janeiro 04, 2012

O Fio Dental Não é Invenção Brasileira

O trecho abaixo é de um filme alemão de 1956, que está completamente disponível no Youtube, aparentemente recolhido de um velho VHS. "Liane, a Donzela das Selvas", mais uma das inúmeras fantasias voyeurísticas derivadas de Tarzan (com uma loooooonga história, basta lembrar Maureen O'Sullivan, no papel de Jane, comentando com Chita que, como teriam visitas, ela (Jane) teria que usar roupas à noite. E o mergulho que ela dá completamente nua (1), cena cortada durante mais de meio século da fita, porque feita antes de instalada a autocensura no cinema americano e só as primeiras exibições a mostraram (2).



Liane, a moça aí em cima, passa boa parte do filme - toda aquela localizada nas selvas - vestindo apenas uma tanguinha fio-dental (não é uma invenção brasileira; inclusive ela usa a versão tupiniquim mesmo, com o triângulo de pano puxado pra cima pra expor as nádegas, não a europeia, que é só um barbantinho e não tem triângulo). Isso mesmo, ela não usa nada pra cobrir os seios, exceto seus cabelos louros, que não estão, como os de Brooke Shields em Lagoa Azul, colados ao corpo com cola mesmo, para evitar mostrar algo que não se devia.

O interessante é que o filme é de 1956 e era censura livre. A atriz tinha 16 anos na época, o que hoje acarretaria cadeia pra todo mundo. Só o fato de ter sido filmado em cores, dada a situação do cinema europeu na época, indica que é uma fita de bom orçamento e não um lançamento marginal pura e exclusivamente para faturar em cima de fetichismo (talvez eu devesse repensar esta última sentença). Curiosamente, as cenas de nudez de "Monika e o Desejo", de Ingmar Bergman, em preto e branco, dois anos antes, num longa muito mais sério e pretensioso do que este, desencadearam a ideia mundial de que a Suécia era a capital da putaria (quem viveu nos anos de censura onde o nu frontal era proibido lembra das famosas "revistinhas de sacanagem suecas"; o filme "Vai Trabalhar, Vagabundo" tem um personagem que vive desse contrabando). No entanto, os pequenos e adolescentes seios da Marion Michael não parecem ter causado tanta comoção internacional. Provavelmente porque a produção não era do tipo que o circuito de arte americano iria exibir e a farta exibição de pele e órgãos sexuais secundários impediria seu lançamento em circuito comercial.

O filme teria duas continuações (não consegui descobrir se tão generosamente explícitas), uma delas com o astro Hardy Kruger (que fez carradas de nazistas e estrangeiros em Hollywood). A adolescente exibicionista previsivelmente teve crises de depressão nos seus vinte e poucos anos quando sua carreira não decolou. Não devia ser fácil ser conhecida como a garota dos peitos de fora nos meios artísticos dos anos 50 e 60.

Pra quem tiver paciência e quiser ver o filme inteiro:



(1) Pra quem não viu "A Companheira de Tarzan", abaixo a cena, de 1932. Coerente com o que antes comentara com Chita, a primeira coisa que Jane faz ao voltar do encontro com as visitas é se livrar das roupas - Tarzan dá uma ajudinha. Foram sequências como essa que levaram a protestos e ao Código Hays, um escritório americano de autocensura dos estúdios cinematográficos. Nenhum filme produzido por eles podia ser lançado sem essa aprovação.



Aliás, não é Maureen O'Sullivan, a mão de Mia Farrow, que vemos nua na cena, mas sim a nadadora e medalhista olímpica Josephine McKim. Como Weissmuller, o Tarzan, também era ex-medalhista olímpico, parece que filmes de selva eram reserva de mercado desse povo. Também chama a atenção que a moça de 24 anos tivesse que partir para se mostrar nua - o que na época devia ser muito menos tolerado do que hoje - pra se sustentar, dado o amadorismo do esporte da época.

(2) Hugh Heffner diz que a cena foi importantíssima pra sua vida, pois a naturalidade da nudez do casal causou-lhe uma epifania que o levaria a lançar a Playboy. Hef também se autointitula o grande arauto da Revolução Sexual, enquanto seus críticos dizem que na verdade ele é o criador do machismo típico do início dos anos 60.

Mutantes

dezembro 30, 2011

O Médico e o Monstro (1941), com Ingrid Bergman e Lana Turner

Onde Hollywood contratava seus censores? Ou eles nem sequer tinham ideia do que significava a palavra "perversão"?



A expressão de êxtase da Ingrid Bergman sendo chicoteada nua é impagável.

dezembro 29, 2011

Berserkers (Final)


Tão psicologicamente importantes eram os berserkers que todas as expedições vikings levavam um destacamento deles, para serem desenvolvidos nos momentos mais importantes da batalha. Obviamente, fora da guerra, eles não eram tão adorados assim. Embora respeitados e muitas vezes valorizados pelos aristocratas, eram temidos e odiados pelos camponeses e costumavam ter poucos amigos, justamente por seu comportamento antissocial. Afinal de contas, muitos deles eram escolhidos entre crianças e adolescentes agressivos e com o que hoje chamaríamos de tendências sociopatas. Mesmo assim, pesquisadores modernos acharam pouco psicopatia para justificar o seu desempenho em combate e nos anos 1960 teorizaram que o uso de drogas (principalmente o cogumelo Fly acaris, consumido pelos xamãs da Lapônia) ou de álcool, era a explicação para aquilo que hoja chamaríamos de "atitude".

Entretanto, experiências com voluntários demonstraram o contrário, que pessoas sob o efeito de narcóticos não dão bons soldados. Obviamente, sendo pesquisadores, eles provavelmente eram nerds que nunca tinham tomado uma bebedeira nem ido a um festival de rock, ou teriam chegado à essa conclusão sozinhos. Woodstock, por exemplo, não se notabilizou por guerreiros alucinados correndo de um lado para o outro urrando apavorantemente. Essas coisas aconteceram só no palco.

Falaremos mais sobre os berserkers em outra ocasião. Por enquanto, fiquem com o vídeo abaixo, do ótimo programa Conquista, que fez durante muito tempo parte da grade do History Channel antes que ela fosse tomada por shows sobre pescaria e excursionistas que não levaram provisões. Peter Woodward e sua equipe de dublês ensinam as táticas para o uso do machado e o anfitrião demonstra a técnica dos berserkers a 1m15s. Mesmo que você não fale inglês, fica muito claro o que ele quer esclarecer, provando que o instinto de sobrevivência dos inimigos dos vikings alucinados podia fazer um homem desprotegido e mal armado botar um pelotão inteiro de armadura escudo para correr.

Debra Paget

Pros voyeurs de plantão, uma dica: o filme Sepulcro Indiano, de Fritz Lang. O modelito acima é usado por Debra Paget na cena em que ela tem que encantar uma cobra (sutil!!!!!!). Paget, uma das muitas impiedosamente belíssimas atrizes de Hollywood dos anos 50, fez olhos a seguirem avidamente aos 17 anos como a esposinha apache de James Stewart no primeiro bangue-bangue pró-índios do cinemão americano, Flechas de Fogo.

Qualquer um vira pró-índio pra pegar esta apache

Nascida em 1933, com apenas 22 aninhos fez o papel mais conhecido de sua carreira, Lilia, a aguadeira de Os Dez Mandamentos, a obra-prima surreal de Cecil B. de Mille. Onde, seguindo a cartilha do veterano diretor sobre como mostrar temas piedosos, ela teve a oportunidade de mais uma vez vestir o mínimo que a censura da época exigia.

Pede água, vai...

Em 1955 a Fox rescindiu o seu contrato depois de divergências trabalhistas e a moça resolveu se mandar pra Europa pra trabalhar com o conceituadíssimo Fritz Lang, na refilmagem de Sepulcro Indiano, uma historinha com ritmo de seriado de cinema mudo. Paget fazia uma espécie de sacerdotisa da cobra (não pesquei a metáfora) e tinha que mantê-la domada vestindo isso aí embaixo enquanto dançava selvagemente. Obviamente a cena foi cortada quando passou nos Estados Unidos.


Debra Paget fez vários outros filmes, esquecíveis em sua maioria, sempre como a nativa belíssima ou a beldade exótica (não posso imaginar o motivo). Ao contrário de outras titãs da beleza da época (Veronica Lake, Gene Tierney) com problemas com os estúdios, ela não acabou seus dias bêbada ou esquizofrênica. Em 1964 casou-se com um magnata do petróleo, depois de um matrimônio de 22 dias com o diretor macho Budd Boetticher, e nunca mais teve que se preocupar com dinheiro. A moça ainda está viva e bem, embora, obviamente, não tão bem quanto nas fotos acima.

dezembro 26, 2011

Natal na Minha Mãe










Wide Receivers Voadores

Pra quem reclama que futebol americano é só um jogo abrutalhado:



Na boa, eu achava que isso só existisse em filme de kung-fu com filmagem ao contrário, filme americano com arame apagado digitalmente ou filme de chineses voadores. Inacreditável. E olha que o sujeito não só quase não pegou impulso como pulou por sobre um vivente alto! E ainda caiu de pé!

dezembro 24, 2011

Quando a Velocidade da Luz é Muito Lenta

Publicado originalmente no blogue de história da editora Record, por mim editado.

Está vendo esses efeitos luminosos aí em cima? Não é uma lanterna colorida ou um laser especial. Na verdade, são fótons capturados em pleno movimento. Sim, isso mesmo, a imagem está mostrando a frente de  onda de uma onda luminosa congelada no tempo. A velocidade da luz não é mais tão rápida assim!

É claro que não foi usada nenhuma câmera digital de bolso e, apesar do que os applemaníacos possam alegar, tampouco a de um iPhone 4s. O artefato que capturou essas imagens foi desenvolvido (onde mais?) no MIT, o Massachussets Institute of Technology, o lendário lar da tecnologia e dos nerds.

O método usado foi batizado como "Femtografia". O tempo de exposição de cada quadro é de dois trilionésimos de segundo e a câmera roda a uma velocidade de meio trilhão de fotogramas por segundo. Contra esses números nem mesmo os ariscos fótons conseguem botar vantagem. Onde está seu bóson de Higgs agora, ó velocidade da luz?



É claro que com uma exposição de dois trilionésimos de segundo não existe luz forte o suficiente para impressionar filme ou sensor sobre a face da Terra, por isso os nerdscientistas desenvolveram um método que usa lasers especiais e modelos de reconstrução matemática no computador para obter a imagem. Eis aqui uma rápida explicação dos inventores, tirada do saite do MIT, traduzida do élfico:

Nossa fonte de luz é um laser Titanium Sapphire que emite pulsações em intervalos regulares a cada ~13 nanossegundos. Estas pulsações iluminam a cena, e também ativam nosso tubo com precisão de picossegundos, que captura a luz devolvida pela cena. A câmera tem um campo de visão razoável na horizontal, mas bem limitado na dimensão vertical (equivalente a uma linha de varredura).

Se você quiser mais detalhes, pode checar aqui o saite do MIT sobre o processo. Ou então simplesmente curtir LUZ ANDANDO EM CÂMERA HIPERLENTA!!!!!



O que tem isto a ver com história? Além de que ela está sendo feita? Pense bem, seguindo esta linha daqui a pouco estaremos filmando tão rápido que poderemos filmar o passado!!!! (ou talvez não).

via Wired

Feliz Natal para Todos

dezembro 22, 2011

dezembro 21, 2011


Meu novo brinquedinho, uma câmera submarina, captura cocorocas, carapicus e baiacus tentando lutar contra a corrente.

Como Reconhecer um Comunista!


Seu país, seu governo, até sua família podem depender de suas habilidades em reconhecer um perigoso comunista! Este filmete educacional dá as dicas para fazê-lo. Embora narrado em inglês, parece ter sido feito em Portugal, pois os detalhes comprometedores que podem entregar o comunismo de alguém são:

- ler interessado um jornal comunista;
- frequentar reuniões de comunistas;
- fazer comícios comunistas;
- DECLARAR-SE COMUNISTA!

Embora, é claro, haja "aqueles que são mais sub-reptícios". Curiosamente, ao que parece, uma das maneiras de se reconhecer um comunista é se ele fizer uma PASSEATA CONTRA A KU KLUX KLAN!!!!

Nem Sempre Você Consegue o que Quer - com os Velhinhos do Reggae



E aqui com sua versão de "Blue Monday", do New Order:

dezembro 16, 2011

Tatuagens para Pedófilos com.Fixações em Mangás

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Blue Thunder

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dezembro 15, 2011

Berserkers (Parte I)

Guerra é um assunto fascinante, mas ir para uma guerra de verdade é inegavelmente uma roubada. A principal preocupação do soldado normalmente é voltar inteiro para casa. Tão avassalador é este instinto de autopreservação que estudos feitos por militares chegaram à conclusão que uma parcela considerável de infantes nunca dispara sua arma contra os inimigos - devido a um medo subconsciente de uma retaliação à altura. Boa parte daquele treinamento durão militar que a gente vê em filmes é justamente para despertar a agressividade dos recrutas. O exército americano, por exemplo, conta com diversos exercícios para garantir que seus integrantes percam o medo de atirar contra outros viventes. Justamente por esta vontade de sobreviver, os guerreiros suicidas nos fascinam tanto. Sejam eles kamikazes, líderes de revoluções, homens-bomba ou os berserkers, aqueles sujeitos que partem para a batalha sem se preocupar com dia de amanhã contrariam toda a programação genética de sobrevivência a qualquer custo e, mais do que fanatismo, exibem uma disciplina (ou, no caso dos berserkers, INdisciplina) mental impressionante.

Quando eu morrer, não quero choro nem vela, quero uma fita amarela, gravada com o nome dela

Os berserkers eram guerreiros tão incontroláveis que até hoje a palavra é usada em inglês como sinômino para criaturas acometidas de fúria cega. Desprezavam armaduras e escudos, às vezes até nus, e tinham como arma de preferência o machado, completamente imprestável para defesa (embora inegavelmente apavorante no ataque). E partiam para cima do inimigo urrando e correndo como o Edmundo nos anos 90. A visão daquele vivente completamente despreocupado em se proteger deixava claro que ele não se importava em ser ferido, estocado ou morto, mas que levaria junto quem o atingisse. Como os outros soldados se preocupavam, eles sim, em voltar para casa, a prometida morte certa para quem engajasse aqueles celerados em combate acabava fazendo pelotões inteiros fugir de um único daqueles guerreiros ululantes (continua...)

dezembro 11, 2011

Miriam Makeba e Sivuca apresentam "Chove Chuva"



Gravado no Berns, Estocolmo em 1966
Violão: Sivuca
Bateria: Leopoldo Fleming Jr
Baixo: William Salter