dezembro 09, 2011
dezembro 08, 2011
Os Três Patetas Estão de Volta... E Não Estão Contentes!!!!!!!
Como é que ninguém nunca tinha pensado em refilmar OS TRÊS PATETAS antes? Sorte dos irmãos Farrely (famosos por seu humor pouco sutil em fitas como "Quem Vai Ficar com Mary?" e "Eu, Eu Mesmo e Irene"). Os nostálgicos vão chorar de emoção com o trailer que já está rolando na internet:
Sensacional, a cara dos filmes deles mesmo. Pena que o elenco original acabou desistindo pelos mais diversos motivos e o único comediante conhecido é o Sean Hayes. Sim, conhecido em termos, ele era o amigo muito gay do Will em "Will & Grace". Jim Carrey, chapa dos Farrely, pretendia fazer o Curly e até ganhar peso pro papel em vez de aplicar maquiagem, mas pulou fora por motivos pouco claros. Benício del Toro, que iria fazer o Moe, também acabou saindo. E Sean Penn, que estava animadíssimo pra fazer o Larry, alegou problemas familiares e pessoais - na boa, se eu levasse um pé na bunda de uma Scarlet Johansson trinta anos mais nova, também ficaria completamente sem cabeça pra ficar fazendo piadinha idiota de levar cacetada na cabeça.
Por falar em cacetada na cabeça, tanto o Larry quanto o Curly morreram de comoção cerebral. As famílias deles negam que tenha sido de tanto levar pancada nos filmetes, mas é estranho que só o Moe tenha escapado a este destino.
P. S.: Pior ainda, a Scarlet Johansson largou o Penn e foi dar pro del Toro bêbada num elevador na saída de uma festa do Oscar. Não ia dar pros dois trabalhar juntos mesmo...
Sensacional, a cara dos filmes deles mesmo. Pena que o elenco original acabou desistindo pelos mais diversos motivos e o único comediante conhecido é o Sean Hayes. Sim, conhecido em termos, ele era o amigo muito gay do Will em "Will & Grace". Jim Carrey, chapa dos Farrely, pretendia fazer o Curly e até ganhar peso pro papel em vez de aplicar maquiagem, mas pulou fora por motivos pouco claros. Benício del Toro, que iria fazer o Moe, também acabou saindo. E Sean Penn, que estava animadíssimo pra fazer o Larry, alegou problemas familiares e pessoais - na boa, se eu levasse um pé na bunda de uma Scarlet Johansson trinta anos mais nova, também ficaria completamente sem cabeça pra ficar fazendo piadinha idiota de levar cacetada na cabeça.
Por falar em cacetada na cabeça, tanto o Larry quanto o Curly morreram de comoção cerebral. As famílias deles negam que tenha sido de tanto levar pancada nos filmetes, mas é estranho que só o Moe tenha escapado a este destino.
P. S.: Pior ainda, a Scarlet Johansson largou o Penn e foi dar pro del Toro bêbada num elevador na saída de uma festa do Oscar. Não ia dar pros dois trabalhar juntos mesmo...
dezembro 03, 2011
Esquete
Um dos esquetes que escrevi em 2002 para as Basqueteiras. Este não entrou no show.
duas modelos e atrizes percorrem uma boate. fotógrafos (no caso desta troupe, fotógrafas) disparam seus flashes ao redor. as duas vão conversando.
ailime
Olha só... aquela não é a Monique Gamboa?
daniela
Acho que sim... nossa, ela ainda tem coragem de vir nesses eventos... deve ter duzentos anos...
ailime
Dizem que ela foi trocar o silicone das mamas, quando tiraram a prótese antiga, encontraram um mosquito e a partir do sangue que ele sugou, vão reviver um monte de animais antigos...
daniela
Ah, é verdade, eu ouvi... Virgínia Lane, Odete Lara, Norma Bengell, Monique Lafond, Vera Gimenez, Rose di Primo, Odile Rubirosa...
ailime
É... vai ser o Jararac Park... Parque das Jararacas...
daniela
Olha, lá vem ela...
entra monique. Daniela e ailime tornam-se subitamente extremamente solícitas.
daniela
Oi, Monique, meu amor, tudo bem com você?
ailime
Você tá maravilhosa, meu amor!
monique
(COM MUITO DESPREZO) Quem são vocês e por que vocês estão falando comigo?
daniela
Olha o fotógrafo, olha o fotógrafo!
entra uma fotógrafa, com sua - dã - câmera.
fotógrafa
Monique, uma pose!
daniela e ailime agarram-se a monique e sorriem para aparecer na foto.
monique
Soltem-me! Vocês estão sugando minha força vital!
o flash dispara.
fotógrafa
Obrigada.
monique
Salve-me... eu estou... estou...
monique sai cambaleando de cena, quando daniela e ailime a largam.
daniela
Você acha que vamos sair bem na foto?
ailime
Devíamos ter mostrado os peitos.
daniela
Eu estava com as mãos ocupadas, segurando-a pra evitar que ela fugisse.
ailime
É, ela tenta e tenta fugir, mas o tempo sempre acaba pegando ela.
aparece uma fotógrafa de costas para as duas, tirando fotos de alguma coisa.
DANIELA
Olha lá, outra máquina fotográfica!
as duas aproximam-se ameaçadoramente da fotógrafa, mas esta vira-se e vê as duas.
fotógrafa
Boa noite. Eu sou do site Mulher na Noite. Poderia fotografar vocês?
daniela
Claro.
fotógrafa
Vocês poderiam mostrar os peitos? Pra ter mais acessos, sabe...
ailime
Claro...
de costas para o público, as duas levantam os tops (ou abaixam os vestidos), enquanto o fotógrafo dispara seu flash.
fotógrafa
Obrigada... (PEGA UM BLOCO DE ANOTAÇÕES) Qual o nome de vocês?
antes que ailime possa falar, daniela toma-lhe a frente.
daniela
Minha amiga se chama Priscila e eu...
ailime
(INTERROMPE A AMIGA) Ela se chama Rodriga.
fotógrafa
(DESCONCERTADA) Rodriga?
ailime
(TENTANDO CONSERTAR) Tiaga?
daniela
Não é nada disso!
ailime
É Serena.
fotógrafa
(ANOTANDO) Serena e Priscila... Obrigada (VAI)
daniela
Você é tão espirituosa, Ailime.
ailime
Ah, Daniela, você é que sempre tem uma brincadeira na ponta da língua...
entra uma mulher com um olhar psicopata, parecendo uma morta-viva, cabelos desgrenhados, profundas olheiras, cara de maluca, carregando um facão e tartamudeando.
daniela
Ei... olha lá! Aquela não é a Fera da Penha?
ailime
Acho que é...
daniela
Vamos lá conversar com ela...
ailime
Mas, Daniela, ela é uma assassina psicopata que está sendo julgada por matar vinte e oito pessoas...
daniela
Justamente! Ela está toda hora na tevê! Outro dia foi até convidada pra aparecer na mesa-redonda da Copa do Mundo pra dizer se queria Romário na seleção...
ailime
É mesmo? E o que aconteceu?
daniela
Edmundo se apaixonou por ela. Disse que tinha achado uma alma gêmea. Vamos lá!
as modetes se juntam à fera da penha.
daniela
Fera, seu vestido está animal.
ailime
Aposto que você bota pra quebrar na night...
fera da penha
Romário... Romário...
daniela
Ah, ele não tem aparecido aqui muito, não... ele ficou puto que veio aqui, uma menina jogou um pozinho na bebida dele...
ailime
Viagra.
daniela
Ele agora tá com dezoito processos de pensão alimentícia em cima.
ailime
Pena que aquela noite a gente não pôde vir...
daniela
É, a gente não estava no período fértil.
fera da penha
Romário... Romário...
daniela
Ih, mulher, esquece esse cara... esse cara tá out... nem vai pra Copa do Mundo.
fera da penha
(BRANDINDO A FACA) Matar... matar...
ailime
Isso, você tá pegando o espírito da coisa. In agora é o Ronaldinho Gaúcho.
uma fotógrafa aparece correndo.
fotógrafa
Essa com vocês não é a Fera da Penha?
daniela
A própria.
ailime
A gente é amiga desde a infância...
daniela
(DISPUTANDO COM A AMIGA) Desde pequenininha!
ailime
Eu fui a primeira pessoa que ela matou!
daniela
É, mas naquela época ela nem sabia matar direito, tanto que você ainda tá viva.
ailime
Ah, mas foi inesquecível. Foi com muita inocência. Muito amor.
fotógrafa
Eu sou da revista Maluco Beleza. Vocês poderiam mostrar os peitos?
fera da penha
Matar... Matar... (BRANDE A FACA)
daniela
A gente mostra, a gente mostra.
elas mostram de novo os peitos, o fotógrafo bate a foto . o flash assusta a fera da penha, que se encolhe assustada, gritando.
fotógrafa
Algum problema?
daniela
Ela é tímida.
fera da penha
A luz... a luz quer que eu mate... matar... matar... (MESMO ENCOLHIDA, ESTICA O BRAÇO E BRANDE A FACA ÀS CEGAS)
ailime
Muito moderno, né? Precisa ver os piercings dela.
daniela
Onde que você viu os piercings dela?
ailime
Quando ela me matou, ora!
fotógrafa
Obrigada, moças... (SAI)
daniela
Ele nem perguntou o nome...
ailime
Vai botar Fera da Penha e amigas.
daniela
Você acha que dá pelo menos uma capa da Sexy, "As amigas da Fera da Penha"?
ailime
Só se ela for pelo menos pr'um Casa dos Artistas.
daniela
Ela foi pro último e o programa acabou em dois dias, ela matou todo mundo.
ailime
Puxa, o Ricardo Macchi, a Tiazinha e a Feiticeira estavam vivos?
aparece outra fotógrafa.
fotógrafa
Boa noite... eu sou da revista Casas & Jardins. A nossa circulação caiu muito, por isso será que dava pra vocês mostrarem os peitos?
daniela
Você quer fotografar a gente e não a Fera da Penha?
ailime
Puxa... você nos emocionou.
daniela
Claro que mostramos!
a fotógrafa dispara o flash.
fotógrafa
Obrigada
daniela
De nada!
ailime
Volte sempre!
daniela
Ei, olha lá, a Monique Gamboa está voltando.
ailime
Deve ter visto a gente com a Fera da Penha e quer tirar uma casquinha...
daniela
Ela não tem vergonha mesmo! Dizem que a maldição do faraó era ter que pagar a pensão alimentícia dela.
ailime
É, dizem também que na tumba do Tutankhamon estavam as múmias do Tutankhamon, dos animais de estimação dele e a do cabaço dela.
fera da penha
Matar... matar! (BRANDE A FACA)
daniela
E você, pára com isso! Tá parecendo a Vera Fischer antes do tratamento!
chega monique gamboa.
monique
Mas vocês estão lindas! Maravilhosas! Matadoras!
fera da penha
Matar! Matar!
monique
Nossa, Vera, tá com essa saudade toda do Felipe Camargo?
ailime
Ela não é a Vera. É a Fera. A Fera da Penha.
monique
Fera da Penha? Aquela da Casa dos Artistas que durou dois dias? Nossa, mas você está maravilhosa...
ailime
Você não nos conhece, Monique.
monique
Claro que conheço. Eu sei quem vocês são. Vocês são como eu, no início de carreira. Mas vocês nunca chegarão aonde eu cheguei porque eu sou Monique Gamboa! Com a idade de vocês eu já era capa da Fon-Fon, da Careta, do Pasquim e do Semanário Turístico de São Paulo, Capital.
ailime
Semanário turístico de São Paulo, capital?
monique
Foi uma vida dura. Vocês não, vocês têm apenas a Fera da Penha! Onde pensam que chegarão assim? De onde vocês já foram capa? Aposto que nem de bula de remédio!
daniela
Então o que você está fazendo aqui, conosco e a Fera da Penha?
monique
Ora, eu rio de vocês! Rio! (CHORA)
ailime
Ela está me assustando. Pare com isso, pare!
daniela
(ASSUSTADA) Por que você está chorando?
monique
Chorando? Droga, por isso que eu nunca consegui ser atriz.
daniela
Você não nos impressiona.
ailime
Mas assusta um bocado.
entra uma fotógrafa.
fotógrafa
Com licença, eu...
antes que ele possa terminar a frase, monique e as duas viram-se para ela, mostram os peitos e sorriem. a fotógrafa dispara o flash meio no susto e sai, atordoada. A fera da penha enlouquece com o flash.
fera da penha
Matar! Matar!
monique
Gente, pára com isso! Tá parecendo a Narcisa Tamborindeguy... ei, o que você vai fazer com...
a fera da penha esfaqueia monique, que agoniza muito canastrã.
monique
Oh, ela está me matando... sinto minhas forças se esvaírem...
daniela
Péssimo, péssimo.
ailime
Acho melhor a gente fazer de novo...
monique
Eu sinto... só ter uma vida a dar pela arte... (CAI) Eu... eu estou indo! (LEVANTA E SALTITA) Eu estou indo para um mundo melhor!
daniela
Não, é pra ficar deitada! Você tá morrendo! Morrendo!
monique
Mesmo?
ailime
Claro.
monique
Tá bom... (DEITA DE LADO) Oh, eu morro. E agora?
daniela
Morre, mulher.
monique
Eu estou fazendo o meu melhor.
daniela
Pense que você tem a idade que você realmente tem e não a que aparenta.
monique
Bluãugh! Meu coração! (MORRE, FICA DEITADA DE LADO)
ailime
A Fera da Penha matou ela.
daniela
É, coisa tão óbvia.
ailime
Out pacas.
fera da penha
Hm?
DANIELA
É isso mesmo que você tá ouvindo.
ailime
Você não está mais por cima, Fera da Penha. Você é papo antigo.
daniela
Pois é, dizem até que nem vão poder julgar você pelos assassinatos na Casa dos Artistas porque não tem testemunha... ninguém viu.
fera da penha
Mas, mas...
ailime
Inclusive, ouvi dizer que na próxima convocação, o Felipão vai chamar é o Maníaco do Parque.
daniela
É, vamos nessa, Ailime...
as duas saem. A fera da penha olha para o corpo morto e, assustada, vai atrás das duas.
fera da penha
Não... não... Fera da Penha ainda ser quente... Fera da Penha ainda vender revista... (SAI)
DANIELA
(OFF) Só se for de porta em porta...
monique gamboa fica estirada no chão. Entra uma fotógrafa.
fotógrafa
Com licença... eu sou da revista Múmias & Cadáveres. Você poderia mostrar os peitos ?
monique, que está de lado, com o braço de cima abre sua blusa. A fotógrafa clica e sai.
fotógrafa
Obrigada.
monique
O nome é Monique.
duas modelos e atrizes percorrem uma boate. fotógrafos (no caso desta troupe, fotógrafas) disparam seus flashes ao redor. as duas vão conversando.
ailime
Olha só... aquela não é a Monique Gamboa?
daniela
Acho que sim... nossa, ela ainda tem coragem de vir nesses eventos... deve ter duzentos anos...
ailime
Dizem que ela foi trocar o silicone das mamas, quando tiraram a prótese antiga, encontraram um mosquito e a partir do sangue que ele sugou, vão reviver um monte de animais antigos...
daniela
Ah, é verdade, eu ouvi... Virgínia Lane, Odete Lara, Norma Bengell, Monique Lafond, Vera Gimenez, Rose di Primo, Odile Rubirosa...
ailime
É... vai ser o Jararac Park... Parque das Jararacas...
daniela
Olha, lá vem ela...
entra monique. Daniela e ailime tornam-se subitamente extremamente solícitas.
daniela
Oi, Monique, meu amor, tudo bem com você?
ailime
Você tá maravilhosa, meu amor!
monique
(COM MUITO DESPREZO) Quem são vocês e por que vocês estão falando comigo?
daniela
Olha o fotógrafo, olha o fotógrafo!
entra uma fotógrafa, com sua - dã - câmera.
fotógrafa
Monique, uma pose!
daniela e ailime agarram-se a monique e sorriem para aparecer na foto.
monique
Soltem-me! Vocês estão sugando minha força vital!
o flash dispara.
fotógrafa
Obrigada.
monique
Salve-me... eu estou... estou...
monique sai cambaleando de cena, quando daniela e ailime a largam.
daniela
Você acha que vamos sair bem na foto?
ailime
Devíamos ter mostrado os peitos.
daniela
Eu estava com as mãos ocupadas, segurando-a pra evitar que ela fugisse.
ailime
É, ela tenta e tenta fugir, mas o tempo sempre acaba pegando ela.
aparece uma fotógrafa de costas para as duas, tirando fotos de alguma coisa.
DANIELA
Olha lá, outra máquina fotográfica!
as duas aproximam-se ameaçadoramente da fotógrafa, mas esta vira-se e vê as duas.
fotógrafa
Boa noite. Eu sou do site Mulher na Noite. Poderia fotografar vocês?
daniela
Claro.
fotógrafa
Vocês poderiam mostrar os peitos? Pra ter mais acessos, sabe...
ailime
Claro...
de costas para o público, as duas levantam os tops (ou abaixam os vestidos), enquanto o fotógrafo dispara seu flash.
fotógrafa
Obrigada... (PEGA UM BLOCO DE ANOTAÇÕES) Qual o nome de vocês?
antes que ailime possa falar, daniela toma-lhe a frente.
daniela
Minha amiga se chama Priscila e eu...
ailime
(INTERROMPE A AMIGA) Ela se chama Rodriga.
fotógrafa
(DESCONCERTADA) Rodriga?
ailime
(TENTANDO CONSERTAR) Tiaga?
daniela
Não é nada disso!
ailime
É Serena.
fotógrafa
(ANOTANDO) Serena e Priscila... Obrigada (VAI)
daniela
Você é tão espirituosa, Ailime.
ailime
Ah, Daniela, você é que sempre tem uma brincadeira na ponta da língua...
entra uma mulher com um olhar psicopata, parecendo uma morta-viva, cabelos desgrenhados, profundas olheiras, cara de maluca, carregando um facão e tartamudeando.
daniela
Ei... olha lá! Aquela não é a Fera da Penha?
ailime
Acho que é...
daniela
Vamos lá conversar com ela...
ailime
Mas, Daniela, ela é uma assassina psicopata que está sendo julgada por matar vinte e oito pessoas...
daniela
Justamente! Ela está toda hora na tevê! Outro dia foi até convidada pra aparecer na mesa-redonda da Copa do Mundo pra dizer se queria Romário na seleção...
ailime
É mesmo? E o que aconteceu?
daniela
Edmundo se apaixonou por ela. Disse que tinha achado uma alma gêmea. Vamos lá!
as modetes se juntam à fera da penha.
daniela
Fera, seu vestido está animal.
ailime
Aposto que você bota pra quebrar na night...
fera da penha
Romário... Romário...
daniela
Ah, ele não tem aparecido aqui muito, não... ele ficou puto que veio aqui, uma menina jogou um pozinho na bebida dele...
ailime
Viagra.
daniela
Ele agora tá com dezoito processos de pensão alimentícia em cima.
ailime
Pena que aquela noite a gente não pôde vir...
daniela
É, a gente não estava no período fértil.
fera da penha
Romário... Romário...
daniela
Ih, mulher, esquece esse cara... esse cara tá out... nem vai pra Copa do Mundo.
fera da penha
(BRANDINDO A FACA) Matar... matar...
ailime
Isso, você tá pegando o espírito da coisa. In agora é o Ronaldinho Gaúcho.
uma fotógrafa aparece correndo.
fotógrafa
Essa com vocês não é a Fera da Penha?
daniela
A própria.
ailime
A gente é amiga desde a infância...
daniela
(DISPUTANDO COM A AMIGA) Desde pequenininha!
ailime
Eu fui a primeira pessoa que ela matou!
daniela
É, mas naquela época ela nem sabia matar direito, tanto que você ainda tá viva.
ailime
Ah, mas foi inesquecível. Foi com muita inocência. Muito amor.
fotógrafa
Eu sou da revista Maluco Beleza. Vocês poderiam mostrar os peitos?
fera da penha
Matar... Matar... (BRANDE A FACA)
daniela
A gente mostra, a gente mostra.
elas mostram de novo os peitos, o fotógrafo bate a foto . o flash assusta a fera da penha, que se encolhe assustada, gritando.
fotógrafa
Algum problema?
daniela
Ela é tímida.
fera da penha
A luz... a luz quer que eu mate... matar... matar... (MESMO ENCOLHIDA, ESTICA O BRAÇO E BRANDE A FACA ÀS CEGAS)
ailime
Muito moderno, né? Precisa ver os piercings dela.
daniela
Onde que você viu os piercings dela?
ailime
Quando ela me matou, ora!
fotógrafa
Obrigada, moças... (SAI)
daniela
Ele nem perguntou o nome...
ailime
Vai botar Fera da Penha e amigas.
daniela
Você acha que dá pelo menos uma capa da Sexy, "As amigas da Fera da Penha"?
ailime
Só se ela for pelo menos pr'um Casa dos Artistas.
daniela
Ela foi pro último e o programa acabou em dois dias, ela matou todo mundo.
ailime
Puxa, o Ricardo Macchi, a Tiazinha e a Feiticeira estavam vivos?
aparece outra fotógrafa.
fotógrafa
Boa noite... eu sou da revista Casas & Jardins. A nossa circulação caiu muito, por isso será que dava pra vocês mostrarem os peitos?
daniela
Você quer fotografar a gente e não a Fera da Penha?
ailime
Puxa... você nos emocionou.
daniela
Claro que mostramos!
a fotógrafa dispara o flash.
fotógrafa
Obrigada
daniela
De nada!
ailime
Volte sempre!
daniela
Ei, olha lá, a Monique Gamboa está voltando.
ailime
Deve ter visto a gente com a Fera da Penha e quer tirar uma casquinha...
daniela
Ela não tem vergonha mesmo! Dizem que a maldição do faraó era ter que pagar a pensão alimentícia dela.
ailime
É, dizem também que na tumba do Tutankhamon estavam as múmias do Tutankhamon, dos animais de estimação dele e a do cabaço dela.
fera da penha
Matar... matar! (BRANDE A FACA)
daniela
E você, pára com isso! Tá parecendo a Vera Fischer antes do tratamento!
chega monique gamboa.
monique
Mas vocês estão lindas! Maravilhosas! Matadoras!
fera da penha
Matar! Matar!
monique
Nossa, Vera, tá com essa saudade toda do Felipe Camargo?
ailime
Ela não é a Vera. É a Fera. A Fera da Penha.
monique
Fera da Penha? Aquela da Casa dos Artistas que durou dois dias? Nossa, mas você está maravilhosa...
ailime
Você não nos conhece, Monique.
monique
Claro que conheço. Eu sei quem vocês são. Vocês são como eu, no início de carreira. Mas vocês nunca chegarão aonde eu cheguei porque eu sou Monique Gamboa! Com a idade de vocês eu já era capa da Fon-Fon, da Careta, do Pasquim e do Semanário Turístico de São Paulo, Capital.
ailime
Semanário turístico de São Paulo, capital?
monique
Foi uma vida dura. Vocês não, vocês têm apenas a Fera da Penha! Onde pensam que chegarão assim? De onde vocês já foram capa? Aposto que nem de bula de remédio!
daniela
Então o que você está fazendo aqui, conosco e a Fera da Penha?
monique
Ora, eu rio de vocês! Rio! (CHORA)
ailime
Ela está me assustando. Pare com isso, pare!
daniela
(ASSUSTADA) Por que você está chorando?
monique
Chorando? Droga, por isso que eu nunca consegui ser atriz.
daniela
Você não nos impressiona.
ailime
Mas assusta um bocado.
entra uma fotógrafa.
fotógrafa
Com licença, eu...
antes que ele possa terminar a frase, monique e as duas viram-se para ela, mostram os peitos e sorriem. a fotógrafa dispara o flash meio no susto e sai, atordoada. A fera da penha enlouquece com o flash.
fera da penha
Matar! Matar!
monique
Gente, pára com isso! Tá parecendo a Narcisa Tamborindeguy... ei, o que você vai fazer com...
a fera da penha esfaqueia monique, que agoniza muito canastrã.
monique
Oh, ela está me matando... sinto minhas forças se esvaírem...
daniela
Péssimo, péssimo.
ailime
Acho melhor a gente fazer de novo...
monique
Eu sinto... só ter uma vida a dar pela arte... (CAI) Eu... eu estou indo! (LEVANTA E SALTITA) Eu estou indo para um mundo melhor!
daniela
Não, é pra ficar deitada! Você tá morrendo! Morrendo!
monique
Mesmo?
ailime
Claro.
monique
Tá bom... (DEITA DE LADO) Oh, eu morro. E agora?
daniela
Morre, mulher.
monique
Eu estou fazendo o meu melhor.
daniela
Pense que você tem a idade que você realmente tem e não a que aparenta.
monique
Bluãugh! Meu coração! (MORRE, FICA DEITADA DE LADO)
ailime
A Fera da Penha matou ela.
daniela
É, coisa tão óbvia.
ailime
Out pacas.
fera da penha
Hm?
DANIELA
É isso mesmo que você tá ouvindo.
ailime
Você não está mais por cima, Fera da Penha. Você é papo antigo.
daniela
Pois é, dizem até que nem vão poder julgar você pelos assassinatos na Casa dos Artistas porque não tem testemunha... ninguém viu.
fera da penha
Mas, mas...
ailime
Inclusive, ouvi dizer que na próxima convocação, o Felipão vai chamar é o Maníaco do Parque.
daniela
É, vamos nessa, Ailime...
as duas saem. A fera da penha olha para o corpo morto e, assustada, vai atrás das duas.
fera da penha
Não... não... Fera da Penha ainda ser quente... Fera da Penha ainda vender revista... (SAI)
DANIELA
(OFF) Só se for de porta em porta...
monique gamboa fica estirada no chão. Entra uma fotógrafa.
fotógrafa
Com licença... eu sou da revista Múmias & Cadáveres. Você poderia mostrar os peitos ?
monique, que está de lado, com o braço de cima abre sua blusa. A fotógrafa clica e sai.
fotógrafa
Obrigada.
monique
O nome é Monique.
Ascensão e Queda do Maior Gigante de Vendas Americano (Final)
Mesmo com a depressão, a ideia se mostrou tão lucrativa que até a gigantesca A & P, que por motivos óbvios não estava disposta a grandes mudanças em seu modo de operações, abriu seu primeiro supermercado em 1936. Que foi um sucesso. Em pouco tempo novas e novas filiais do novo tipo foram inauguradas, levando cada um ao fechamento de várias das velhas "lojas econômicas", devido ao maior volume de vendas. Assim, apesar da diminuição da rede de 16.000 para 10.000 pontos de venda, a aplicação dos velhos princípios de corte de custos - decoração espartana, compras sem intermediários, produção própria - levou a lucros astronômicos na década de 1950. Quando então três golpes simultâneos atingiram a empresa.
George e John Hartford, os filhos do fundador original da companhia, morreram ambos na década de 1950. Seus herdeiros não tinham a mesma formação de merceeiros e estavam mais interessados no mercado financeiro do que em vender alimentos. A companhia começou a sofrer pela falta de novos investimentos em um novo momento crucial na história do consumo estadunidense, pois, ao mesmo tempo, no pós-guerra, o governo americano começou a controlar melhor o tamanho das grandes corporações. E uma cadeia de varejo do tamanho da A & P, com seu poder sobre os produtos e consumidores dos EUA, não passou incólume. Mas talvez o golpe mais arrasador sobre a companhia tenha sido a mudança urbana mundial da década de 50.
Até então, o lugar mais valorizado de uma cidade era o centro. No começo do século XX, entretanto, Le Corbusier engendrou o conceito da cidade-jardim, com ruas amplas, longe da confusão das principais artérias, eminentemente residencial, com o comércio concentrado em quadras especiais para tal. Se você é carioca, imagine a Barra da Tijuca. Nos Estados Unidos, começando mais cedo a tendência a esse novo urbanismo, ele se mostrou mais humano, dando preferências a casinhas com quintal - os "suburbs" (1).
O logotipo se modernizou; a companhia, não
Para uma parcela dos urbanistas, esse sonho de Le Corbusier acelerou a decadência das grandes cidades, que as tornou na década de 1970 numa coleção de problemas que teve que ser enfrentada de frente nos anos 80, pelo menos lá em cima, e continua por aqui. Sem contar o efeito sobre a garotada que crescia nesses lugares, alienada, sem contato com outros tipos de viventes, mimadas e sem saber como era verdadeiramente a vida na metrópole, mas isto é assunto para uma postagem em breve. O que interessa aqui é que esta mudança da população para longe dos atravancados centros das cidades começou a minar as vendas da A & P, que, justamente por ser uma cadeia com quase um século de existência, tinha suas filiais quase todas bem no coração das urbes.
Sem disposição para novos investimentos, a A & P viu suas lojas começarem a ser evitadas à medida em que suas vizinhanças se tornavam lugares perigosos e seus competidores abriam mais e mais estabelecimentos nos subúrbios. Novamente, se você for carioca, imagine uma rede que se mantivesse concentrada nas imediações da Av. Rio Branco nos anos 50, ignorando Copacabana, Ipanema, Leblon e Tijuca.
Esse público também estava nadando em dinheiro com a prosperidade do pós-guerra. Eles não queriam só comida, eles queriam comida, diversão e arte. Ou seja, não estavam mais tão interessados em preços baixos, com pouca variedade de marcas e tipos de mercadoria. Eles queriam mais bens de consumo, mais escolha, mais cor e sabor. Daí é que viria o hipermercado, um tipo de varejo particularmente adequado ao subúrbio (cf. Carrefour, Makro e afins, estabelecidos em bairros como a já citada Barra da Tijuca). Esse ataque em três pontas iniciou a lenta decadência da rede. No final dos anos 70 a empresa foi comprada por uma corporação alemã que fechou mais e mais filiais até conseguir operar novamente no azul com menos de 1.000 pontos de venda.
Então uma rede regional, demonstrando constante incapacidade de se adequar aos novos tempos, a A & P foi minguando cada vez mais, até que em 2010 foi obrigada a pedir falência. Atualmente contando com apenas 338 filiais, sendo que destas, 57 sob ameaça de fechamento, as audiências falimentares começaram em agosto deste ano. Com constantes perdas no balanço e operando em menos de uma dezena de estados, o colosso varejista caminha para o mesmo fim dos armazéns familiares que detonou cerca de cem anos atrás: com sorte, ter um ou outro estabelecimento vintage funcionando, frequentado por saudosistas e descolados tentando parecer diferentes.
(1) No Brasil, subúrbio tem uma conotação negativa, aplicada normalmente à periferia mais pobre. Nos EUA, ao contrário, costuma apenas ser um lugar afastado do centro, para propiciar uma vida mais tranquila.
novembro 29, 2011
novembro 28, 2011
Tic Tac Tic Tac Tic Tac
Seconds Of Beauty - 1st round compilation from The Beauty Of A Second on Vimeo.
Há 190 anos foi inventado o cronômetro com a então assombrosa precisão de até um quinto de segundo. Para celebrar a data, a Montblanc está promovendo o festival do segundo - similar ao velho Festival do Minuto brasileiro, quando filmetes com até um minuto concorriam a um prêmio. Só que as peças agora têm que ter um segundo. Um desafio similar ao de escrever um conto em seis palavras (mais microcontos aqui).
A curadoria do festival é do Win Wenders e um dos prêmios é encontrá-lo em pessoa (e perguntar se é verdade aquela história de que a Nastassja Kinski dormia com todos os seus diretores* e se isso se confirmou com ele - minto, isso só o pervertido aqui é que ia indagar). O outro é um cronógrafo Montblan, o quê, dado o que eles custam, é mais do que a maioria dos festivais de cinema.
Pra quem se interessar em participar da 3a. etapa, as inscrições ficam aqui. E maiores informações sobre o festival, aqui.
* Declaração dela a Paul Schrader segundo o livro "Como a geração sexo, drogas e rock'n'roll salvou Hollywood"
novembro 27, 2011
Os Primórdios da Câmera Digital
Como dito abaixo, não me arrependo de ter gasto em 1998 o equivalente a mais de mil reais de hoje por uma pequena câmera digital, algo revolucionário na época, com resolução de 320 x 240 pontos. Eu podia ver como a foto iria ficar, podia carregá-la pra tudo que era canto e tirar até 96 fotos de uma vez sem gastar nada. Por isso que, caminhando pela Urca, guardei essas impressionantes e belas imagens de uma ressaca na baía de Guanabara em 1999, com as ondas lambendo a mureta da av. João Luís Alves.
Os Primórdios da Câmera Digital
Em 1999, Vânia saía da exposição de Picasso no Mam e posava no Aterro pra minha Casio QV-10, com a resolução de 320 x 240 pontos, 0,08 megapixels e um quarto de VGA. No entanto, apesar de ter pago 400 dólares pelo brinquedo, o equivalente hoje certamente a mais de mil reais, não me arrependo, face ao enorme acervo de imagens que acumulei numa época em que a gente tinha que escolher o que ia fotografar, porque o filme acabava e era caro revelá-lo. Sem contar que nunca tínhamos certeza absoluta de como ia ficar a foto, ainda mais em situações assim de pouca luz.
Abaixo, Vânia na exposição:
Abaixo, Vânia na exposição:
novembro 22, 2011
Eu Nunca Conseguirei ser Neoliberal
Newt Gingrich, líder das pesquisas para ser o candidato republicano à presidência ianque ano que vem, declara que as leis contra o trabalho infantil são um equívoco e dá sua ideia genial para consertar as escolas públicas que vão mal: demitir os faxineiros, que só foram contratados por serem sindicalizados, e substituí-los por crianças do próprio colégio.
Eu não estou brincando. Confira aqui.
Eu não estou brincando. Confira aqui.
novembro 18, 2011
O Texto Original para a Página Logo de O Globo
Abaixo, antes que Arnaldo editasse, o texto original e maior (mas não necessariamente melhor) para a página Logo que ele me pediu. Pena que não entendi direito o que ele queria, pra que eu pudesse escrever sobre minha teoria de que as engenhocas irão tornar verdade o sonho de sermos uma única e grande mente - hoje em dia ainda precisamos de celulares para nos conectarmos à grande rede, mas no futuro viveremos nela, com um chip implantado no cérebro e todos seremos um.
Diz-se que o futuro não é mais o que era antigamente. Que nada. Pra começar, o futuro é uma invenção da modernidade. Veio junto com o progresso tecnológico. Até então as pessoas viam o tempo como cíclico: um tempo de semear e outro de colher, um de nascer e outro de morrer. As estações se repetiam e, com sorte, o mundo era exatamente o mesmo a cada equinócio. E, reforçando essa ideia, toda geração até hoje acha que tudo no tempo deles era melhor. Inclusive o porvir.
O tempo sempre fascinou a humanidade. Se, como diz Einstein, é apenas mais uma dimensão, por que só se pode caminhar em uma direção nele? Inclusive é exatamente esta propriedade que faz do tempo o que é, sua inevitabilidade (apesar das tentativas em contrário de Léo Batista e Christiane Torloni). Talvez, além de elétrons, prótons e afins, sejamos feitos também de partículas temporais que vão se perdendo com o correr dos anos, até que não haja mais nenhuma e chegue nossa hora. Talvez o futuro todo já tenha acontecido e com nossa inata unidimensionalidade não consigamos apreendê-lo, condenados a percorrer trilhas já determinadas, sinalizadas e com os desvios fechados, como os planetas a girar monotomamente em suas órbitas predeterminadas pela gravidade e pela relatividade.
Ou talvez não. Talvez o povo da física quântica esteja certo e cada momento esteja repleto de possibilidades abrindo novas dimensões e realidades dependendo da decisão tomada. Certo, pode-se pensar, por que dar ouvidos a esses físicos quânticos quando eles nem sabem dizer se um gato está vivo ou morto? Pois justamente o criador desse gato, Schrödinger, tem um livro dedicado exatamente a isso - à vida, não ao bichano.
Em "O que é a vida", Schrödinger teoriza que tudo que vive é uma máquina que se alimenta de entropia negativa. A tendência de tudo no universo é decair, mas a vida é cada vez mais pujante. Não os organismos individuais (apesar de que mesmos esses desenvolvem-se e crescem antes de envelhecerem, e há os que nunca envelhecem), mas a vida em si. Formando sistemas cada vez mais complexos, a vida é como o sujeito presente na floresta para ouvir a árvore cair: ela altera a inevitabilidade dos ciclos universais trazendo organização à esterilidade da decadência e até a livre vontade de bônus, face à inegável constatação de que somos capazes de prever a consequência de nossas ações e escolher qual a melhor.
Schrödinger não consegue acreditar que essa livre vontade simplesmente se vá com a morte, mas acha ridícula a ideia de incontáveis almas incorpóreas flutuando por aí. Acaba chegando à ideia de que o que pensamos como individualidade na verdade é apenas um aspecto da pluralidade, pois tudo que existe é uno. Uma assertiva bem perto de Deus. Aliás, Santo Agostinho, tentando provar que o tempo tinha um começo (e, portanto, um Criador), elaborou uma elegante elaboração: como o presente é a soma de tudo que já aconteceu, se o tempo fosse infinito, não haveria o presente, pois a soma do infinito é indeterminável.
Então não se tem nada que ficar cobrando das novas gerações que lutem as lutas de seus pais. Elas estão adicionando ao futuro o seu próprio presente. Elas são apenas outros aspectos de seus pais. Afinal, o próprio povo da contracultura acabou cantando que era como seus pais. Se essa garotada parece desorganizada, sem rumo ou direção, só devemos comemorar. É por isso que eles não são pedaços de minerais flutuando invariavelmente no vácuo. Eles estão vivos, eles se alimentam de caos e desordem. Eles são Anonymous. Eles são Legião. Eles ocupam Wall Street. Eles ocupam a Cinelândia. Raios, eles são o Tea Party. Eles são o novo. Eles são a vida. Eles são o futuro.
E o futuro chegou em três eixos.
Diz-se que o futuro não é mais o que era antigamente. Que nada. Pra começar, o futuro é uma invenção da modernidade. Veio junto com o progresso tecnológico. Até então as pessoas viam o tempo como cíclico: um tempo de semear e outro de colher, um de nascer e outro de morrer. As estações se repetiam e, com sorte, o mundo era exatamente o mesmo a cada equinócio. E, reforçando essa ideia, toda geração até hoje acha que tudo no tempo deles era melhor. Inclusive o porvir.
O tempo sempre fascinou a humanidade. Se, como diz Einstein, é apenas mais uma dimensão, por que só se pode caminhar em uma direção nele? Inclusive é exatamente esta propriedade que faz do tempo o que é, sua inevitabilidade (apesar das tentativas em contrário de Léo Batista e Christiane Torloni). Talvez, além de elétrons, prótons e afins, sejamos feitos também de partículas temporais que vão se perdendo com o correr dos anos, até que não haja mais nenhuma e chegue nossa hora. Talvez o futuro todo já tenha acontecido e com nossa inata unidimensionalidade não consigamos apreendê-lo, condenados a percorrer trilhas já determinadas, sinalizadas e com os desvios fechados, como os planetas a girar monotomamente em suas órbitas predeterminadas pela gravidade e pela relatividade.
Ou talvez não. Talvez o povo da física quântica esteja certo e cada momento esteja repleto de possibilidades abrindo novas dimensões e realidades dependendo da decisão tomada. Certo, pode-se pensar, por que dar ouvidos a esses físicos quânticos quando eles nem sabem dizer se um gato está vivo ou morto? Pois justamente o criador desse gato, Schrödinger, tem um livro dedicado exatamente a isso - à vida, não ao bichano.
Em "O que é a vida", Schrödinger teoriza que tudo que vive é uma máquina que se alimenta de entropia negativa. A tendência de tudo no universo é decair, mas a vida é cada vez mais pujante. Não os organismos individuais (apesar de que mesmos esses desenvolvem-se e crescem antes de envelhecerem, e há os que nunca envelhecem), mas a vida em si. Formando sistemas cada vez mais complexos, a vida é como o sujeito presente na floresta para ouvir a árvore cair: ela altera a inevitabilidade dos ciclos universais trazendo organização à esterilidade da decadência e até a livre vontade de bônus, face à inegável constatação de que somos capazes de prever a consequência de nossas ações e escolher qual a melhor.
Schrödinger não consegue acreditar que essa livre vontade simplesmente se vá com a morte, mas acha ridícula a ideia de incontáveis almas incorpóreas flutuando por aí. Acaba chegando à ideia de que o que pensamos como individualidade na verdade é apenas um aspecto da pluralidade, pois tudo que existe é uno. Uma assertiva bem perto de Deus. Aliás, Santo Agostinho, tentando provar que o tempo tinha um começo (e, portanto, um Criador), elaborou uma elegante elaboração: como o presente é a soma de tudo que já aconteceu, se o tempo fosse infinito, não haveria o presente, pois a soma do infinito é indeterminável.
Então não se tem nada que ficar cobrando das novas gerações que lutem as lutas de seus pais. Elas estão adicionando ao futuro o seu próprio presente. Elas são apenas outros aspectos de seus pais. Afinal, o próprio povo da contracultura acabou cantando que era como seus pais. Se essa garotada parece desorganizada, sem rumo ou direção, só devemos comemorar. É por isso que eles não são pedaços de minerais flutuando invariavelmente no vácuo. Eles estão vivos, eles se alimentam de caos e desordem. Eles são Anonymous. Eles são Legião. Eles ocupam Wall Street. Eles ocupam a Cinelândia. Raios, eles são o Tea Party. Eles são o novo. Eles são a vida. Eles são o futuro.
E o futuro chegou em três eixos.
Um Celular com Câmera (e software de panorama) no Aterro
Clique nas imagens para poder vê-las em detalhes. O pequeno círculo luminoso na extrema esquerda da foto ao anoitecer é o luão cheio nascendo.
novembro 12, 2011
Ascensão e Queda do Maior Gigante de Vendas Americano - do qual você provavelmente nunca ouviu falar
*Publicado originalmente no blogue de história da Editora Record que eu edito...
O Globo desta sexta-feira trazia uma matéria sobre os armazéns de secos & molhados que ainda funcionam no Rio de Janeiro, a maioria deles dividindo suas vitrines de cristal e ferro fundido com um bar vintage, pedaços perdidos no tempo de uma cidade pré-globalizada. Mas na verdade a decadência desse tipo de comércio, como sói acontecer, começou simultaneamente com o seu auge. A era pós-industrial já mostrava suas garras nos primeiros anos do século XX, ainda antes da I Guerra Mundial, a efeméride que para muita gente marca o início do mundo contemporâneo.
Praticamente um século antes do Wal-Mart, outra empresa de varejo já sofria com as acusações de estar destruindo o comércio local e criando um monopólio perigoso para a economia do país. Embora pouco conhecida aqui em baixo, a Great Atlantic & Pacific Tea Co. foi uma das maiores corporações americanas, a ponto, de nos anos 50, vender menos apenas que a General Motors. De cada dólar gasto nos EUA, assombrosos dez centavos o eram nos caixas da A & P. Até que, como os armazéns familiares que eles jogaram no limbo junto com seu auge, chegou sua decadência, durante seis décadas, até o pedido de falência no ano passado.
Em 1859, a Great Atlantic & Pacific Tea Co., como o próprio nome diz começou em vendendo chá - ou seja, no princípio era a Starbucks e depois é que virou a Wal-Mart. O chá e o café entraram em moda com força no século XIX e o quilo podia custar aos varejistas até 2 dólares (muito dinheiro então). George Huntington Hartford e George Gilman resolveram então comprar a mercadoria diretamente das plantações chinesas. Sem a rede de comunicações de hoje em dia, um negócio arriscado, mas que baixou o preço do quilo para 0,60 centavos. Com publicidade agressiva e decoração chamativa, logo a cafeteria - não só vendia como servia bebidas - abria novas lojas.
Mas o grande ponto de virada da companhia foi quando Hartford, agindo como único proprietário, indicou seus filhos John e George para posições de liderança. O primeiro levou adiante a política de evitar atravessadores e intermediários manufaturando produtos por conta própria - plantando seu próprio café, por exemplo. O segundo, no entanto, foi quem realmente transformou a empresa num império, com seu conceito pós-industrial de loja econômica.
Os armazéns d'antanho eram lojas eminentemente locais e familiares. Os fregueses e vendedores eram muitas vezes vizinhos, frequentando a mesma comunidade, e os clientes tinham uma caderneta de crédito, onde anotavam suas compras para serem pagas somente ao fim do mês. Nos primórdios da geladeira, quando compras eram feitas por mulheres e criadas, as mercadorias eram depois entregues a domicílio. George Hartford aplicou nesse negócio então, a partir de 1912, uma política de corte de custos surpreendentemente moderna, depois de convencer o irmão e o pai da viabilidade de sua ideia.
Os novos estabelecimentos a serem abertos, para começar, não trabalhariam com longos contratos de aluguel. George pretendia que qualquer ponto que não se mostrasse rentável o suficiente pudesse ser realocado sem muita demora. Não haveria estoques de nada na loja, exceto das mercadorias de enorme saída. Não haveria crédito e nem entrega a domicílio. Um único empregado, no máximo dois, e a velha política de compras diretamente do produtor, ou produção própria. Um teste para saber o que as pessoas preferiam: tratamento personalizado, atendimento de primeira, ou preços. Adivinha quem ganhou. Uma dessas primeiras filiais foi aberta perto de uma das grandes lojas da rede. Em seis meses o armazém à moda antiga fechou.
Pelos próximos anos, em média 130 das novas "lojas econômicas" eram abertas A CADA MÊS. Em 1925, a cadeia tinha 14 mil lojas e vendas astronômicas. Tão volumosas eram suas vendas que sobreviveu praticamente incólume à quebra da bolsa de 1929. Uma nova ameaça, no entanto, estava surgindo, e a A & P, como agora era conhecida, já que bastante afastada de seu negócio inicial de cafeteria que vendia chá, precisava reagir com rapidez. Era o surgimento do supermercado.
Desde 1916 algumas cadeias já vinham experimentando com autoatendimento, como a Piggly Wyggly e Alpha Beta. Nos anos 20, começou a se popularizar o "shopping drive-in". Os armazéns do começo do século eram normalmente especializados - havia os açougues, as mercearias, os secos & molhados... a A & P, face ao estrondoso sucesso de sua cadeia, começou a tentar inovar vendendo também carne, mas outro formato já estava surgindo na época. Um amplo estacionamento com diversas dessas lojas lado a lado. Embora os estabelecimentos pertencessem a donos diferentes, o público via esses "shoppings" como uma única loja e daí a alguém juntar tudo sob o mesmo teto e bandeira, foi um pulo, normalmente creditado à rede King Willen. Nascia o supermercado (continua)
O Globo desta sexta-feira trazia uma matéria sobre os armazéns de secos & molhados que ainda funcionam no Rio de Janeiro, a maioria deles dividindo suas vitrines de cristal e ferro fundido com um bar vintage, pedaços perdidos no tempo de uma cidade pré-globalizada. Mas na verdade a decadência desse tipo de comércio, como sói acontecer, começou simultaneamente com o seu auge. A era pós-industrial já mostrava suas garras nos primeiros anos do século XX, ainda antes da I Guerra Mundial, a efeméride que para muita gente marca o início do mundo contemporâneo.
A sede da A & P no começo das lojas econômicas - com direito a trenzinho na porta!
Praticamente um século antes do Wal-Mart, outra empresa de varejo já sofria com as acusações de estar destruindo o comércio local e criando um monopólio perigoso para a economia do país. Embora pouco conhecida aqui em baixo, a Great Atlantic & Pacific Tea Co. foi uma das maiores corporações americanas, a ponto, de nos anos 50, vender menos apenas que a General Motors. De cada dólar gasto nos EUA, assombrosos dez centavos o eram nos caixas da A & P. Até que, como os armazéns familiares que eles jogaram no limbo junto com seu auge, chegou sua decadência, durante seis décadas, até o pedido de falência no ano passado.
Em 1859, a Great Atlantic & Pacific Tea Co., como o próprio nome diz começou em vendendo chá - ou seja, no princípio era a Starbucks e depois é que virou a Wal-Mart. O chá e o café entraram em moda com força no século XIX e o quilo podia custar aos varejistas até 2 dólares (muito dinheiro então). George Huntington Hartford e George Gilman resolveram então comprar a mercadoria diretamente das plantações chinesas. Sem a rede de comunicações de hoje em dia, um negócio arriscado, mas que baixou o preço do quilo para 0,60 centavos. Com publicidade agressiva e decoração chamativa, logo a cafeteria - não só vendia como servia bebidas - abria novas lojas.
Mas o grande ponto de virada da companhia foi quando Hartford, agindo como único proprietário, indicou seus filhos John e George para posições de liderança. O primeiro levou adiante a política de evitar atravessadores e intermediários manufaturando produtos por conta própria - plantando seu próprio café, por exemplo. O segundo, no entanto, foi quem realmente transformou a empresa num império, com seu conceito pós-industrial de loja econômica.
Os armazéns d'antanho eram lojas eminentemente locais e familiares. Os fregueses e vendedores eram muitas vezes vizinhos, frequentando a mesma comunidade, e os clientes tinham uma caderneta de crédito, onde anotavam suas compras para serem pagas somente ao fim do mês. Nos primórdios da geladeira, quando compras eram feitas por mulheres e criadas, as mercadorias eram depois entregues a domicílio. George Hartford aplicou nesse negócio então, a partir de 1912, uma política de corte de custos surpreendentemente moderna, depois de convencer o irmão e o pai da viabilidade de sua ideia.
Os novos estabelecimentos a serem abertos, para começar, não trabalhariam com longos contratos de aluguel. George pretendia que qualquer ponto que não se mostrasse rentável o suficiente pudesse ser realocado sem muita demora. Não haveria estoques de nada na loja, exceto das mercadorias de enorme saída. Não haveria crédito e nem entrega a domicílio. Um único empregado, no máximo dois, e a velha política de compras diretamente do produtor, ou produção própria. Um teste para saber o que as pessoas preferiam: tratamento personalizado, atendimento de primeira, ou preços. Adivinha quem ganhou. Uma dessas primeiras filiais foi aberta perto de uma das grandes lojas da rede. Em seis meses o armazém à moda antiga fechou.
Pelos próximos anos, em média 130 das novas "lojas econômicas" eram abertas A CADA MÊS. Em 1925, a cadeia tinha 14 mil lojas e vendas astronômicas. Tão volumosas eram suas vendas que sobreviveu praticamente incólume à quebra da bolsa de 1929. Uma nova ameaça, no entanto, estava surgindo, e a A & P, como agora era conhecida, já que bastante afastada de seu negócio inicial de cafeteria que vendia chá, precisava reagir com rapidez. Era o surgimento do supermercado.
Desde 1916 algumas cadeias já vinham experimentando com autoatendimento, como a Piggly Wyggly e Alpha Beta. Nos anos 20, começou a se popularizar o "shopping drive-in". Os armazéns do começo do século eram normalmente especializados - havia os açougues, as mercearias, os secos & molhados... a A & P, face ao estrondoso sucesso de sua cadeia, começou a tentar inovar vendendo também carne, mas outro formato já estava surgindo na época. Um amplo estacionamento com diversas dessas lojas lado a lado. Embora os estabelecimentos pertencessem a donos diferentes, o público via esses "shoppings" como uma única loja e daí a alguém juntar tudo sob o mesmo teto e bandeira, foi um pulo, normalmente creditado à rede King Willen. Nascia o supermercado (continua)
novembro 10, 2011
novembro 06, 2011
Artigo Meu no Globo de Hoje, Domingo, 6 de Novembro
Uma página Logo sobre o futuro, dividindo o espaço com Rodrigo Fonseca e Alexei Bueno. Clique nas imagens para ampliar (e em "show original", caso continue pequeno, vivem inventando nesses navegadores), a segunda com o meu texto em close.
Clique aqui para ler outros artigos meus no Globo, incluindo este.
novembro 05, 2011
Os Subvivos (Trecho)
Cassiano Ricardo
Na sobremesa
os convivas
alheios à fome
de quem ficou
sob a mesa.
Não os seduzem
os subvivos.
Os subnutridos
do subsolo.
Os subjugados
do subsolo.
Todos os súditos
do subsolo.
E os que sub/irão
ao solo
pra exigir seu
lugar ao sol,
na feroz luta
entre os vivos
e os subvivos?
E os que sob
a mesa
só roeram os
ossos
que sobraram
da sobremesa?
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Parece roteiro de filme, mas é verdade: um vírus instalou-se no sistema de aviões por controle remoto dos EUA. Isso, Predators, Reapers, aqueles aparelhinhos que hoje em dia buscam e bombardeiam sem arriscar vidas. Ninguém consegue limpar o malware ou sabe exatamente o quê ele pode estar registrando. Isso faz com que eu me sinta muito seguro quanto ao armamento nuclear americano.
Há 95 Anos um Monstro Entrava na Guerra (Final)
originalmente publicado no blogue de história da Editora Record
Leia aqui a primeira parte deste artigo
Leia aqui a primeira parte deste artigo
Em 15 de setembro de 1916, há 95 anos, os tanques entraram em ação pela primeira vez. A maioria enguiçou ou ficou fora de combate logo no princípio, mas alguns poucos continuaram avançando, levando de roldão alambrados, parapeitos, ninhos de metralhadora e a moral dos adversários. No entanto, seus ganhos nunca se provavam duradouros. Era preciso aprender a usá-los adequadamente para que viessem a ganhar seu status de arma principal da guerra terrestre.
O problema era que, sendo uma arma nova, o potencial dos tanques ainda não havia sido de todo compreendido. Embora gente como Samuel Fuller já pudesse antever o futuro da guerra, a maioria dos comandantes preferia usá-los como guarda-costas de infantes, distribuídos ao longo da linha, para avançar POR TRÁS dos soldados e ajudá-los a destruir os alambrados, pontos fortes de resistência ou ninhos de metralhadoras. Outros advogavam que eles deveriam avançar na frente, AO LADO DA CAVALARIA. O que era ridículo, já que os carros de combate eram lentos demais para acompanhar os cavalos e estes vulneráveis demais ao fogo para seguirem juntos com os veículos. O primeiro uso bem sucedido e bem planejado dos blindados foi somente em 4 de julho de 1918, na batalha de Hamel, um incidente relativamente de pequenas proporções à época. Mas, sendo uma operação totalmente baseada em tanques e que conquistou todos os seus objetivos, reveste-se retroativamente de uma importância descomunal.
Tanque Mark V, modelo bem mais avançado que os primeiros blindados, atingido no final da Grande Guerra
Para atacar uma frente de 5.500m, o general John Monash dispunha de apenas 6 batalhões, número usado normalmente para uma linha de 1.800m. Seu trunfo, no entanto, eram as quatro companhias de tanques (60 aparelhos) postas sob seu comando. Usando a lógica de que, como eram à prova de bala, era mais sensato pô-los À FRENTE dos soldados para interceptar o fogo, o minucioso Monash concentrou-os numa ponta de lança blindada para romper o alambrado e ir levando tudo de roldão. Monash achava que, com o advento das armas mecanizadas, a infantaria "deveria ser exonerada, tanto quanto possível, de avançar lutando (...), manter o território conquistado e reunir (...) prisioneiros, canhões e mantimentos (...)". Assim, quem faria o trabalho duro seriam os encouraçados terrestres, afinal fora para isso que tinham sido inventados.
Monash também dispunha de menos de 1/3 da artilharia julgada necessária para o ataque. Na verdade, ele nem pretendia fazer nenhum bombardeio, deixando a tarefa exclusivamente para os canhões dos blindados. Os infantes, entretanto, com pouca confiança na engenharia mecânica de 1918, exigiram ao menos uma barragem rolante, com o quê Monash e seus comandantes de tanques acabaram concordando. Uma barragem não muito pesada, para não prejudicar o terreno e possibilitar um avanço mais veloz dos carros.
A batalha foi um sucesso. Os tanques, agindo numa planície suavemente ondulada e surgindo sem o costumeiro aviso ao inimigo de um looooooongo bombardeio preliminar que permitia aos defensores se prepararem, arrastaram toda a oposição à sua frente. Os pontos de maior resistência encontrados pela infantaria eram passados aos blindados através de uma campainha - o soldado a tocava, um tripulante abria uma escotilha para receber as informações necessárias e para lá se dirigia o carro, para esmagar qualquer defensor empedernido que ainda não tivesse fugido. Em compensação os infantes lidavam com qualquer artilharia que ameaçasse o avanço de seus amigos à prova de bala, mas não de canhão, que continuavam avançando, desbaratanto qualquer tentativa de reorganização e contra-ataque tramada pelos alemães na retaguarda.
Monash também encarregou seus tanques de carregar suprimentos - munição, arame farpado para armar trincheiras e água. Foram precisos apenas quatro para deles para cumprir a função de MIL E DUZENTOS SOLDADOS, liberados portanto para o combate. Aviões também lançaram materiais de paraquedas em locais marcados pelos soldados.
Ao fim, todos os objetivos foram conquistados com um número consideravelmente pequeno de baixas para os padrões da frente ocidental e nenhum tripulante de tanque morto - apenas 13 feridos e 5 aparelhos fora de ação (note-se que foram usados modelos aperfeiçoados em relação àqueles não só de 1916 como os de Cambrai, em 1917). Foi o primeiro êxito indiscutível e total dos jovens blindados, em cujos ombros havia sido lançada toda a responsabilidade de vitória. Driblando a desconfiança da infantaria, que em tantas outras ocasiões aprendera a não confiar neles, ao menos no longo curso, eles haviam finalmente mostrado sua utilidade e seu verdadeiro papel. Não o de servir de guarda-costas para os homens pequenos e vulneráveis, mas de proteger suas vidas tomando para si a missão de aríete e vanguarda dos ataques de... como dizer... peito aberto contra metralhadoras, trincheiras e posições artilhadas. A era das longas linhas de soldados avançando ombro a ombro impavidamente sob as explosões dos imprecisos canhões havia terminado. Surgia a era do carro de combate blindado.
novembro 04, 2011
novembro 02, 2011
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