Janeiro 29, 2012

Saquarema 2012





Eram Esses os Pacatos Anos 50????

Até recentemente desenhos animados de televisão tinham que ter a violência escondida. "Comandos em Ação", por exemplo, simplesmente mostrava UMA GUERRA em que ninguém se machucava aparentemente - de todo avião derrubado saltava um para-quedas e ninguém levava um tiro. Quando a coisa era mais violenta, ou era daqueles japoneses malucos, ou tinha sido feita originalmente para o cinema, como nos desenhos do Pernalonga e de Tom & Jerry. A tevê a cabo, que não está disponível no ar para qualquer um, acabou com isso. Animações mais inteligentes e violentas ganharam lugar e os pais é que decidem o que os filhos podem ver programando sua caixinha de acordo com suas crenças.

Com essa liberdade da tevê paga, é comum julgar os desenhos "violentos" de antigamente pura bobagem, mas existem algumas obras impressionantes ainda hoje. Principalmente quando a violência é mental e moral. O desenho abaixo foi produzido pela UPA nos anos 50, a década com fama de pacata em que os adolescentes estavam começando a se rebelar... mas na esteira dos quadrinhos de terror da EC e do Mad, começava na verdade uma doutrinação às crianças que questionava o estabelecido. E preparou o caminho para a contracultura. Frederic Wertham não estava tão equivocado assim.

O povo da UPA era um bando de animadores que, insatisfeitos com as condições de trabalho na Disney, resolveram abrir seu próprio estúdio. Enquanto o velho Walt mais e mais se dedicava a produzir filmes com atores e sobre a natureza, séries de televisão e parques temáticos, com sua invejável visão, menos atenção dava ao cerne de seu império, a animação. E a produção da casa, antes inovadora e disposta a experiências, começou a se repetir. A galera da UPA queria experimentar mais com a linguagem do desenho animado, usando temas mais complexos e, estilisticamente, com um maior distanciamento da realidade, sem a preocupação de fazer seus bonequinhos e cenários parecerem verdadeiros.

Pois bem, levando essa disposição até o fim, eles simplesmente pegaram uma das mais famosas histórias de terror do mais perverso grande escritor já nascido, Edgar Allan Poe, um dos maiores talentos a jamais deitar palavras numa página, e adaptaram num estilo expressionista narrado por James Mason, um dos monstros sagrados do cinema. Não espere concessões às sensibilidades infantis: a violência é chocante não por ser gráfica, mas por ser moral e onipresente no mundo do protagonista. Um psicopata. E a história é contada totalmente sob seu ponto de vista.

O uso de animação de uma forma tão efetiva e madura demoraria décadas ainda para voltar à cultura pop, apesar dos experimentos de Norman McLaren. "Fritz, the Cat", de Ralph Bakshi. seria o primeiro desenho voltado para adultos a experimentar sucesso. E o único durante muito tempo. Seria preciso outro estúdio ligado à Disney para acrescentar densidade aos temas infantis típicos dos longas animados, a Pixar. E, não por coincidência, com outro grande visionário (e cruel patrão), Steve Jobs, no comando.






Quer saber mais sobre animação e o cinema infantil em geral? Experimente o livro abaixo!

Infância e cinema infantil
de João Batista Melo



Lanterna mágica interessa a um grande número de leitores: críticos, historiadores e profissionais relacionados ao cinema, mas também pais, psicólogos e educadores. João Batista Melo oferece um estudo detalhado do cinema infantil, desde a sua origem, no início do século XX, até os tempos atuais. Além disso, o livro faz uma análise dos procedimentos narrativos e dos subprodutos gerados a partir dos programas infantis da TV brasileira.

·        João Batista Melo é diretor cinematográfico, graduado em Comunicação Social pela UFMG, especialista em Marketing pela UNA e mestre em Multimeios pela Unicamp.

Ao Vivo e Sem Cores



O vídeo do debate entre John Kennedy e Richard Nixon, que inaugurou a era dos candidatos à presidência se enfrentando na televisão. Kennedy lançou várias vezes o desafio e o futuro biltre aceitou, crente de que poderia se sair melhor do que o filhinho mimado de Joseph Kennedy.

Mas Nixon não era um sujeito antenado como Kennedy e não desconfiava que sua expressão corporal, seu rosto nem um pouco fotogênico e, principalmente, seu terno cinza contra um fundo cinza na era da tevê cinza-claro-e-cinza-escuro (quem fala em televisão preto e branco chegou a este mundo depois dos anos 70) iriam derrubá-lo. Embora quem tivesse ouvido o debate pelo rádio tenha achado que Nixon foi o vencedor do confronto, a (já na época nos EUA) muito maior audiência da televisão consagrou Kennedy como triunfante. O terno escuro do rapaz manteve a atenção do público concentrada nele, seu relaxamento e elegância frente a tensão de Nixon (famoso por suar como um porco) acabaram sendo mais importantes do que as palavras do futuro fora-da-lei. Um momento importantíssimo na história da política ocidental, já que hoje em dia os "marqueteiros" das campanhas costumam ter mais peso do que as plataformas dos candidatos.

Fecho de Ouro

Encerrando sua longa carreira de roqueira (e depois de tecladeira de Lincoln Olivetti, bossanovista e artista pop descartável), Rita Lee, aos 67 anos, faz seu último show em Aracaju e é presa por desacato à autoridade!

Yeah!!!!!

Isto é o que eu chamo de chave de ouro!

Pra comemorar, um videozinho feito por mim com o celular no Circo Voador, quando a moça anunciou sua aposentadoria, chorou e o escambau - não é fácil parar de fazer o que você gosta de fazer e fez a vida toda, mas chega um tempo em que não dá mais. O primeiro e último show na Lapa, que, segundo ela, pra ela era "o verdadeiro último show".

Saudades antecipadas, Rita, apesar de você ter passado uns vinte anos chata pra burro e a última música relevante sua ter sido o Vírus do Amor, lá de 1985 ou 1986. Mas quem foi a cara dos Mutantes vai ter sempre um espaço especial no meu coração.

Janeiro 25, 2012

P. P. S.:

Continuando a postagem abaixo:

Porque se você realmente acha que um prédio vai cair e não fica postado na porta dele avisando a todo mundo que aquilo é um perigo... bem, essa é a diferença entre responsabilidade e hobby.

P. S.:

Um pequeno adendo à postagem abaixo: por minha vez, EU aposto que amanhã vão aparecer 500 sujeitos dizendo que há tempos vinham alertando alguém em algum lugar que o prédio iria cair.

O Mais Idiota Comentário sobre o Desabamento do Prédio

Postado por uma amiga no Feicebuque:

“Sou capaz de apostar que alguém, em algum dia num passado remoto, ou não tão remoto, mencionou o perigo desse desabamento... mas como tudo por aqui é assim, esperaram morrer gente pra tomar providência. Agora Inês e mais um monte de gente é morta... começo a achar que é um complô de brasileiro contra brasileiro... "

A mulher nem sabe o que aconteceu. Nunca e jamais ouviu falar que alguém condenara aquele prédio - pelo menos um deles tinha cara de estar lá firme e forte desde os anos 50. Mas imediatamente já tomou sua posição: é culpa desses brasileiros, esse povo horrível, é obviamente uma omissão criminosa.

Por que essa criatura paranoica não vai vistoriar todos os prédios do Brasil, já que alguém em algum dia no passado remoto, ou não tão remoto, mencionou o perigo de desabamento de praticamente qualquer edificação humana?

Dá vontade de entrar nesse jogo e falar que é culpa dessa classe média de merda que odeia o Brasil, odeia não falar inglês e adora assistir a Friends e Sex & the City achando que aquilo é que é vida. A visão do colonizador, a zélite, é isso tudo. O pior do Brasil não é o descaso, a omissão ou a corrupção, mas esse ódio absurdo dessa gente à própria terra. Nessas horas dá até pra entender o AME-O OU DEIXE-O.

Janeiro 12, 2012

O Homem Banal


Hoje completaram-se 50 anos da condenação à morte de Adolf Eichmann. Sua prisão na Argentina e seu julgamento em Israel foram marcos dos anos 60 - as primeiras lembranças de Norman Finkelsten sobre o Holocausto provêm daí. Eichmann pode não ter sido um dos arquitetos do Holocausto, mas foi um de seus gerentes, quando nomeado responsável pelas deportações e transporte dos judeus para os campos de extermínio. Em 1944 tentou trocar com os aliados a vida dos judeus da Hungria, sob domínio nazista, por caminhões e outros bens. Quando falhou em conseguir contato com algum representante de confiança, mandou para a morte certa 430.000 húngaros.



Capturado pelos Aliados, que não descobriram sua verdadeira identidade, fugiu em 1946 e refugiou-se na Argentina, onde se sentiu tão à vontade que até mesmo mandou buscar sua família. Em 1952 a CIA já sabia de seu paradeiro, mas evitou tomar providências para não trazer à tona o assunto de que muitos nazistas foram acobertados pelos americanos em troca de informações sobre comunistas. Coube a Israel, em uma das primeiras façanhas internacionais do Mossad, capturá-lo em solo portenho e levá-lo até o jovem Estado. A sua localização foi facilitada porque Eichmann sequer se dera ao trabalho de arrumar nomes falsos para sua esposa e filhos.

Até então os únicos nazistas graúdos capturados com real responsabilidade no Holocausto haviam sido Rudolf Hess e Hermann Goering. O primeiro, preso depois de um voo solitário até a Inglaterra em 1941, quando quis começar sozinho a entabular negociações de paz, teve sua avaliação psicológica (basicamente de "maluco") desconsiderada para que pudesse ser levado a julgamento. O segundo, livre na cadeia de seu vício de drogas, defendeu-se com a aguda inteligência que não mostrava havia anos, desempenhando até o fim o papel de nazista malvado. A seus companheiros encarcerados, costumava dizer que eles já estavam condenados e seu papel era mostrar dignidade para preservar a herança nazista. O claro desequilíbro mental dos dois correspondia perfeitamente à imagem de monstros depravados, cultivada pelos nacional-socialistas em anos de atrocidades contra judeus e populações civis em geral, uma situação bastante confortável para o establishment.

Já Eichmann mostrou-se de outra cepa. Afetando ser apenas um burocrata sem qualquer inclinação antissemita, o ex-coronel das SS afirmava não entender o ódio dos israelenses e judeus por ele, afinal estava apenas cumprindo ordens. Outros nazistas alegaram o mesmo em Nuremberg, mas os aliados haviam criado uma determinação jurídica envolvendo a possibilidade de rebelião justamente para evitar este pleito. Essa determinação levava em consideração o cargo e a importância do acusado, um soldado tendo muito menos chances de se rebelar, por exemplo, do que um general. Ou um diretor de transportes.

O problema com Eichmann foi que seus testes psicológicos acusaram resultados absolutamente normais e medíocres, sua infância e adolescência não mostravam nenhum evento traumático, suas origens incluíam um lar sólido e aparentemente saudável, e seu ingresso nas SS não se deu por questão de crença. Estando desempregado, aceitou a sugestão de um amigo e se inscreveu nas tropas paramilitares de Hitler, assim como outros milhares de sujeitos sem trabalho já haviam feito nas SA. Tão convincente ele parecia neste papel que levou a pensadora Hanna Arendt (sobre quem este blogue recentemente publicou um artigo) a escrever um de seus mais famosos ensaios e cunhar a expressão "banalidade do mal" - ou seja, o Mal não era uma provisão exclusiva dos monstros, mas inerente à humanidade. A qualquer ser humano. Dadas as circunstâncias, talvez qualquer um de nós pudesse se tornar um gerente do Holocausto.

Eichmann ouve sua sentença

A partir daí o pesquisador Stanley Milgram começou a imaginar que talvez a cultura germânica fosse diferente, mas logo chegou à conclusão de que todos nós obedecemos à autoridade. Por causa de seu interesse em Eichmann, Milgram criou um experimento em que sujeitos eram recrutados para aplicar choques elétricos em cobaias, sobre as quais ouvia que "não colaboravam". Quando ordenados, os viventes não tinham dúvidas em ativar voltagens suficientes para matar os pobres coitados, não fossem eles voluntários apenas fingindo sofrer com a eletricidade, inexistente.


Todas essas conclusões foram tão deprimentes para a raça humana como um todo que em 1975 o pesquisador Michael Selzer reavaliou os testes psicológicos de Eichmann e chegou à conclusão de que eles mostravam sim uma personalidade peculiarmente "germânica" (e a expressão do garoto espremido num terninho aí em cima, o jovem Eichmann, parece dar suporte à sua teoria). Seus desenhos femininos mostravam uma mãe zangada, seus bonequinhos masculinos um ar conformado. Não adiantou muito. Muitos foram os exemplos de monstros que se revelaram homens banais depois de Eichmann. O mundo todo perdeu um pouco de sua inocência quando o burocrata que não entendia o ódio a ele dirigido ouviu obedientemente, como sempre, a sua sentença de morte por enforcamento.

Janeiro 11, 2012

Desenhos Animados Banidos

Paquetá 2011







Anúncio de remédio para "síndrome das pernas irrequietas". Efeitos colaterais podem ser "excessiva vontade de apostar, sexo, ou outras fortes ânsias". Uau. Onde compro isso?

Janeiro 07, 2012

Tintim, por Bilal


Leia mais sobre Tintim aqui.

Sic Transit Gloria Mundi

A Kodak pediu concordata.

O Buda Sorridente

Publicado originalmente no blogue de história da Editora Record, editado pelo blogueiro

Quando se fala em Buda, a maioria das pessoas sem olhos puxadinhos imagina logo essa figura aí embaixo. Mas esse na verdade não é O Buda, e sim UM Buda. Não o príncipe hindu Sidarta Gautama, o fundador do budismo, mas um monge chinês excêntrico e bem-humorado. E obviamente com uma assessoria de marketing muito melhor.


Sidarta Gautama começou a perambular em busca da iluminação aos 29 anos. Como o mesmo aconteceu com Jesus, o fim da juventude parece ser realmente um tremendo incentivo para se tentar descobrir o sentido da vida. Sidarta, ao contrário de seu assemelhado ocidental, ainda lidava também com o nascimento de seu primeiro filho, acontecimento que marca emocionalmente o verdadeiro fim da adolescência.

A decisão de Sidarta em buscar a iluminação veio quando saiu pela primeira vez de seu palácio e viu um idoso, um doente e um cadáver, o fim de todos nós. Assim, como Santo Agostinho faria depois, largou mulher e filho e foi se dedicar à salvação espiritual. Inicialmente, como era comum em seu tempo e região, através do ascetismo. Renegar as tentações materiais era considderado um grande primeiro passo para a meditação. No entanto, os hindus levavam a prática ao extremo e tonteiras, fraqueza e certamente a distração proporcionada por contrações abdominais acabaram convencendo Sidarta de que este não era o verdadeiro caminho. Principalmente depois que ele desmaiou num rio e quase se afogou. Uma famosa história contada a respeito diz como uma criança que ia passando viu aquela figura tão emaciada e pálida e lhe ofereceu alimento achando que fosse um espírito. O ex-príncipe então, embora sob padrões estrangeiros, ainda mais os da nossa socidade de consumo, pudesse ser considerado um asceta radical, para seus conterrâneos passou a ser visto quase como um glutão, perdendo quase imediatamente o respeito e os seguidores que já havia angariado.

Mas eles estavam errados e em pouco tempo Sidarta alcançaria a verdadeira iluminação e passaria a ser considerado como a reencarnação da sabedoria - o Buda. Sua doutrina original era simples e facilmente reconhecível por judeus, cristãos, muçulmanos e religiosos em geral com uma tendência mais mística e ecumênica: todas as misérias e descontentamentos da vida vêm do egoísmo pessoal. É a renúncia aos desejos baixos que levará à compreensão de que a morte não é o fim, porque fará o universo da pessoa parar de girar em torno de sua existência. Como já diz H. G. Wells, “o Nirvana não significava (...) extinção e aniquilamento, mas a extinção e aniquilamento de fúteis objetivos pessoais que tornam a vida inevitavelmente mesquinha e lastimável (...) Toda religião digna do seu nome, toda filosofia nos avisa e nos ensina que devemos nos perder a nós mesmos em qualquer coisa maior do que nós próprios: ‘todo aquele que salvar sua vida, perdê-la-á’ é, exatamente a mesma lição” (História Universal). Mas, assim como aconteceria depois com outras religiões, seguir à risca os ensinamentos de Gautama era considerado muito difícil pela maioria das pessoas e logo surgiram variantes incluindo figuras semidivinas e rituais que garantiriam a salvação da alma.

De qualquer forma, apesar de ser considerado um ponto decisivo na vida do Buda o momento em que ele descobre que a mortificação e a fome não são a resposta, ainda assim sua doutrina condena exatamente a busca insaciável do prazer - aí incluída a gula, não por coincidência também um dos nossos sete pecados capitais. Sidarta se alimentava pouco e, mesmo quando ainda um mimado filho de rico, sempre foi magro, como na imagem abaixo.


O Buda Sorridente, como é conhecido aquele ícone rotundo tão mais conhecido por nós ocidentais, é a representação de um monge chinês excêntrico, adorado pelas crianças, de nome Chi Tzu, que teria vivido no século X. Cedo ainda em sua vida monástica ele teria alcançado a iluminação e se tornado o receptáculo da sabedoria, um Buda, enfim. E sendo um homem em estado de plenitude, ele era feliz e bem-humorado, uma ideia que nos parece estranha. Religião e espírito sempre foram considerados assuntos tão sérios que nos parece paradoxal que alguém que já resolveu a salvação de sua alma e tenha perdido o medo da morte seja uma pessoa alegre. Jesus se dava ao trabalho de transformar água em vinho para não estragar uma festa e era cheio de amor por toda a humanidade, mas cismamos que um sujeito assim devia ter sempre uma expressão séria e severa.

A maior estátua do Buda, com 50 metros de altura e em pé, ficava no Afeganistão e foi destruída pelo Talibã apesar de apelos até de organizações islâmicas. Atualmente está se tentando sua reconstrução

Talvez por isso a figura do Budai, ou Hotei, títulos honoríficos atribuídos a Chi Tzu, seja tão popular. A ideia da religião de buscar a iluminação é também uma busca da felicidade e iluminados felizes não deixam de ser convincentes. Não à toa bom humor é considerado sinal de inteligência. Como já contava aquela parábola zen sobre um monge fugindo de um tigre que corre até um precipício e fica pendurado agarrado a um cipó, vê que lá embaixo tem outro tigre esperando por ele, nota que um rato está roendo o cipó e, ao perceber um pé de morangos, pega um e o prova, saboreando-o absorto e deliciado, a vida é curta e deve ser aproveitada - e curtida - com despreocupação quanto ao seu fim garantido.

Se você tiver maiores informações sobre o assunto e sobre os ensinamentos desses budas, esteja à vontade para explicar nos comentários.

Paquetá 2011

 Clique na panorâmica acima para ampliá-la

 Bem que isto podia ser limpo


A pedra mais fálica de Paquetá

Janeiro 04, 2012

O Fio Dental Não é Invenção Brasileira

O trecho abaixo é de um filme alemão de 1956, que está completamente disponível no Youtube, aparentemente recolhido de um velho VHS. "Liane, a Donzela das Selvas", mais uma das inúmeras fantasias voyeurísticas derivadas de Tarzan (com uma loooooonga história, basta lembrar Maureen O'Sullivan, no papel de Jane, comentando com Chita que, como teriam visitas, ela (Jane) teria que usar roupas à noite. E o mergulho que ela dá completamente nua (1), cena cortada durante mais de meio século da fita, porque feita antes de instalada a autocensura no cinema americano e só as primeiras exibições a mostraram (2).



Liane, a moça aí em cima, passa boa parte do filme - toda aquela localizada nas selvas - vestindo apenas uma tanguinha fio-dental (não é uma invenção brasileira; inclusive ela usa a versão tupiniquim mesmo, com o triângulo de pano puxado pra cima pra expor as nádegas, não a europeia, que é só um barbantinho e não tem triângulo). Isso mesmo, ela não usa nada pra cobrir os seios, exceto seus cabelos louros, que não estão, como os de Brooke Shields em Lagoa Azul, colados ao corpo com cola mesmo, para evitar mostrar algo que não se devia.

O interessante é que o filme é de 1956 e era censura livre. A atriz tinha 16 anos na época, o que hoje acarretaria cadeia pra todo mundo. Só o fato de ter sido filmado em cores, dada a situação do cinema europeu na época, indica que é uma fita de bom orçamento e não um lançamento marginal pura e exclusivamente para faturar em cima de fetichismo (talvez eu devesse repensar esta última sentença). Curiosamente, as cenas de nudez de "Monika e o Desejo", de Ingmar Bergman, em preto e branco, dois anos antes, num longa muito mais sério e pretensioso do que este, desencadearam a ideia mundial de que a Suécia era a capital da putaria (quem viveu nos anos de censura onde o nu frontal era proibido lembra das famosas "revistinhas de sacanagem suecas"; o filme "Vai Trabalhar, Vagabundo" tem um personagem que vive desse contrabando). No entanto, os pequenos e adolescentes seios da Marion Michael não parecem ter causado tanta comoção internacional. Provavelmente porque a produção não era do tipo que o circuito de arte americano iria exibir e a farta exibição de pele e órgãos sexuais secundários impediria seu lançamento em circuito comercial.

O filme teria duas continuações (não consegui descobrir se tão generosamente explícitas), uma delas com o astro Hardy Kruger (que fez carradas de nazistas e estrangeiros em Hollywood). A adolescente exibicionista previsivelmente teve crises de depressão nos seus vinte e poucos anos quando sua carreira não decolou. Não devia ser fácil ser conhecida como a garota dos peitos de fora nos meios artísticos dos anos 50 e 60.

Pra quem tiver paciência e quiser ver o filme inteiro:



(1) Pra quem não viu "A Companheira de Tarzan", abaixo a cena, de 1932. Coerente com o que antes comentara com Chita, a primeira coisa que Jane faz ao voltar do encontro com as visitas é se livrar das roupas - Tarzan dá uma ajudinha. Foram sequências como essa que levaram a protestos e ao Código Hays, um escritório americano de autocensura dos estúdios cinematográficos. Nenhum filme produzido por eles podia ser lançado sem essa aprovação.



Aliás, não é Maureen O'Sullivan, a mão de Mia Farrow, que vemos nua na cena, mas sim a nadadora e medalhista olímpica Josephine McKim. Como Weissmuller, o Tarzan, também era ex-medalhista olímpico, parece que filmes de selva eram reserva de mercado desse povo. Também chama a atenção que a moça de 24 anos tivesse que partir para se mostrar nua - o que na época devia ser muito menos tolerado do que hoje - pra se sustentar, dado o amadorismo do esporte da época.

(2) Hugh Heffner diz que a cena foi importantíssima pra sua vida, pois a naturalidade da nudez do casal causou-lhe uma epifania que o levaria a lançar a Playboy. Hef também se autointitula o grande arauto da Revolução Sexual, enquanto seus críticos dizem que na verdade ele é o criador do machismo típico do início dos anos 60.

Mutantes

Dezembro 30, 2011

O Médico e o Monstro (1941), com Ingrid Bergman e Lana Turner

Onde Hollywood contratava seus censores? Ou eles nem sequer tinham ideia do que significava a palavra "perversão"?



A expressão de êxtase da Ingrid Bergman sendo chicoteada nua é impagável.

Dezembro 29, 2011

Berserkers (Final)


Tão psicologicamente importantes eram os berserkers que todas as expedições vikings levavam um destacamento deles, para serem desenvolvidos nos momentos mais importantes da batalha. Obviamente, fora da guerra, eles não eram tão adorados assim. Embora respeitados e muitas vezes valorizados pelos aristocratas, eram temidos e odiados pelos camponeses e costumavam ter poucos amigos, justamente por seu comportamento antissocial. Afinal de contas, muitos deles eram escolhidos entre crianças e adolescentes agressivos e com o que hoje chamaríamos de tendências sociopatas. Mesmo assim, pesquisadores modernos acharam pouco psicopatia para justificar o seu desempenho em combate e nos anos 1960 teorizaram que o uso de drogas (principalmente o cogumelo Fly acaris, consumido pelos xamãs da Lapônia) ou de álcool, era a explicação para aquilo que hoja chamaríamos de "atitude".

Entretanto, experiências com voluntários demonstraram o contrário, que pessoas sob o efeito de narcóticos não dão bons soldados. Obviamente, sendo pesquisadores, eles provavelmente eram nerds que nunca tinham tomado uma bebedeira nem ido a um festival de rock, ou teriam chegado à essa conclusão sozinhos. Woodstock, por exemplo, não se notabilizou por guerreiros alucinados correndo de um lado para o outro urrando apavorantemente. Essas coisas aconteceram só no palco.

Falaremos mais sobre os berserkers em outra ocasião. Por enquanto, fiquem com o vídeo abaixo, do ótimo programa Conquista, que fez durante muito tempo parte da grade do History Channel antes que ela fosse tomada por shows sobre pescaria e excursionistas que não levaram provisões. Peter Woodward e sua equipe de dublês ensinam as táticas para o uso do machado e o anfitrião demonstra a técnica dos berserkers a 1m15s. Mesmo que você não fale inglês, fica muito claro o que ele quer esclarecer, provando que o instinto de sobrevivência dos inimigos dos vikings alucinados podia fazer um homem desprotegido e mal armado botar um pelotão inteiro de armadura escudo para correr.

Debra Paget

Pros voyeurs de plantão, uma dica: o filme Sepulcro Indiano, de Fritz Lang. O modelito acima é usado por Debra Paget na cena em que ela tem que encantar uma cobra (sutil!!!!!!). Paget, uma das muitas impiedosamente belíssimas atrizes de Hollywood dos anos 50, fez olhos a seguirem avidamente aos 17 anos como a esposinha apache de James Stewart no primeiro bangue-bangue pró-índios do cinemão americano, Flechas de Fogo.

Qualquer um vira pró-índio pra pegar esta apache

Nascida em 1933, com apenas 22 aninhos fez o papel mais conhecido de sua carreira, Lilia, a aguadeira de Os Dez Mandamentos, a obra-prima surreal de Cecil B. de Mille. Onde, seguindo a cartilha do veterano diretor sobre como mostrar temas piedosos, ela teve a oportunidade de mais uma vez vestir o mínimo que a censura da época exigia.

Pede água, vai...

Em 1955 a Fox rescindiu o seu contrato depois de divergências trabalhistas e a moça resolveu se mandar pra Europa pra trabalhar com o conceituadíssimo Fritz Lang, na refilmagem de Sepulcro Indiano, uma historinha com ritmo de seriado de cinema mudo. Paget fazia uma espécie de sacerdotisa da cobra (não pesquei a metáfora) e tinha que mantê-la domada vestindo isso aí embaixo enquanto dançava selvagemente. Obviamente a cena foi cortada quando passou nos Estados Unidos.


Debra Paget fez vários outros filmes, esquecíveis em sua maioria, sempre como a nativa belíssima ou a beldade exótica (não posso imaginar o motivo). Ao contrário de outras titãs da beleza da época (Veronica Lake, Gene Tierney) com problemas com os estúdios, ela não acabou seus dias bêbada ou esquizofrênica. Em 1964 casou-se com um magnata do petróleo, depois de um matrimônio de 22 dias com o diretor macho Budd Boetticher, e nunca mais teve que se preocupar com dinheiro. A moça ainda está viva e bem, embora, obviamente, não tão bem quanto nas fotos acima.

Dezembro 26, 2011

Natal na Minha Mãe










Wide Receivers Voadores

Pra quem reclama que futebol americano é só um jogo abrutalhado:



Na boa, eu achava que isso só existisse em filme de kung-fu com filmagem ao contrário, filme americano com arame apagado digitalmente ou filme de chineses voadores. Inacreditável. E olha que o sujeito não só quase não pegou impulso como pulou por sobre um vivente alto! E ainda caiu de pé!

Dezembro 24, 2011

Quando a Velocidade da Luz é Muito Lenta

Publicado originalmente no blogue de história da editora Record, por mim editado.

Está vendo esses efeitos luminosos aí em cima? Não é uma lanterna colorida ou um laser especial. Na verdade, são fótons capturados em pleno movimento. Sim, isso mesmo, a imagem está mostrando a frente de  onda de uma onda luminosa congelada no tempo. A velocidade da luz não é mais tão rápida assim!

É claro que não foi usada nenhuma câmera digital de bolso e, apesar do que os applemaníacos possam alegar, tampouco a de um iPhone 4s. O artefato que capturou essas imagens foi desenvolvido (onde mais?) no MIT, o Massachussets Institute of Technology, o lendário lar da tecnologia e dos nerds.

O método usado foi batizado como "Femtografia". O tempo de exposição de cada quadro é de dois trilionésimos de segundo e a câmera roda a uma velocidade de meio trilhão de fotogramas por segundo. Contra esses números nem mesmo os ariscos fótons conseguem botar vantagem. Onde está seu bóson de Higgs agora, ó velocidade da luz?



É claro que com uma exposição de dois trilionésimos de segundo não existe luz forte o suficiente para impressionar filme ou sensor sobre a face da Terra, por isso os nerdscientistas desenvolveram um método que usa lasers especiais e modelos de reconstrução matemática no computador para obter a imagem. Eis aqui uma rápida explicação dos inventores, tirada do saite do MIT, traduzida do élfico:

Nossa fonte de luz é um laser Titanium Sapphire que emite pulsações em intervalos regulares a cada ~13 nanossegundos. Estas pulsações iluminam a cena, e também ativam nosso tubo com precisão de picossegundos, que captura a luz devolvida pela cena. A câmera tem um campo de visão razoável na horizontal, mas bem limitado na dimensão vertical (equivalente a uma linha de varredura).

Se você quiser mais detalhes, pode checar aqui o saite do MIT sobre o processo. Ou então simplesmente curtir LUZ ANDANDO EM CÂMERA HIPERLENTA!!!!!



O que tem isto a ver com história? Além de que ela está sendo feita? Pense bem, seguindo esta linha daqui a pouco estaremos filmando tão rápido que poderemos filmar o passado!!!! (ou talvez não).

via Wired

Feliz Natal para Todos

Dezembro 22, 2011

Dezembro 21, 2011


Meu novo brinquedinho, uma câmera submarina, captura cocorocas, carapicus e baiacus tentando lutar contra a corrente.

Como Reconhecer um Comunista!


Seu país, seu governo, até sua família podem depender de suas habilidades em reconhecer um perigoso comunista! Este filmete educacional dá as dicas para fazê-lo. Embora narrado em inglês, parece ter sido feito em Portugal, pois os detalhes comprometedores que podem entregar o comunismo de alguém são:

- ler interessado um jornal comunista;
- frequentar reuniões de comunistas;
- fazer comícios comunistas;
- DECLARAR-SE COMUNISTA!

Embora, é claro, haja "aqueles que são mais sub-reptícios". Curiosamente, ao que parece, uma das maneiras de se reconhecer um comunista é se ele fizer uma PASSEATA CONTRA A KU KLUX KLAN!!!!

Nem Sempre Você Consegue o que Quer - com os Velhinhos do Reggae



E aqui com sua versão de "Blue Monday", do New Order:

Dezembro 16, 2011

Tatuagens para Pedófilos com.Fixações em Mangás

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Blue Thunder

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Dezembro 15, 2011

Berserkers (Parte I)

Guerra é um assunto fascinante, mas ir para uma guerra de verdade é inegavelmente uma roubada. A principal preocupação do soldado normalmente é voltar inteiro para casa. Tão avassalador é este instinto de autopreservação que estudos feitos por militares chegaram à conclusão que uma parcela considerável de infantes nunca dispara sua arma contra os inimigos - devido a um medo subconsciente de uma retaliação à altura. Boa parte daquele treinamento durão militar que a gente vê em filmes é justamente para despertar a agressividade dos recrutas. O exército americano, por exemplo, conta com diversos exercícios para garantir que seus integrantes percam o medo de atirar contra outros viventes. Justamente por esta vontade de sobreviver, os guerreiros suicidas nos fascinam tanto. Sejam eles kamikazes, líderes de revoluções, homens-bomba ou os berserkers, aqueles sujeitos que partem para a batalha sem se preocupar com dia de amanhã contrariam toda a programação genética de sobrevivência a qualquer custo e, mais do que fanatismo, exibem uma disciplina (ou, no caso dos berserkers, INdisciplina) mental impressionante.

Quando eu morrer, não quero choro nem vela, quero uma fita amarela, gravada com o nome dela

Os berserkers eram guerreiros tão incontroláveis que até hoje a palavra é usada em inglês como sinômino para criaturas acometidas de fúria cega. Desprezavam armaduras e escudos, às vezes até nus, e tinham como arma de preferência o machado, completamente imprestável para defesa (embora inegavelmente apavorante no ataque). E partiam para cima do inimigo urrando e correndo como o Edmundo nos anos 90. A visão daquele vivente completamente despreocupado em se proteger deixava claro que ele não se importava em ser ferido, estocado ou morto, mas que levaria junto quem o atingisse. Como os outros soldados se preocupavam, eles sim, em voltar para casa, a prometida morte certa para quem engajasse aqueles celerados em combate acabava fazendo pelotões inteiros fugir de um único daqueles guerreiros ululantes (continua...)