janeiro 27, 2009
Os 25 Culpados pela Crise Mundial
A lista também contém "Seis sujeitos que avisaram que ia dar merda", entre eles George Soros e Warren Buffet, que disseram, um que o mercado de derivativos era incompreensível até pra ele, e outro que era "puro Mal". Mas o melhor é Andrew Lahde, que se aposentou em outubro passado após ficar rico apostando contra a bolha especulativa imobiliária. Ao abandonar o mercado financeiro, ele mandou uma nota pra imprensa, agradecendo os idiotas que o fizeram milionário, explicando como odiava o negócio de investimentos, como o povo que aplicou em derivativos era indigno dos pais que pagaram a maior grana preles estudarem em Harvard e afins, como ia curtir a vida a partir dos 38 anos em vez de se preocupar em juntar mais dinheiro do que podia gastar e viver estressado por não saber se divertir e termina tudo pedindo a legalização da maconha. Putz, taí um cara a quem eu entregaria meu dinheiro. Por que são sempre os piores que estão cheios de apaixonada intensidade?
Dica do blogue do Jorge
Piada Pronta
Romance "Da vida dos pássaros" trata de paixões, drogas e bissexualidade na década de 1970
Inspirado por um filme intitulado Os pássaros vão morrer no Peru, um jovem brasileiro viaja para Lima e lá passa a viver no limite.
Total falta de compromisso com o amanhã, desejo de aventura e busca incondicional do autoconhecimento, misturando liberdade e libertinagem, impulsionam Alexandre, um brasileiro de 19 anos, a viajar para Lima, no Peru, a fim de descobrir a América do Sul. Ali ele conhece Michael, que se tornará seu grande companheiro, e Pilarsita, que disputará com ele o amor de Alexandre. Essas e outras personagens ricas e marcantes, ao lado de um contexto histórico muito peculiar, criam uma história original e envolvente. Da vida dos pássaros (184 p., R$ 39,90), romance de Alexandre Ribondi, lançado pelas Edições GLS, mergulha na paixão, na sexualidade e até na contravenção enquanto retrata o panorama político durante a vigência dos regimes ditatoriais do continente sul-americano (...)
janeiro 25, 2009
Sílvia Machete canta "Carlos, Erasmo"
O Sesc de Copacabana está apresentando uma trinca de shows com o nome de "Off-Tropicália" com artistas diversos fazendo um verdadeiro "cover" de discos brasileiros do final dos anos 60 e início dos 70. O blogueiro prefere ouvir o próprio Artista Anteriormente Conhecido Como Jorge Ben tocando coisas como "Bebete Vãobora" em um de seus frequentes shows no Circo Voador e nem conhecia "Build Up" de Rita Lee, julgando que o primeiro disco solo dela fosse "O primeiro dia do resto de sua vida", que também não ouviu, mas sempre foi fã de Roberto e Erasmo Carlos e quando soube que iam tocar a íntegra de "Carlos, Erasmo", bandeou-se para os lados da Princesinha do Mar doido para reencontrar a sonoridade hippie do álbum, que, tecnicamente, está mais para o som pós-tropicalista de Walter Franco e Sérgio Sampaio do que para o movimento original.
Esta fila é pra comprar ou pra entrar?
A primeira surpresa foi a dificuldade para adquirir ingresso. Protegido pela sorte, o blogueiro pegou o antepenúltimo lugar vago no teatro. A própria cantora, Sílvia Machete, reconheceu que os seus shows não costumam estar tão cheios. Não sendo ela exatamente uma superstar e nem o disco exatamente um clássico da MPB, à sua época um produto algo inesperado para os fãs da Jovem Guarda apresentado por um artista então desprezado pela intelligentsia, a presença de tanta gente para assistir ao espetáculo só pode ser creditada ao lado bom da era dos downloads, já que o álbum não é exatamente fácil de achar.
Isso não deveria estar vazio?
E justamente por isso a idéia desses shows é ótima - com exceção daquele dedicado a Benjor, que toca músicas do disco selecionado até hoje - já que Rita Lee e Erasmo Carlos enveredaram por outros caminhos e hoje em dia raramente incluem faixas desses álbuns em apresentações ao vivo. Mantiveram-se os arranjos, o andamento e a instrumentação originais (o que, incidentalmente, faz curtos os espetáculos mesmo com a adição de algumas canções extras). E por isso mesmo uma resenha desse projeto certamente inclui uma apreciação da obra original.
"Meus shows não costumam ser assim"
"Carlos, Erasmo" é um tremendo disco. A Jovem Guarda esvaziara e Ronnie Von, por exemplo, já lançara discos psicodélicos acompanhado em estúdio por uma desconhecida banda chamada Mutantes. Erasmo viu seu parceiro e amigo de fé Roberto enveredar pelo soul e seguiu seu exemplo, mas enquanto o Rei era mais romântico e confessional, Erasmo resolveu ser mais hippie mesmo. Gravou os tropicalistas irmãos Valle, Taiguara, Caetano e Jorge Ben com arranjos mais roqueiros e ainda compôs com Roberto canções que jamais entrariam num disco deste, como a sutilmente intitulada "Maria Joana", com versos como "eu quero Maria Joana, só ela me traz beleza nesse mundo de incerteza" ou "Eu vejo a imagem da Lua, Refletida na poça da rua, E penso da minha janela, eu estou bem mais alto que ela". Quando logo depois, no arranjo bem largadão, ele canta que o amor (por ela) vem como nuvem de fumaça só resta imaginar o quê exatamente os caras da censura estavam pensando quando deixaram passar isso. Deviam estar todos doidões.
É Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo
Se ainda fosse a única, mas o ótimo blues riponga típico da época "É preciso dar um jeito, meu amigo", tem coisas como "Eu estou envergonhado com as coisas que eu vi, mas não vou ficar calado, no conforto acomodado, como tantos por aí, descansr não adianta, quando a gente se levanta, tanta coisa aconteceu". Se gravado por algum artista engajado ia dar a maior merda. Mas a censura é o de menos, difícil é imaginar que a crítica desprezasse completamente os Carlos por causa de sua alienação. O que só mostra que crítico ou gosta de falar mal do que nem sequer ouve ou tem o QI de um censor.
Ninguém Chora Mais
Da dupla ainda há a pesada "Mundo deserto" e "Sodoma e Gomorra", uma doideira misturando culpa cristã com a idéia de Erich "Eram os deuses astronautas?" von Daniken de que o relato bíblico descrevia um ataque atômico alienígena. A própria Sílvia Machete conta que "esta música me dá medo", o que soa como elogio, já que em algum lugar do horror acusatório ali dentro se esconde uma metáfora da Guerra Fria - e quem estava lá, mesmo na infância, sabe o que era viver à sombra da bomba.
Mundo Deserto
Apesar da sombria tenebrosidade dessa canção, a sonoridade hippie pós-tropicalista da época se destaca pelo entusiasmo. Mesmo sob uma ditadura, a música brasileira estava cheia de apaixonada intensidade. Os refrões convocam os ouvintes a mudar sua vida, repetem-se cheios de vigor mesmo em baladas como "Gente aberta" (eu vou! Eu vou! Eu vou!), com coros em destaque e instrumental agudo e distorcido, e mostram porque o misticismo grassava entre os hippies - afinal eles estavam cheios de fé, na humanidade, num futuro melhor, na liberdade que viria. Após a suave (e não das melhores) "Não te quero santa", Sílvia encaixa uma composição sua que teria feito em resposta e o contraste entre as épocas salta aos olhos - a primeira, no clima (embora não na qualidade) do resto do disco em tempos de revolução sexual é um pedido a não se prender a valores tradicionais. A segunda conta a história de uma mulher chegando bêbada em casa arrependida depois de umazinha, num tom cínico típico de "Radical Chic" (a personagem do Miguel Paiva, não o termo do Tom Wolfe) ou "Sex & the City" e é quase um caso de estudo de como a busca da felicidade através da libertação de obrigações com o que os outros pensam acabou levando à libertação de obrigações com os outros em geral e a um egocentrismo materialista que faz a farra dos analistas, gurus, bispos e neoliberais.
Em Busca da Canção Perdida II
Sílvia Machete é uma excelente cantora em ascensão e, sob os arranjos originais, compensa o vigor áspero (em algumas faixas) de Erasmo com maior técnica e extensão, conseguindo os mesmos efeitos emocionais sem problemas. Na semana em que o blogueiro assistiu ao show, ela estava também se apresentando no Rival com outro repertório, mas mesmo isso não é desculpa para seu único (e grande) erro na apresentação - ela cantou lendo as letras (ou pelo menos assim parecia), o que a levou a, num teatro de arena, passar virtualmente todo o espetáculo de costas para metade da platéia. Para engordar o tempo de duração, Sílvia adiciona ao final duas versões de Roberto & Erasmo, a genial "Sou uma criança, não entendo nada", em arranjo cabaré (não funciona bem) e a brilhante "Ilegal, imoral ou engorda" em versão "big band" de bolso - imagine aquelas orquestrações de Simonal (fica maneira). Seu timbre lembra realmente as artistas da época, inclusive Mariana Fossa, que no álbum original reparte os vocais de "Masculino feminino" e casa muito bem com as músicas. Pra quem gosta desse som pós-tropicalista daquele povo cabeça daquela época em que vivíamos sob uma ditadura, mas tínhamos esperança, é um achado. Pro resto, também.
Sílvia Machete repete o show no Sesc Copacabana neste sábado, dia 31. O blogueiro talvez até volte lá.
janeiro 22, 2009
Ainda Por Cima É Canhoto
Nomes Têm Poder
Mas isso era antigamente e neste nosso moderno mundo de patrocínio, as coisas estão ficando cada vez mais doidas. Os times de futebol americano, por exemplo venderam o nome de seus estádios a seus mecenas e eles agora têm nomes de empresas. Só que o campo lá dentro também tem seu próprio nome! E assim caminha a humanidade. Com tanta gente tentando lucrar e as multinacionais aparentemente sem ter (pelo menos antes da crise) onde gastar sua grana, parecia que todos os espaços já haviam sido explorados. Nem todos.
Aqui você pode acessar o blog de uma mãe grávida que está vendendo os direitos de nomear seu mais novo rebento pela módica quantia de 4.050 dólares. Propaganda na sala de aula, na creche, no refeitório, nas brincadeiras infantis... será que isso não vale 4 pilas, hein, pessoal de mercadologia?
E com a crise cada vez pior, o Obama cada vez mais precisando raspar o cofre pra socorrer as empresas e os bancos, quanto tempo até, como sugeriu o Tuesday Morning Quarterback, pra começar a se vender publicidade nos caças de combate americanos e no Força Aérea Um?
janeiro 21, 2009
Os Mais Belos Poemas de Amor
Eles amputaram
Suas coxas de meus quadris
Ao que eu saiba
São eles os cirurgiões. Todos eles.
Eles nos desatarraxaram
Um do outro
Ao que eu saiba
São eles os engenheiros. Todos eles.
Pena. Éramos uma tão boa
E adorável invenção
Um aeroplano feito de homem e esposa.
Com asas e tudo.
E pairávamos sobre a terra.
E até mesmo ganhamos os céus.
janeiro 20, 2009
Preparando-se para a filmagem
janeiro 18, 2009
janeiro 17, 2009
Hoje Tem Filmagem Aqui em Casa
Eu Gosto de Ter a Imaginação Fértil, Mesmo que Só pra Blogar
Esta matéria (em inglês) explica que talvez o Universo seja na verdade um holograma. E um holograma com relativa baixa resolução, o que é pior. Deus nem sequer usou uma máquina digital cara na hora da Criação. E fala sobre a possível existência dos quanta temporal - o menor intervalo possível, a distância de Planck (o comprimento da menor partícula que existe) dividido pela velocidade da luz...
A Anac Americana Libera as Gravações da Cabine Pouco Antes do Pouso no Rio Hudson
Sobre Como o Conar Inglês Vai Decidir se Deus Existe ou Não
Só que a turma das chamas eternas (bela maneira de se vender uma ideia de amor universal (2)) não gostou e acionou o Conar lá de Albion alegando que os ateus estão fazendo uma afirmação sem provas e, portanto, ferindo o código de propaganda, o que significa que um grupo de publicitários vai ter que dar uma palavra final sobre a existência ou não de um Ser Supremo a fim de avalizar uma campanha publicitário. De alguma forma, eu sempre soube que a sociedade de consumo se encaminhava para isto.
(1) Se Deus não existe, tudo é permitido. Mas, afinal de contas, se Deus existe, tudo é permitido.
(2) Lembrando muito o Klaatu d´"O dia em que a Terra parou" original, de 1951, que no discurso final paga geral pro planeta inteiro: "vocês são muito agressivos, violentos e dados a guerras e conflitos hostis. Se não pararem com isso, viremos com nossa gigantesca e bem-armada esquadra estelar usar nossos poderosíssimos canhões laser e torpedos fotônicos para destruir seu planeta e matar todos vocês".
O Globo, o Avião e as Aves
Além disso, a fotografia foi obviamente tirada com uma teleobjetiva, uma lente que aproxima as coisas, "chapa" os planos. É a que se utiliza para fotografar uma multidão e dar a impressão de que estava tudo muito cheio, é o contrário da grande angular, em que os tamanhos relativos são exagerados e um homem próximo do fotógrafo parece muito maior do que a montanha lá atrás. Logo, os pássaros não só estavam mais próximos do jornalista, estavam MUITO mais perto do que o avião.
E, por último, o que sugere o jornal? O extermínio das aves? O que eu sei é que o governo tem planos de privatizar o aeroporto Tom Jobim e quando a Azul, a nova companhia aérea que está aparecendo, quis operar no Rio no Santos Dumont, lhe foi negada e sugerido o Tom Jobim, o que certamente aumentaria o lucro de quem vier a ter a concessão dele.
janeiro 15, 2009
Sinopse de uma Aventura no Nordeste no início do século XX
Samuel reparte sua pouca comida com o estranho enquanto os dois perseveram debaixo do Sol causticante e conta sua história. De como era apaixonado por Isabel, que era desejada por Jeremias, o chefe dos jagunços do maior dono de terras da região, Sebastião. Com medo dele, o pai da moça, Antônio, ordena a ela que se afaste de Samuel e aceite se casar com Jeremias. Isabel, entretanto, tenta fugir com Samuel. Os dois são rastreados pelo capanga rejeitado, que dá a Antônio a honra de liquidar com o miserável que levou sua filha. Entretanto, mesmo pego de surpresa, Samuel consegue reagir e mata Antônio. Isabel fica horrorizada e, cercado, o rapaz é obrigado a fugir.
O estranho discute com Samuel sobre as traições que ele cometeu ou contra ele foram perpetradas e sobre a natureza dos homens. O viajante crê que o ódio é mais forte do que o amor e Samuel discorda, lembrando que repartira com ele sua comida, mesmo sem o conhecer. É então que o misterioso companheiro revela ser o Diabo e, concordando que realmente lhe fora feito um favor, oferece a Samuel também um presente: se algum dia ele desejasse que seus inimigos morressem, mais do que qualquer outra coisa, assim aconteceria, com uma ressalva, porém: se ele aceitar este oferecimento, estará aceitando o ponto de vista do demônio e condenando sua alma ao Inferno. Além disso, conta-lhe que está reservada para sua vida mandar muitos outros para as trevas e que, por isso, deseja ardentemente que Samuel junte-se a ele no Érebo, como um general de suas tropas. Samuel recusa, diz que jamais usará a dádiva e vai rodar o mundo e aprender, para algum dia voltar e lidar com Sebastião, Jeremias e quem mais fez mal a ele e à sua gente.
Muitos anos depois, Samuel realmente volta à sua terra. Tem agora fama de milagreiro e conhecedor de muita coisa deste mundo e do outro. Jeremias ainda é o capataz e jagunço do poderoso da região, também chamado Antônio, filho do primeiro. Isabel casara realmente com Jeremias, mas morrera logo, ao dar à luz a filha deles, Maria. O capanga conseguiu casá-la com Antônio. Um bando de cangaceiros independentes se aproxima e o apático Antônio não sabe se deve enfrentá-los ou acoitá-los. Jeremias prefere a segunda opção e o imaturo rapaz resolve assim o fazer. Depois, manda chamar o disfarçado Samuel, que chegou à região a pedido dele.
Samuel encontra o rapaz, que lhe revela o que julga ser a fonte de sua apatia e covardia: ele vem sofrendo de impotência. Se esta notícia se espalhar, juntamente com sua decisão de acoitar o bando de cangaceiros, ele perderá todo o respeito que o povo lhe tem, desconhecedor que é de sua personalidade. Samuel lhe faz um preparado e lhe dá conselhos sobre a vida. Depois, sai e encontra a prostituta que era a preferida de Antônio, já que os votos matrimoniais nada lhe significavam e lhe paga o suborno exigido - foi ela, sob ordens de Samuel, que drogou-o com um estranho elixir que é a verdadeira causa de seus problemas.
O preparado de Samuel cura o rapaz, que passa uma noite de amor com sua bela e vivaz esposa, ficando patente que ele a oprime e não a ama. Os cangaceiros começam a viver na cidade, festejando e movimentando o comércio. Antônio, numa dessas festas, junto com alguns cangaceiros, toma uma prostituta, mas não consegue consumar o ato. Sua esposa aparece e ele, irracionalmente, a culpa por ter sugado sua virilidade e chega mesmo a ofertá-la ao cangaceiro. O bandoleiro demonstra tremendo entusiasmo com a proposta, mas ela se rebela e se recusa e vai embora. Antônio discute com o líder do bando.
Mais tarde, Samuel procura Antônio, dizendo-se inteirado do que aconteceu e lhe oferece outra dose do preparado, dizendo que tem efeito temporário. Antônio toma a nova dose e vai festejar com prostitutas trazidas de fora especialmente para a ocasião, convidando os cangaceiros, mas o chefe deles não aparece, dizendo que não quer festejar com um indivíduo que trata daquela maneira sua esposa.
Furioso com esta atitude e sentindo-se inebriado de poder ao receber a notícia de que Maria estava grávida, Antônio decide mandar expulsar os cangaceiros da cidade, mesmo contra os conselhos do fiel Jeremias. A notícia do massacre de seus homens lhe chega justamente quando comemorava a gravidez de sua esposa e o elixir começava a perder seus efeitos. Pateticamente, acreditando que, se fosse viril o suficiente para liderar seus jagunços, mudaria o resultado do confronto, Antônio vai procurar Samuel e exigir que este lhe dê um grande estoque do preparado. O milagreiro responde que dadas as propriedades químicas e místicas de sua poção, é impossível preparar uma grande quantidade de uma vez. Os dois discutem e Antônio agride Samuel. No entrevero, o primeiro acaba morrendo. Testemunhas atestam que o curandeiro agira em legítima defesa.
Na qualidade de sogro de Antônio e avô de seu filho, Jeremias assume os bens do rapaz morto e negocia a paz com os cangaceiros, oferecendo-lhes metade das reses. Manda também convocar Samuel, que ele ainda não reconheceu como seu antigo rival, tentando fazê-lo passar para o seu lado. Samuel finge aceitar, mas incita as prostitutas locais a espalharem a notícia da impotência do falecido latifundiário e a gente da cidade, lembrando-se da noite em que este ofereceu Maria ao chefe dos bandoleiros, começa a falar que é este o verdadeiro pai da esperada criança.
A maledicência chega aos ouvidos de Jeremias. Coberto de ridículo e desonrado, expulsa furioso de casa Maria, que ele conservava como a única lembrança do grande amor de sua vida, a derradeira crença que ele possuía. Desiludido, ele a trata com requintes de crueldade. Estas notícias alcançam o chefe dos cangaceiros que, desde aquela outra noite, sentia-se atraído pela jovem. Ele procura Jeremias e exige a mulher. O velho jagunço concede-a, com ela ressentido, sem o menor pudor.
O líder dos cangaceiros leva Maria e tenta possuí-la à força. A jovem reage e agride seu raptor, o que o faz mudar da ternura para a irritação e os dois acabam se engalfinhando. O homem a agride violentamente e ela acaba perdendo seu filho. Ele abandona a mulher em dores à piedade dos moradores locais e, como compensação pela rejeição que sofreu, resolve saquear a cidade.
Neste ínterim, Samuel leva à gente local as notícias das negociações de Jeremias e de como ele cedeu sua filha - que eles adoram - ao cangaceiro. As pessoas se revoltam com as novas que, somadas ao destempero ainda recente de Antônio, levam-nos a se rebelar contra o terratenente e os cangaceiros que, surpresos com a reação, fogem do lugar.
O aborto de Maria lhe causa uma profunda infecção, mas Jeremias, ao ouvir a notícia, não lhe presta atenção. Ele vai procurar Samuel, que percebe ter tramado toda a situação contra ele e pergunta por que ele o fez perder tudo que tinha. Samuel finalmente lhe revela a identidade. Jeremias então parte para cima dele, para terminar o trabalho de décadas atrás. Samuel diz que de nada irá lhe adiantar, pois já está morto há anos. Os dois lutam. Jeremias morre e Samuel é gravemente ferido. Aparece então o Diabo para Samuel, com quem vez por outra ele discutia durante a peça, para lhe cobrar afinal o que ele acha mais forte - o amor ou o ódio. Samuel diz que fez tudo isso por amor à sua gente e à lembrança de Isabel, mas o Capeta argumenta que ele fez apenas por vingança. Samuel rejeita o ponto de vista do demônio, até que este lhe revela que a mulher que está morrendo de infecção é na verdade sua filha. Isabel casou-se grávida com Jeremias e o enganou para esconder sua virgindade perdida. Samuel está agonizante. Sua única chance de se vingar contra o líder do bando de cangaceiros é usar a dádiva que o Tinhoso lhe deu. Samuel não acredita no príncipe das mentiras e diz que precisa ver com seus próprios olhos.
Cambaleante e moribundo, o milagreiro se arrasta até onde está Maria, agonizante pelo ferimento. Os presentes se afastam, assustados. Ele se aproxima da cama de sua filha, observado pelo Príncipe das Trevas. Segura a mão dela e conversa com ela, até se convencer que ela é sua filha, ou de que, pelo menos, gostaria que sua filha fosse daquele jeito. Ele lhe fala que o futuro deve libertar-se das amarras do passado. O Senhor das Moscas pede a ele que use sua oferenda e vingue-se dos culpados de sua enfermidade. Samuel aperta mais a mão da filha e cai, exausto ao chão. Maria abre completamente os olhos e fala que se sente melhor. O médico se aproxima e constata que sua febre, milagrosamente, passou. Todos olham para Samuel, querendo saber que milagre ele fez. "Nenhum", ele responde, apenas usara o dom que o Diabo lhe dera - "Eu matei meus inimigos. Mais do que qualquer outro homem já enfrentou". Os cinco bilhões de germes que infestavam o corpo e a ferida de sua menina. Destruindo os micróbios, livrou o corpo dela da infecção e ela agora pode se recuperar. Satanás urra, furioso, revelando sua verdadeira identidade e diz que, de qualquer forma, Samuel aceitara a intervenção demoníaca. O trato se completara e a alma dele era agora do Demônio. Samuel diz pouco se importar, já que sua filha pode agora viver numa cidade que nada deve a ninguém. O Demo, entretanto, é interrompido quando começa a guiar Samuel à condenação. Isabel aparece, resplandescente. Ela é uma enviada dos Céus e o sacrifício feito por Samuel mostrou que, apesar de tudo porque passara, ainda era capaz de amar e honrar a memória de seu grande amor. Pesados os prós e os contras, ele não merecia o Inferno e sua condenação era injusta. O Diabo, furibundo, tenta argumentar, mas Isabel vem sob ordens de Deus, escoltada por dois anjos e ele nada pode fazer. Ela toma Samuel e, finalmente, os dois amantes se reencontram e partem para a Cidade Prateada.
janeiro 13, 2009
Os Tempos Mudam
E é uma pena, pois a piada de português (meu avô era de lá) é uma tradição com a qual crescemos e está praticamente a caminho da exceção, seguindo o caminho da noiva-que-já-não-é-mais-virgem, enterrada pela revolução sexual. Imagino contar anedotas sobre tal personagens para pré-adolescentes possa hoje em dia desencadear reações do tipo "mas vem cá, eles iam casar sem transar antes? Como iam ficar sabendo se iam se entender na cama? Isso não é esquisito?" E, é claro, essa sexualidade precoce também está acabando com o Juquinha (que a esta altura também já deve estar no quarto casamento, tem cinco filhos e vive com problemas de depressão devido à sua sexualidade pervertida e problemas com pensão).


