que sofrem marcação por pressão inclemente, levam dois ou três gols e depois, quando o adversário cansa, equilibram as ações e fazem um ou dois gols, fazem-no por "terem encontrado seu jogo" e não porque seus oponentes cansaram!
É por isso que comentarista esportivo, ao contrário do que acha o Matinas Suzuki Jr., não só tem que ter time, pra acompanhar futebol desde moleque, como também tem que ter jogado muito rachão e, se possível, ainda disputar um casados x recasados ou tarimbados x veteranos de vez em quando. Como em qualquer atividade, é fazendo que se aprende.
PC fez uma espécie de mea culpa, dizendo que não soube administrar a boa campanha e deixou a equipe relaxar depois que o fantasma do rebaixamento foi afastado. No entanto, uma rápida análise das efemérides do certame nos leva a perceber que o começo da queda do Vasco, por uma incrível coincidência, deu-se quando da estreia de Felipe, Zé Roberto e Eder Luís.
A Navalha de Occam é uma ferramenta lógica. Basicamente diz que, se há várias explicações para um fato, a mais simples é a mais correta. Então que tal descartarmos que a queda de rendimento do Vasco foi mera coincidência? Apesar de medíocres, os garotos e desconhecidos que recuperaram o Vasco, fazendo uma longa sequência de empates fora de casa/vitórias no Rio, eram jovens, precisando ainda se firmar e, portanto, mais dispostos a correr até o fim, mesmo que os salários não estivessem em dia. Felipe, Zé Roberto e, menos, Éder Luís, chegaram fora de forma, ficaram meses sem jogar esperando a janela de transferência e Felipe já está sofrendo os efeitos da idade, que lhe tirou a explosão e seu mais característico drible, jogar a bola na frente e sair correndo atrás depois de fintar o marcador.
Sim, há mais jogadas bonitas, melhor articulação na saída de bola, mas continua a falta de objetividade no ataque e, principalmente, aparece falta de gás no fim dos jogos. Locutores de futebol às vezes parecem não ter jogado nem umas fanáticas peladinhas: todo mundo sabe que as últimas partidas são disputadas sem nenhuma organização, com os caras em melhor forma física parecendo que jogam muito mais só porque conseguem sair correndo e passando por todos os seus marcadores já com a língua de fora e pensando na cervejinha com a galera. Times que desmontam no fim, após correr o tempo todo com um a menos, ou ter chegado de uma longa viagem, ou de ter feito vários jogos, são dados como "demolidos" pelo adversário, mesmo que em 70 minutos tenham sido páreo duríssimo. O inverso também acontece: equipes que sofrem marcação por pressão inclemente, levam dois ou três gols e depois, quando o adversário cansa, equilibram as ações e fazem um ou dois gols, fazem-no por "terem encontrado seu jogo" e não porque seus oponentes cansaram!
É por isso que comentarista esportivo, ao contrário do que acha o Matinas Suzuki Jr., não só tem que ter time, pra acompanhar futebol desde moleque, como também tem que ter jogado muito rachão e, se possível, ainda disputar um casados x recasados ou tarimbados x veteranos de vez em quando. Como em qualquer atividade, é fazendo que se aprende.
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novembro 28, 2010
Eu e Suzy no Show do Paul
Filmado com o celular. Estávamos pertinho, na pista VIP. Sorry, periferia...
novembro 27, 2010
Sim, Eu Fui ao Show do Paul

A camisa definitiva dos Beatles


Eu e Suzy e a foto óbvia

Ladies and Gentlemen, Paul McCartney!

Na saída encontramos o Paulinho. Não quis levar minha câmera grande porque os seguranças poderiam implicar que ela era profissional e levei só o celular - tive que me virar com seus 8 megapixels sem zoom, mas deu pra trazer lembranças. E ainda tenho que pegar as fotos e os vídeos da Suzy (o celuba agora grava em alta definição!)
Liberdade, Liberdade
Minha Blusa Nova
Recuerdos de Sampa
Enquanto Isso, Naquela Estranha Cidade ao Sul...
novembro 25, 2010
Plástico de Carro
O mundo é uma bola porque se fosse duas seria um saco (Patricia Evans, minha irmã).
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