Novembro 08, 2009

Preciso Matar Meu Pai para Me Tornar Adulto

Joseph Campbell culpa a falta de mitos e ritos de passagem em nossa sociedade pela personalidade frágil moderna e sua suscetibilidade ao estresse e às pressões, sua sensação de abandono e desamparo, seu egocentrismo e falta de rumo espiritual, aquele medo de assumir responsabilidades, enfim, sua puerilidade, sua imaturidade... Quando exatamente sabemos que não somos mais meninos? Em minha infância havia ainda muitas coisas que se podiam dizer inegavelmente de criança: balas, revistas em quadrinhos, desenhos animados, videogames, coleção de miniaturas... estão entendendo aonde eu quero chegar?

Nas sociedades mais antigas e/ou mais primitivas, a transformação do adolescente em adulto não era um processo vago e longo. Em certa idade você passava por um ritual, normalmente exaustivo e desafiador, e pronto, não havia dúvida, você era um adulto. Em Roma, por exemplo, o debutante recebia sua toga; em culturas de caça e coleta envolvia normalmente um êxtase místico, a perfuração para receber brincos ou aros, que causavam deformações em orelhas, lábios, narizes, ou então cortes nos membros e no torso, tatuagens, enfim, o adolescente era testado, era exposto à dor de crescer e saber-se mais perto da morte e era mesmo fisicamente transformado. Ao voltar de sua iniciação o seu corpo definitivamente não era mais o mesmo, você tinha marcas que mostravam que você era adulto e não iriam deixá-lo voltar a agir como criança.

Nessas culturas o indivíduo neurótico ou desajustado não durava muito. Se os adultos percebiam durante o ritual qualquer incapacidade, o adolescente se tornava um pária, era expulso da tribo ou em casos mais extremos, era morto pelos que o iniciavam. A sociedade em questão era mais vigorosa e homogênea, com um forte senso de identificação com os objetivos e finalidades das pessoas em volta.

Só que havia um preço a se pagar: a perda do pensamento original e da criatividade.

Um Celular com Câmera



Por que eu acho que nesse lugar venta muito da direita pra esquerda?

Um Celular com Câmera no Aniversário da Ana Sílvia II





Postagem com cinco meses de atraso

Tevês Contemporâneas para Principantes

Como funcionam as tevês contemporâneas.

A tevê de plasma tem pixels que contêm gás. ligados a contatos elétricos. Quando o contato liga, o gás emite radiação, que bate na tela com material fosforescente (como as tevês de tubo) e gera luz.
O pixel de plasma só tem dois estados: ligado e desligado - as tonalidades intermediárias são conseguidas piscando. Pra gerar um ponto que seja 60% de cinza, por exemplo, durante o "frame", o pixel vai ficar aceso 60% do tempo e apagado 40%.

A tevê de cristal líquido tem uma (normalmente duas) lâmpadas no fundo, um filtro polarizador na frente e no meio uma camada de um material que, quando recebe corrente elétrica, polariza a luz que passa por ele, ortogonalmente ao filtro da frente. Como você provavelmente não entendeu, pense na LCD como tendo uma luz no fundo e, antes da tela, um monte de persianinhas, daquelas de filme noir, que você puxa uma cordinha e elas giram e bloqueiam a luz progressivamente.

As vantagens e desvantagens: a tevê de plasma, por ter material fosforescente na tela, reflete muito a luz do ambiente, como as tevês de tubo. As tevês de cristal líquido se prestam melhor a ambientes iluminados.

A tevê de LCD, por ter essas persianinhas, torna-se menos visível quando visto de frente - exatamente como quando você olha pra dentro de uma sala com persianas; fora do ângulo correto, a imagem vai sumindo.

A tevê de LCD consome menos energia nominal; no entanto, a luz do fundo dela está SEMPRE acesa, o que significa que ela estará o tempo todo gastando o máximo de energia; a tevê de plasma só atinge a energia listada no manual quando todos os pixels estão acesos; no fim, as duas gastam aproximadamente o mesmo - a LCD ligeiramente menos.

A tevê de plasma, por usar material fosforescente e emitir radiação, pode "queimar" uma imagem no vidro, um "fantasma" que jamais sairá, se você deixar, digamos, um DVD em pausa por uma hora, ou assistir sempre a filmes com aquelas barras pretas.

A tevê de LCD tem um eletrodo em cada pixel pra controlar a persianinha, mais um circuitinho pra tornar a imagem visível a quem não esteja exatamente de frente pra tevê (embora quem a veja de lado sempre vai ver a imagem perder o brilho e o contraste). Isso a torna mais vulnerável a falhas. TODO monitor de LCD tem pontos pretos - o do meu computador tem uma meia dúzia, que são "pixels mortos", que queimaram o circuitinho e nunca vão acender. Se a sua tevê de LCD chegar com mais de três (ou cinco, depende do fabricante), você pode pedir pra trocar. Se vierem no centro da tela, também.

A tevê de LCD, por causa desse circuitinho em cada pixel, é bem mais lenta que o "liga-desliga" da plasma. Isso significa que, em imagens em movimento, o chip da tevê não consegue processar toda a resolução da imagem e a diminui, às vezes para tanto quanto uma tevê de tubo - incluindo as "Full HD". Por isso, evite de qualquer maneira comprar LCDs de 60 Hz, isto é, sessenta ciclos por segundo. As de 120 Hz têm o dobro da velocidade e conseguem processar movimentos mais rápidos, mas ainda assim mostram menos linhas que as de plasma com uma resolução semelhante (as LCDs de 60 Hz, Full HD, em sua maioria, têm menos resolução que uma plasma HD).

As tevês de LCD têm pixels menores e podem chegar a Full HD até em monitores de 32 polegadas (ou menos, se interessasse à indústria). Só agora a tevê de plasma conseguiu atingir o Full HD em telas de 42 polegadas, mas essas são mais caras que as plasmas normais, embora ainda mais baratas que as tevês de cristal líquido do mesmo tamanho.

As tevês de plasma têm pixels que apagam e ficam completamente escuros (na prática, não, já que pisca tão rápido que o material fosforescente da tela ainda não acabou de apagar quando é religado). As de LCD, por serem persianinhas, sempre deixam vazar luz e não conseguem mostrar um preto verdadeiramente negro. Por isso ambos os tipos fazem tanto escarcéu quanto a nível de contraste e de preto, mas não se deixem levar por suas declarações, já que ninguém sabe quais os parâmetros que eles usam (é como o antigo PMPO das aparelhagens de som, que dava potências quinze vezes maiores do
que as reais nos anúncios). Com menos preto, há menos contraste nas cores.

As tevês de plasma piscam constantemente. Assistindo a pouca distância, mesmo que você não perceba esse piscar, sua vista pode acabar cansando. A tevê de LCD usa uma maneira mais suave de conseguir as tonalidades e tem uma imagens com uma aparência mais firme.

Se a Canoa Não Virar Olê Olê Olá Eu Chego Lá




Festival Panorama de Dança

(Not) a Love Song, de Alain Buffard



Muitos anos atrás, havia uma historinha contada no mundo do espetáculo quanto ao amor do brasileiro por musicais. Ele veria um cartaz no cinema anunciando “O maior musical do ano”, com “o maior astro de musicais” e com canções do “maior compositor de musicais”, entraria pra ver o filme e quando os atores começavam a cantar, se lamentaria, “ah, não, começou a cantoria”.

Mas isso foi antes de Charles Moeller e Cláudio Botelho. De cerca de quinze anos pra cá, o musical tornou-se um negócio lucrativo – talvez o mais lucrativo – nos palcos brasileiros. Tentando abocanhar uma fatia destes lucros, criou-se um mercado paralelo de produções com poucos atores dobrando em muitas cenas, uma seleção musical saudosista refletindo o gosto do criador e coreografias simples. Não, eu não estou dizendo que “(Not) A Love Song”, de Alain Buffard, seja assim. Falta acrescentar aquele clima pretensioso e desconexo de agressivos atores recém-formados que não estão dispostos a se vender ao sistema.

O espetáculo apresenta-se como o primeiro musical trágico (o que foi feito de “Cabaret”?), concentrando-se no sadismo nas relações com o outro, mas falta violência e pegada em toda a sua concepção, preferindo a saída fácil da ironia – qualquer sitcom da Sony está recheada de ironia quanto a relações amorosas.

Se o tema é sadismo, não é possível fazer um espetáculo bonitinho. Alain Buffard nasceu em 1960 e em cinco minutos de espetáculo pode se perceber que foi no fim dos anos 70/início dos 80 – a era do punk e new wave - que se deu a maior parte de sua formação intelectual. Até a seleção musical – Iggy Pop (que o Zé e o Gláuber, o Velho, foram ver este fim de semana em Sampa), Velvet Underground, Lou Reed – entrega sua faixa etária. Amour fou (“Femme Fatale” está na trilha sonora) era uma obsessão dos eighties, mas os Betty Blues e Mauvais Sang envelheceram mal pacas e o que ficou de bom da década foram as mulheres fatais dos quadrinhos de Max e a ultraviolência de Liberatore. Aos dois (e a muitos outros companheiros seus) sobrava sinceridade e, principalmente, uma visão pervertida das relações humanas.

Para um espetáculo de dança de música popular, as coreografias são mais simples do que minimalistas, havendo cenas em que os atores cantam as músicas sentados e parados. O cenário não tem unidade, com um sofá, palanques e cabides com cara de espalhados pelo palco. E os cabides seguram figurinos sem graça e, herança dos anos 80, monocromáticos. E o pior, o que às vezes salva esses musicais de segunda linha em teatros de galerias comerciais decadentes, as criativas recriações das canções, às vezes reinventando-as em outros contextos, estão completamente ausentes aqui. As músicas têm relações óbvias com a proposta - “I wanna be your dog”, “Femme fatale”, “(Not) a love song” - e seus arranjos são fiéis aos originais o mais possível, empobrecidos para serem acompanhados por um único sujeito – olha a cara de submusical aí de novo -, esse sim com uma cara marcante de personagem de filme noir.

Enfim, um espetáculo que se quer trágico e sádico sem a pegada, sem violência e sem originalidade. Bota ele num teatro menor em Copacabana que nos fins de semana, no horário vespertino vai encher de van do povo que curtiu muito (os chatos) Jean Jacques Beneix e Leos Carax (a corrida na rua do sujeito depois de passar um tempo com a Juliette Binoche é muito melhor do que qualquer coisa no musical do Buffard) e afins. Esse povo, que lotava o Estação Botafogo quando ele começou, afinal de contas já está ficando velho e chegando na idade de se aposentar também – assim como esse tipo de show que é “(Not) a love song”.

Fim das Férias






Depois de um ano sabático, o Vasco volta à primeira divisão. Eu estava lá.

Cuidado: sempre que o Vasco vem da segunda pra primeira divisão, é campeão!

Eu não gosto de Carlos Alberto, e como já disse aqui, acho que a grande utilidade dele pro Vasco nesta campanha foi sempre deixar o adversário com um a menos, mas o Marquinhos chama a atenção prum detalhe: o cara pode até não ser bom, mas é campeão por todos os lugares por onde passa.

Puta que Pariu, mas que Calor do Caralho!



Domingo, 8 de novembro, às três da tarde, NINGUÉM passeia na pista fechada da orla de Copacabana.



O próximo sujeito que me vier com o papo de que aquecimento global é balela eu vou encher de porrada.

Novembro 03, 2009

Um Celular com Câmera no Aterro (Reprise)

Novembro 02, 2009

Judas (rascunho)

Em verdade eu vos digo
Um homem irá manter grandes paixões suas
Para sempre inalcançáveis
E aqueles que você alcançar
Ele fará de tudo para afastar

Um homem irá fazê-lo parecer
Preguiçoso e desinteressado no trabalho
E indispô-lo com seus chefes

Um homem irá desperdiçar seu dinheiro
E fazer você beber - e comer - demais
E o encorajará a manter-se fora de forma
E o irá fazer comparar-se a seus amigos
E a desejar-lhes mal para que pareça melhor

Um homem o levará a fazer tudo
Para que você se sinta infeliz
E culpado
E frustrado
E ele se regozijará com seus feitos
Satisfeito com o que conseguiu.

Serei eu, mestre?
Serei eu mesmo?

Um Celular com Câmera no Aterro



Uma bela patinadora ensaia suas piruetas no Aterro:

Oops... mas cair todo mundo cai, o que importa na vida é saber se levantar...c

Um Celular com Câmera no Aterro



Como se pode ver pelo vídeo, não é um problema sério na coluna cervical que vai impedir esse bichinho de se divertir. Never surrender!

Um Celular com Câmera no Aterro




Quer saber como os carros de hoje são seguros? O sujeito telefonando era o passageiro. Segundo ele, foi fechado por um caminhão e o ônibus estava saindo do ponto. Ele está ligando pro seguro.

Um Celular com Câmera na Vizinhança


Um Celular com Câmera no Aterro


Procurando apartamento (se você clicar na foto para ampliar, vai ver o título do "Morar Bem"). Estranha trinca.

Novembro 01, 2009

Um Celular com Câmera no Aterro - Eu, Caçador de Minas

Um bravo sapador abre caminho para os blindados aliados na Praia do Flamengo:




Aqui ele corre para desenterrar algo detetado, mas é apenas uma moeda. Alarme falso.

Um Celular com Câmera no Aniversário da Ana Sílvia

Postagem com cinco meses de atraso...



Você conhece essa banda?



Churrasco do Zé IV





Assim Caminha a Humanidade

Segundo fontes da própria Wikipedia, uma grende parte das edições feitas nela são pessoas que mudam o texto pra ganhar uma aposta (e normalmente corrigem depois, pelo menos).

Por isso, fica aqui a questão: se você já fez isso, avise nos comentários e explique: isso dá onda ou a aposta valia muito?

Descoberta uma Cópia Completa de METROPOLIS, de Fritz Lang

O clássico expressionista que inspiraria todas as sociedades distópicas futuristas exibidas na tela grande está de volta em sua versão original! Como você sempre pode contar em encontrar um alemão desaparecido na Argentina, foi lá que desenterraram a preciosidade. Em 16 mm e péssimo estado, mas e daí, antes do DVD, blu-ray e tevê em alta definição a gente não ligava a mínima pra isso. A primeira vez em que vi Encouraçado Potemkin foi em 8 milímetros, a céu aberto, projetado numa tela que ficava balançando com o vento. A fita foi encontrada num cineclube depois que um pesquisador ouviu casualmente um projetista reclamando de como tinha sido muito mais longa a projeção que ele tinha feito de METROPOLIS anos atrás.



METROPOLIS foi lançado originalmente com 210 minutos, mas não fez o sucesso esperado e os produtores começaram a cortar aqui e ali. Pro lançamento americano, foi cortada ainda mais, com várias subtramas e diversos personagens simplesmente sumindo da história. Anos maia tarde, quando seu status de clássico era indubitável, começaram os esforços para tentar se restaurar o filme. Que agora finalmente poderão ser completados.

A versão restaurada anterior, de 2001, lançada em DVD, vai ser combinada com cenas desta cópia de 16 mm para reestrear triunfalmente no Festival de Berlim de 2010. E se você acha que METROPOLIS não merece esta fanfarra toda, saca só a foto do prédio - todos os cenários são grandiosos e espetaculares. Este edifício em particular, seria copiado quase totalmente para a Tyrrell Corporation em BLADE RUNNER, que também se apropriou do visual art-decó e se tornou por sua vez a referência em futuros distópicos a partir dos anos 80.

Leia aqui mais sobre a descoberta.

Brigitte Helm

Ainda estamos falando de METROPOLIS, o filme descoberto na Argentina, segundo a postagem aí de cima. Eu justamente achei os saites falando sobre a descoberta porque acabei de rever a fita silenciosa do Lang. Eu a tinha visto duas vezes, a primeira na TVE, , muitos anos atrás e sem prestar muita atenção, numa sessão que eles faziam semanalmente com clássicos do cinema mudo (e com legendas em alemão, lembro-me claramente do filhinho de papai falando "Vater!"(1)) e debates em seguida - foi assim que comecei a me interessar por linguagem cinematográfica, numa época em que videocassete era coisa de rico e tevê a cabo só em ficção científica.

A segunda vez em que vi Metropolis, foi quando todo mundo reviu, quando o Giorgio Moroder, o produtor que inventou Donna Summer e ganhou uma grana fazendo trilhas cinematográficas eletrônicas, relançou o filme com cenas colorizadas e música pop contemporânea, aproveitando o visual art-decó então em voga com a new wave e a escola de Memphis. A versão de Moroder restaurava a história original, incluía algumas fotos estáticas para cobrir pedaços que faltavam e cortou os intertítulos, substituindo-os por legendas, o que causava algumas vezes saltos nas cenas, já que, quando separadas pelos textos, não precisavam dar continuidade à sequência anterior. Mesmo assim, funcionava bem e foi a versão que saiu em VHS.

Já o corte a que eu assisti esta semana é a restauração de 2001. Pedaços de filmes foram juntados de diversas fontes e acesso ao roteiro original e a anotações de produção mostraram onde eles se encaixavam. Onde não foi mesmo encontrado material entraram legendas contando o que deveria estar acontecendo. Depois de uma turnê mundial, a fita foi transcrita para DVD e deveria sair em blu-ray este ano, o que foi postergado devido à descoberta da versão completa, que já está sendo trabalhada para fazer sua premiére mundial no Festival de Berlim de 2010.

A única reclamação contra a versão atual em DVD é a velocidade de projeção. A maioria das fitas silenciosas era filmada a 16 quadros por segundo. Algumas cenas, principalmente correrias em comédias e ação em dramas, eram feitas a velocidades ainda menores, para que parecessem mais rápidas na hora da exibição. Mas não havia uma norma, e as películas podiam ir de 14 a 26 quadros por segundo.

Com o som veio a padronização em 24 quadros por segundo. Os projetores passaram a ser construídos para funcionar a esta velocidade e assim os filmes mudos, quando exibidos, passavam a ter aquela movimentação frenética e exagerada que muita gente passou a associar ao cinema d'antanho. As cenas filmadas então ainda mais lentamente viraram verdadeiras palhaçadas que ninguém podia levar a sério.

No entanto, com o vídeo doméstico, principalmente a partir do laserdisc e depois com o DVD, os filmes mudos puderam reencontrar a velocidade para a qual foram pensados. O blogueiro, por exemplo, sempre entendeu que O GABINETE DO DR. CALIGARI era um filme seminal para a sétima arte, mas passou a gostar muito mais dele depois que viu a versão digital, com os personagens se movendo com mais naturalidade e seriedade. Sempre que a fita passava no cinema, podia se contar com o público caindo na gargalhada pelo menos na hora em que o pai da mocinha corria até a cama vazia e se atirava nela desesperado por sua filha ter sido raptada pelo Conrad Veidt(2).

A turnê mundial de METROPOLIS exibiu o longa a 20 quadros por segundo, dando gravidade aos momentos mais dramáticos e seriedade no resto da fita. Segundo contam, é claro. Fritz Lang deu à sua obra tons expressionistas e nunca foi muito chegado ao naturalismo, daí ser até passável a velocidade maior, que de certa forma combina com a estilização das atuações. Mas talvez o filme realmente ganhe mais majestade e seriedade projetado na velocidade em que foi filmado (3).

Mas esses parágrafos todos aí em cima foram uma digressão. Em sua atual versão restaurada, METROPOLIS realmente já funciona como um filme coeso, embora com o final meloso e picareta. E o que mais chamou a atenção do blogueiro foram as atuações, mesmo que fora de sincronia. Rudolf Klein-Rogge, depois de criar nas telas o supervilão maquiavélico e manipulador que todo mundo imitaria depois, o dr. Mabuse, aqui encarna um arquétipo de cientista louco. E enloquecido porque o principal cidadão de Metrópolis roubou sua mulher, que morreu no parto do filho dele, o mocinho (4). Alfred Abel é frio e contido com inferiores, condescendente com Rotwang, o cientista louco, e ajoelha lentamente com as mãos na cabeça ao ver o filho correndo pelos telhados lutando por Maria.


Mas a melhor de todas, que nunca tinha chamado minha atenção, é Brigitte Helm. Fazendo o duplo papel que atores adoram, ela, aos 19 anos, está sensacional. Parece duas mulheres diferentes mesmo. A foto ilustra o nascimento de sua contraparte maligna, quando o robô ganha suas feições. Basta ela abrir os olhos para sabermos que essa roboa não é boa coisa. Depois ela ainda vai fazer uma dança seminua (que realmente, à velocidade de 24 quadros por segundo parece mais uma comédia do que algo erótico). As suas duas versões se movem de maneiras completamente diferente. E, apesar de toda a estilização sua pantomima nunca cai no exagerado.

Helm ainda mataria a pau na versão muda de Alraune, como uma mulher criada artificialmente e que se mostra uma vadia que faz um jogo de sedução com o próprio pai, filme do qual o blogueiro só viu as fotos e pode dizer logo de cara que ela parece outra mulher completamente diferente.

Helm faria sucesso no mercado internacional ainda com Gold e Atlântida, de G. W. Pabst, em que mostrava que poderia muito bem ser aproveitada por Hollywood, com uma excelente dicção na versão em inglês(5). Mas em 1935, aos 27 anos, apenas oito depois de estrear no cinema com METROPOLIS, ela cansou dos nazistas e largou a sétima arte pra ir morar na Suíça com seu segundo marido, com quem teve quatro filhos. Hoje em dia soa tão estranho alguém largar o estrelato pra levar uma vida tranquila, ainda mais com toda a capacidade, sensualidade e beleza que conseguia projetar que é quase alienígena nesta época de Big Brothers e afins.

(1) Será que a TVE também tinha uma versão completa do filme? Pena que não prestei muita atenção.

(2) Em 2005, com a mania da "tela verde" a pleno vapor (lembram do Capitão Sky?), David Lee Fisher refilmou Caligari como um filme falado, muitas vezes pondo os novos atores digitalmente nos cenários da fita original, seguindo a maior parte do tempo enquadramento a enquadramento o clássico de 1919. O blogueiro tem curiosidade em ver esse troço.

(3) Os produtores do DVD, da Kino, uma firma bastante empenhada em recuperar a história do cinema, alega que o longa originalmente foi exibido a 24 quadros por segundo, mas seus críticos dizem que foi contra a vontade de Lang, para tentar diminuir as mais de três horas originais de filme.

(4) Na vida real, a roteirista de METROPOLIS, Thea von Harbou, futura nazistona (como se poderia prever pelo final que deu ao clássico), era esposa de Fritz Lang, que a "roubou" do amigo... Rudolf Klein-Rogge. Que nervos os da mulher, hein?

(5) Por causa de sua atuação como a roboa (6), Helm chegou a ser considerada para o papel principal de A NOIVA DE FRANKENSTEIN.

(6) A roboa, em sua forma metálica, era feita de plástico moldado sobre um modelo em gesso de Helm. Era ela mesma quem estava dentro da coisa, por exigência de Lang, que fez ouvidos moucos às reclamações da atriz de que o troço era incômodo, machucava, cortava, e o público jamais saberia se ela estava ou não ali dentro.

Outubro 31, 2009

O Leitor


Outubro 30, 2009

XKCD, por Randall Munroe


1. "Ei, belo netbook" "O quê?"
2. "Seu lépetopinho. Eu só..." 'Não, o que você está fazendo falando comigo"
3. "Quem você pensa que é? Se eu estivesse minimamente interessada, eu teria demonstrado"
4. "Ei, todo mundo, esse cara está me paquerando" "Ha, ha!" "Patético" "Vamos por sua foto no Orkut pra alertar outras..." "Caro blogue, o rapaz bonito do meu lado, continua me ignorando"




A Fronteira Final - A Primeira Temporada de JORNADA NAS ESTRELAS - A série clássica



O Senhor de Gothos


Anteriormente: Primeiro Comando

Delinquência juvenil espacial onipotente parece ser um problema sério na Via Láctea do século XXIII. Pelo menos é o que se depreende de “O Senhor de Gothos”, exibido pela primeira vez cinco meses depois de “O Estranho Charlie”. Em ambos uma criança mimada com superpoderes arma o maior auê na Enterprise até que seus pais venham levá-lo de volta puxando-o pela orelha, justo na hora em que o capitão Kirk (quem mais?) está lhes ensinando o que significa ser homem.

A fartura americana do pós-guerra, que transformou os Estados Unidos numa enorme nação de classe média criou a famosa cultura suburbana dos anos 50. Subúrbios lá, como os leitores devem saber, de comum com os nossos só o fato de serem longe do centro. Buscando escapar do cada vez mais desordenado crescimento das massacrantes megalópoles, a família média estadunidense se mudou para bucólicos condomínios de casinhas com cerquinhas brancas longe de toda aquela complicação barulhenta das cidades. Só que também longe do convívio com outros tipos de pessoas, longe do comércio variado, longe de bibliotecas, teatros, cafés, restaurantes, botequins... enfim, já deu pra pegar o quadro.

Embora a liberação feminina ainda fosse incipiente (trabalhar fora pra substituir os homens nas linhas de montagens pra guerra foi fundamental pras mulheres se tornarem mais independentes), já havia mães que trabalhavam fora, ou simplesmente tinham mais o que fazer do que comprometer tudo em sua vida em favor do lar e das crianças. Empregadas e eletrodomésticos estavam disponíveis pra cuidar da casa e a televisão pra tomar conta da garotada. E com dinheiro e tempo sobrando, a preocupação das mães em terem mais lazer e atividades pra si mesmas aumentou.

Resultado: em 1960 os americanos já tinham cozinhado a mistura que faria a geração Barra da Tijuca famosa. Crianças mimadas, isoladas do mundo real, criadas meio largadas pelos pais, cheias de grana, cujas referências da vida vinham não de vivência, mas do que viam na tevê e no cinema, começavam a tomar conta da América, achando todas – como dito em “Clube da Luta” - que se tornariam estrelas do cinema ou do rock e, por isso, sem a menor disposição prum trabalho de verdade.



O estranho Charlie é tímido, mas se arrumasse uma turma de vizinhos que nem ele estava pronta mais uma galera pitboy. Trelane, o Senhor de Gothos, também não tem amigos e seu “programa de televisão” favorito é observar a Terra. Como Gothos está a novecentos anos-luz do nosso planeta, ele se veste e se comporta como um general do império onde o Sol nunca se põe, o inglês. Com direito a decoração e acessórios do final do século XVIII, início do XIX, incluindo um cravo. Sim, eu sei, se a série se passa no século XXIII, Trelane deveria estar vendo o nosso Renascimento e se fantasiar de italiano, mas a essa altura os roteiristas ainda não tinham se fixado numa época exata (a data estelar foi inventada justamente pra evitar dar uma data específica) e sugeriam que a história se passava entre duzentos e oitocentos anos à frente.

Aliás, com a corrida espacial a toda, ela era um assunto tão quente na época quanto computadores hoje, e os escritores nem se deram ao trabalho de explicar que Trelane veria a Terra no passado devido à relatividade e a velocidade da luz, supondo que seu público saberia. Mas Trelane não sabe. Como suas referências não provêm de experiência pessoal, o fogo na lareira não aquece e nem consome a lenha, a comida e a bebida não têm gosto e todo o ritual cortês de começo de revolução industrial não tem substância. Como descreve Spock, Trelane é conhecimento sem intelecto e poder sem sabedoria e por isso está preso numa infância interminável, apesar de sua aparência de meia idade.

Trelane se veste com roupas floreadas da Terra, é obcecado com a agressividade humana e é um alienígena virtualmente onipotente, mas não é o Q da Nova Geração. Pra começar, ele adora a agressividade da nossa espécie. Crianças mimadas isoladas, como psicopata de filme americano, querem apenas sentir alguma coisa. Qualquer coisa. É assim que se criam os pitboys. Basta ver como Trelane reage quando é enganado por Kirk. Ele condena o capitão à morte num julgamento picareta e fica feliz por ter sentido raiva. Kirk então se oferece para lhe proporcionar ainda mais emoção: se o Senhor de Gothos liberar sua Enterprise, ele se deixará ser caçado até a morte. Como prometido em “Tempo de Nudez”, Kirk faz de tudo para salvar sua nave. Ele nunca a abandonaria.

Segue-se a caçada humana, na tradição de “Zaroff, o Caçador de Vidas”, deixando bem claro que seriados dos anos 60 com problemas de tempo e orçamento não deviam mesmo tentar cenas de ação complexas. Pateticamente encenada, a perseguição pode até fazer Trelane se sentir mais vivo do que nunca, mas é completamente controlada por ele – nunca houve competição nela, na verdade. Kirk faz o que pode, mas quando o onipotente alienígena diz que “ganhou” o jogo, é demais pro nosso capitão, que com uns tapas na cara demonstra ao meninão que não há vitória se não houver mérito. O extraterrestre é derrotado moralmente e, sem saber o que fazer, tanto ele quanto o roteirista, são felizmente ambos resgatados pelos pais do Senhor de Gothos, que aparecem providencialmente, pedindo desculpas a Kirk e falando com seu garoto que se ele não souber tratar seus animais de estimação, não vai ter nenhum.



Enfim, “O Senhor de Gothos” é bastante similar a “O Estranho Charlie”. Nossos heróis são menos passivos aqui, por duas vezes derrotando – pelo menos moralmente – o onipotente da semana, mas novamente precisam da ajuda de um semideus ex machina pra se safarem. Paul Schneider, autor do sensacional “Equilíbrio de Terror” (ponha linque aqui) é melhor escritor do que D. C. Fontana e prefere um tom mais irônico neste episódio. Os diálogos também são melhores e, embora com menos tensão – principalmente sexual, já que no início da série o assunto estava mais à tona – Schneider sublinha melhor que, se não deixarmos de lado nossas fantasias pra viver nossas vidas de verdade, corremos o risco de envelhecer sempre tentando vivê-las através de filmes e velhos seriados de tevê... epa, peraí, deixa eu reformular isso...


Digno de nota:

Contagem de corpos: Estão todos vivos, Jim.
Avistamentos de tenente Leslie: é o dia de glória de Eddie Paskey. Com todo mundo no planeta abaixo ou na sala de transportes, é ele quem senta na cadeira de comando – embora tudo que vejamos seja ele levantando quando o capitão volta.
O sugador de sal de “O Sal da Terra” (ou pelo menos a roupa picareta do monstro) está em exibição na sala de troféus de Trelane e é desintegrado com um phaser.
A voz da mãe de Trelane é de Barbara Babcock, a deliciosa jovem balzaca loura de “Um Gosto de Armageddon”. Ela ainda apareceria duas vezes mais na série e seu corpo longilíneo, em contraste com a fartura curvilínea da mulherada espacial, a faz uma beleza mais contemporânea.

Em Nome de Deus



Jà tinha postado essa letra aqui há muito tempo, mas agora resolvi botar a versão do Sérgio Sampaio cantando. A letra é maravilhosa e uma das últimas obras-primas do capixaba genial. Quem gostar dele, logo abaixo tem ele tocando a lindíssima "Tem que Acontecer"

Eu nunca pensei que pudesse querer
Alguma mulher como quero você
Se o mago soubesse
Juntasse o meu nome em S
Ao seu nome em C
Nas cartas de todo tarot que houver
Em todo o I-Ching eu podia não crer
Mas tudo é tão verde em seus olhos
Não dá pra não ver

Mas tudo é tão verde em seus olhos
Você que se esconda, que eu vou procurar
Você nem se iluda, que eu vou lhe encontrar
Você pode ir e sair e sumir por aí
Que não vai se ocultar
Eu vejo seu rastro onde ninguém mais vê
Eu pego carona até na Challenger
E vou nos anéis de Saturno buscar por você

E vou nos anéis de Saturno
Sem ser João Batista, você batizou
Meu corpo na crista das ondas do mar
E aí me abriu feito ostra
E colheu minha pérola pra Yemanjá
Agora que estou à mercê de sua luz
Em nome de Deus, me carregue
Me pregue em sua cruz

Em nome de Deus, me carregue

Outubro 27, 2009

Arquivo X (Segunda Versão)

Ainda ouço teus beijos percorrendo minha pele
Ainda vejo tuas juras de amor escaldadas
esticadas ao sol
ressecadas
como a pele de um extraterrestre
acidentado
Seu último pensamento para a família
A anos-luz de distância

Como se tivesses olhos nos dedos
Saboreio ainda o cheiro de teu perfume
Parasitado por meus poros
E lembro sim ainda lembro bem
Da tua lágrima

E eu uma Terra oca
Uma chama eterna brilhando
Escondida da vista de todos
Teorizada por charlatães e mistificadores
Desacreditada por todos

Segredo

E ela levantou e pegou a blusa, a calça
e o resto

E voltou pra se despedir
Já de novo um segredo cercado de roupas
Como as tantas outras
Com que cruzamos pelas ruas

Churrasco do Zé III

Os homens invejam Zé José


As mulheres desejam Zé José

Busto


Pensativo
A frase do dia: "Fui trabalhar no Tribuna Bis e ninguém me comeu" (sic)

Rito de Passagem

Na adolescência, quando tentava juntar alguns amigos pra jogar War, ou Telejogo e passava por aqueles que já estavam namorando ou que todo mundo já sabia que tinha perdido a virgindade, eu me sentia diminuído porque qual o interesse que alguém teria em jogar alguma coisa- simular uma vida real - depois que iniciasse sua vida sexual?

Depois de uma namorada que pulava ainda nua da cama pra jogar no computador, outra viciada em gamão e outra que num intervalo foi aprender a jogar Battle Chess, quinta meus amigos vão dar uma passada aqui pra jogar Wii.

Onde foi exatamente que perdemos a seriedade dos nossos pais?

Churrasco do Zé II







Por Que Carlos Alberto é Imprescindível Para o Vasco

Não porque faça jogadas geniais, mas porque não o deixam fazer. Muito de vez em quando ele faz um belo gol ou, mais provável, faz a jogada de outro, mas a maior utilidade dele tampouco é armar o time - ele prende a bola e várias vezes os laterais passam por ele sem receber e ficam parados, esperando (um dos motivos da aparente queda de produção do Ramon).

Não, a grande utilidade do Carlos Alberto é que nenhum adversário termina o jogo com onze. Desde que o sujeito aprendeu a não reclamar e deixou de ser expulso e levar amarelo quase sempre, ele apanha, e apanha muito. Não soltar a bola o deixa mais exposto aos marcadores e ele usa muito o corpo. O povo da segundona tem pânico dele, afinal, é o único jogador de nome e fisicamente no auge a estar disputando a série B. Os outros "famosos" são gente como Iranildo e Fumagalli.

Então, o que acontece? Os adversários do Vasco ficam apavorados que ele possa fazer alguma jogada genial. Olham os vetês dos jogos e veem que ele não fez nenhuma. E que ele apanhou muito. Correlacionam as duas coisas e começam a bater no cara. E tome amarelo, tome falta perto da área, tome vermelho.

Carlos Alberto chegou num ponto na carreira em que sua grande utilidade é ser um alvo móvel.


Churrasco do Zé I

Alô, Amigos!
A Bela e a Fera
Só a Bela (este é um blogue machista)
Pombas, devolve minha câmera!
Como sempre, continuo um sucesso entre as mulheres
Ana Sílvia posando de egípcia.
O gêmeo gente-boa da dupla Traz-Traz
Zé José fantasiado de Octávio Medeiros
Sílvio no meio do pensamento profundo
Cuidado! O HÍBRIDO vem aí e beberá todas as cachaças do Universo!

Outubro 26, 2009

NFL

Restam três times invictos. Os Broncos parecem encaminhados pros playoffs, embora a tabela piore cada vez mais a seguir. Têm uma defesa firme e um ataque que protege bem a bola, mas não é brilhante. Times assim costumam parar no meio do mata-mata.

Os Colts ano passado tiveram um Peyton Manning contundido, o que foi uma pena, porque a defesa jogou pra burro. Principalmente no jogo de playoff em que foram eliminados. Roubaram duas bolas dos Chargers quando eles já estavam na zona quente, prontos pra pontuar, e seguraram os donos da casa até o final. O melhor quarterback do mundo, Manning, fez o que pôde, mas o time perdeu um jogo quando seu corredor, Joseph Addai, não conseguiu andar uma jarda e meia em duas tentativas. Com um jogo corrido medíocre, não deu pro Manning carregar os potros.

E os potros SÃO o Manning. Como já disse um jogador do time, off-the-record, eles deviam se chamar Indianapolis Peytons. Tom Brady é excelente quarterback e tal, mas tem um time que, se ele sair, continua de pé, como visto ano passado. Enquanto isso, lá em Indiana, há um ataque com montes de recebedores, uma linha ofensiva especializada em proteger o Manning e nem tanto em bloquear e abrir caminho para os corredores, que também são recrutados pela sua capacidade de correr E receber. A defesa é leve e ágil, especializada em proteger contra o passe. A ideia é que o ataque fará muitos pontos, graças ao Manning, o adversário vai ser obrigado a desistir da corrida e tentar o jogo aéreo por estar atrás, e daí que o sistema cover-2 recriado pelo Dungy e mantido pelo atual técnico vai evitar jogadas longas.

O problema é que cobrir o passe exige jogadores rápidos e relativamente pequenos e ágeis. A defesa dos Colts não é boa contra a corrida e contra times grandes, pesados e fortes. Daí que todo mundo tenta correr contra eles pra gastar o tempo e evitar várias posses de bola pra cada time - quanto menos Peyton Manning em campo, menos chance de ter que sair atrás de um placar dilatado.

Quem vem bem são os Saints, com o Drew Brees jogando tudo, uma defesa pesada e corredores que finalmente estão conseguindo correr. O favorito pra campeonato até agora.

Urca 2009




O Ataque das Violinistas Ruivas

Outubro 25, 2009

Em Busca da Festa Perfeita



Depois do churrasco do Zé, emendamos no Circo pra ver o Júpiter Maçã, o primo do Dario, que eu não via desde a época em que ele era anos 70 e cantava nos Cascavelettes. Agora ele virou mezzo mod mezzo Jovem Guarda e manda ver o som que é a cara do pessoal da ECO. E do pessoal da noite todo.

Chamem os Tanques!

Porque caiu o helicóptero. O pessoal tem essa obsessão por forças armadas para combater o crime. É mais pra ter uma vingança por causa da frustração que sentem com tiroteios, com ônibus queimados, com os dias em que a cidade para por ordem dos traficantes... que se foda a sanidade. Lembra o policial que matou o bandido E a refém porque deu uma rajada de metralhadora na cabeça do marginal que desceu do ônibus 174... e foi APLAUDIDO?

A ideia de que a políca é mal armada é um erro. Policiais têm FALs o bastante pra encarar a marginália - ou deveriam ter, já que toda patrulhinha que passa pela gente tem eles exibindo seus AR-15 ou o FAL suíço em pessoa. O grande problema da polícia é a corrupção e a falta de comprometimento da sociedade com a erradicação mesmo do crime. Como em APOCALYPSE NOW, quando o coronel Kurtz cria sua própria milícia e imediatamente assassina alguns altos oficiais do regime aliado vietnamita. É que Kurtz achava que os americanos não estavam levando a guerra a sério. Os altos oficiais estavam vendidos aos vietcongues, mas ninguém fazia nada por causa da posição deles. Já no Rio os cidadãos querem o fim do tráfico, mas não estão a fim de aumentos nos impostos pra aumentar a verba dos policiais, não querem reformular as polícias, não querem sair às ruas ou se organizar pra exigir o impedimento de parlamentares ligados ao crime organizado ou a demissão de corruptos, não querem parar de consumir entorpecentes, não querem ajudar a melhorar a distribuição de renda ou a educação pública...

E, enquanto isso, sonham com o exército moralizando tudo. Nem se tocam que, se a bandidada está usando armas de uso exclusivo das forças armadas, elas só podem ter vindo de UM lugar. E acreditam que um bando de conscritos sem um níquel, com 18 anos e armados de FAL vão ser imunes à corrupção - do dinheiro ou mesmo do poder. Vejam o que aconteceu com Raul Capitão.

Coração Tranquilo - Walter Franco



O espetacular Walter Franco num programa de tevê que não deu certo do Nelson Motta, o "Mocidade Independente", do final dos anos 70. O show não funcionou por um motivo muito simples, que todo mundo avisou pro Nelsinho: aos sábados a noite a juventude, que era o público-alvo simplesmente não estava em casa pra assistir, numa época sem reprises, videocassetes e afins.

A primeira vez em que ouvi esta música, depois de comprar num sebo o vinil do "Respire Fundo" (e também o "Vela Aberta"), em 2001, eu pensei que teria sido ótima pra dar pra Vânia ouvir. E ela teria adorado. Eu me lembro de quando eu contei pra ela a letra de "you gotta be", da Des'ree (você tem que ser malvado, você tem que ser bravo, você tem que ser mais sábio).

A versão do disco tem uma grande vantagem, uma sanfoninha que deixa mais explícito ser a canção um forró, mas esta apresentação ao vivo tem mais garra - o que talvez contradiga a mansidão pregada pela letra. Mas quem se importa? Walter Franco é bom pra caralho.

Outubro 10, 2009

Oração (Terceira Versão - a pedidos)

Perdoe-me, Pai, pois cometi atos... questionáveis... muito amor prometi a mulheres apenas para tê-las a meu lado. Muitas levei a mostras de filmes... de livros... restaurantes caros e lojas caras e as afoguei num mar de citações, pois esqueci que mesmo sabendo a língua dos Anjos, sem amor eu nada seria. Mesmo em presença delas, desejei outras e na realidade nenhuma desejava, pois da minha vida em meio à jornada, achei-me em selva tenebrosa, tendo perdido a verdadeira estrada. Escolhi os líderes errados e segui Verdades tão confusas quanto eu. Odiei os que me queriam bem por serem felizes e não me fazerem feliz e chamei de invejosos àqueles que não se curvaram aos meus caprichos. Fomentei o desprezo por todos os atos de piedade e compreensão para que eu não tivesse que me apiedar ou compreender os outros. Eu pequei, Pai, reneguei tudo em que acreditava - por dinheiro, poder e sexo, eu menti, enganei e trapaceei - e, em minha mesquinhez chamei meus pecados de maturidade... e êxito. Perdoa, Pai, este teu filho tão cruel, egoísta e covarde que nem mesmo perder-se conseguiu. Senhor, abençoa os cruéis e os egoístas, pois não conseguimos Te perceber e Te buscamos na imagem e semelhança de tantos corpos de barro tentanto enxergar o fantasma na máquina, tentando ver no outro a divindade que nós já perdemos.

Perdoa-me, Pai, por, com tudo que me deste, não Te agradar nem desagradar. Perdoa-me por aceitar que outros se penitenciassem por mim. Que outras o fizessem... Perdoa-me por nunca ter-lhes dito o quanto as amava... o quanto...

Um Celular com Câmera na Feijoada do Festival de Cinema 2009 no Sofitel




Zelig, Ana Sílvia e Bianca

Amor Elementar

Conte-me uma chuva
Macia, fina
Um pouco melancólica
E envolvente

Beije-me uma tempestade
Um temporal de verão
O sabor da grama molhada
O cheiro do ozônio
Os raios estourando
O ar abundando de água

Até que a terra encharcada
Seja uma lama indistinta de nossos pés
Uma úmida pasta de pó, planeta
E restos de mortos enterrados

E nós o fogo

Vizinhança V



A bela casa laranja por enquanto está segura, abriga a casa noturna Bukowski, que acaba de abrir filial na Mena Barreto. Na segunda metade dos anos 90, em sua localização original, acho que na Teresa Guimarães, foi um dos primeiros lugares a bancar nostalgia dos anos 80, tocando Smiths, Cure, Legião, Barão, essas coisas. Em homenagem ao bêbado genial, uma de suas poesias que eu mais gosto, seguida pela minha rápida tradução. (Cheque também o belíssimo poema de amor Yes Yes, já postado aqui duas vezes.)

SPLASH

The illusion is that you are simply
reading this poem.
the reality is that this is
more than a
poem.
this is a beggar's knife.
this is a tulip.
this is a soldier marching
through Madrid.
this is you on your
death bed.
this is Li Po laughing
underground.
this is not a god-damned
poem.
this is a horse asleep.
a butterfly in
your brain.
this is the devil's
circus.
you are not reading this
on a page.
the page is reading
you.
feel it?
it's like a cobra. it's a hungry eagle circling the room.

this is not a poem. poems are dull,
they make you sleep.

these words force you
to a new
madness.

you have been blessed, you have been pushed into a
blinding area of
light.

the elephant dreams
with you
now.
the curve of space
bends and
laughs.

you can die now.
you can die now as
people were meant to
die:
great,
victorious,
hearing the music,
being the music,
roaring,
roaring,
roaring.

A ilusão é de que você está simplesmente
lendo este poema
a realidade é que isto é
mais que um
poema.
isto é o canivete de um mendigo
isto é uma tulipa
isto é um soldado marchando
através de Madrid.
isto é você em seu próprio
leito de morte
isto é Li Po rindo
lá embaixo
isto não é a porra de um
poema.
isto é um cavalo adormecido
uma borboleta em
sua mente
isto é o circo do
demônio
você não está lendo isto
numa folha
a folha está lendo
você
pode sentir?
é como uma serpente. é uma águia esfomeada rodando pela sala

isto não é um poema. poemas são chatos
fazem você dormir

estas palavras forçam você
a uma nova
loucura

você foi abençoado, você foi atirado em uma
cegante área de
luz

o elefante sonha
com você
agora
a curva do espaço
se dobra e
gargalha

você pode morrer agora
você pode morrer agora como
todas as pessoas deveriam
morrer:
grandes,
vitoriosas,
escutando a música,
sendo a música,
retumbando,
retumbando,
retumbando.

Vizinhança IV



Uma casa típica botafoguense (e carioca) de fins do século XIX, início do XX. Botafogo, construído em cima de vários rios, sempre foi propensa a inundações durante chuvas, por isto as moradias costumavam ter sua entrada elevada. Também porque o principal meio de transporte era o cavalo. Suas fezes, misturadas com a chuva e a terra, ou ressecadas e espalhadas como poeira para também virarem lama quando chovia, eram presenças constantes nas cidades da época, que, calçadas com paralelepípedos e macadame, nem ao menos absorviam organicamente as coisas.

Incidentalmente, foi a tentativa de se livrar desta lama porca e malcheirosa, onipresente e dominante na urbe, que levou os urbanistas a abraçarem tão fervorosamente o automóvel quando ele surgiu e projetarem a cidade do futuro com amplas e largas ruas para dar vazão ao carro particular, o remédio tão aguardado para os detritos equinos. Foi também a sujeira que levou à ideia da cidade-jardim, amplos conjuntos habitacionais semiautônomos e postados no meio de amplos espaços. Típicas desta concepção são a Barra da Tijuca e Brasília. Os amplos espaços tornaram-se desertos e o desestímulo ao pedestre esvaziou as calçadas desses lugares, tornando-os áridos e pouco afeitos à presença humana.

Como diz Jane Jacobs, no monumental "Vida e Morte das Grandes Cidades", os criadores da cidade-jardim simplesmente odiavam tudo que fazia uma cidade: a concentração de serviços, postos de empregos, atividades, opções de lazer, gente a ser conhecida etc. etc. Somente nos anos 60 (lá fora) e 80 (por aqui) é que voltou-se a valorizar a comunidade de prédios pequenos, com comércio no térreo, todos próximos um do outro, dando vida às calçadas e aos bairros.

Rostos de Domingo


Saio pra passear no domingo e encontro o Serginho França, em sua personalidade de editor, tendo que encarar o longo caminho até a Bienal do Livro...


No domingo seguinte, vou fotografar a vizinhança e encontro outra editora, a Mônica Maia, voltando das compras no mercadinho da Álvaro Ramos e furiosa contra a campanha pela estação de metrô - "se abrir uma estação de metrô aqui, vai vir ponto de ônibus, ponto de táxi, camelô e acabou-se o que era uma bela rua residencial"...


Dez minutos depois encontro a autêntica dançarina dinamarquesa Lila Carl voltando de seu passeio na Urca.


Vou caminhar no Aterro e encontro a Lu Neiva, nossa eterna capitã, com a filha, entrando na Feira de Gastronomia no MAM... (foto com celular)


... onde tem alguns formandos tirando foto, tão felizes que até posam pra desconhecidos como eu (foto com celular).

Outubro 06, 2009

Oração (Segunda Versão)

Perdoe-me, Pai, pois eu cometi atos... questionáveis... muito amor prometi a mulheres apenas para tê-las a meu lado. Muitas levei a mostras de filmes... de livros... restaurantes caros e lojas caras e as afoguei num mar de citações, pois esqueci que mesmo sabendo a língua dos Anjos, sem amor eu nada seria. Mesmo em presença delas, desejei outras e na realidade nenhuma desejava, pois da minha vida em meio à jornada, achei-me em selva tenebrosa, tendo perdido a verdadeira estrada. Escolhi os líderes errados e segui Verdades tão confusas quanto eu. Odiei os que me queriam bem por serem felizes e não me fazerem feliz e chamei de invejosos àqueles que não se curvaram aos meus caprichos. Fomentei o desprezo por todos os atos de piedade e compreensão para que eu não tivesse que me apiedar ou compreender os outros. Eu pequei, Pai, reneguei tudo em que acreditava - por dinheiro, poder e sexo, eu menti, enganei e trapaceei - e, em minha mesquinhez chamei meus pecados de maturidade... e êxito. Perdoa, Pai, este teu filho tão cruel, egoísta e covarde que nem mesmo perder-se conseguiu. Perdoa-me por, com tudo que me deste, não Te agradar nem desagradar. Perdoa-me por aceitar que outros se penitenciassem por mim. Que outras o fizessem... Perdoa-me por nunca ter-lhes dito o quanto as amava... o quanto...

Senhor, abençoa os mesquinhos e egoístas, pois não conseguimos Te perceber e Te buscamos na imagem e semelhança de tantos corpos de barro tentanto enxergar o fantasma na máquina, tentando ver no outro a divindade que nós já perdemos.

Vizinhança III





O comércio de bairro. No atual ritmo, nossos netos não verão essas coisas.

Sérgio Sampaio

E, falando em poemas de amor terminado...



Não fui eu nem Deus
Não foi você nem foi ninguém
Tudo o que se ganha nessa vida
É pra perder
Tem que acontecer, tem que ser assim
Nada permanece inalterado até o fim
Se ninguém tem culpa
Não se tem condenação
Se o que ficou do grande amor
É solidão
Se um vai perder
Outro vai ganhar
É assim que eu vejo a vida
E ninguém vai mudar

Eu daria tudo
Pra não ver você cansada (zangada)
Pra não ver você calada (cansada)
Pra não ver você chateada
Cara de desesperada
Mas não posso fazer nada
Não sou Deus nem sou Senhor

Eu daria tudo
Pra não ver você chumbada
Pra não ver você baleada
Pra não ver você arriada
A mulher abandonada
Mas não posso fazer nada
Eu sou (sou só) um compositor popular

Loja de Doces em Copacabana









Decididamente as crianças de hoje não são como as da minha época.
Certo, eu sei sobre a sexualidade infantil, mas, raios, cadê o período de latência?

Número 8

Lawrence Ferlinghetti


It was a face which darkness could kill
in an instant
a face as easily hurt
by laughter or light

'We think differently at night'
she told me once
lying back languidly

And she would quote Cocteau

'I feel there is an angel in me' she'd say
'whom I am constantly shocking'

Then she would smile and look away
light a cigarette for me
sigh and rise

and stretch
her sweet anatomy

let fall a stocking


Tradução rapidinha:

Era um rosto que a escuridão poderia matar
em um instante
Um rosto tão facilmente vulnerável
ao riso e à luz

"Nós pensamos diferente à noite"
ela me disse uma vez
deitada languidamente de costas

E ela citaria Cocteau

"Sinto que há um anjo em mim", ela diria,
"a quem estou constantemente chocando"

Então ela sorriria e olharia para outro lado
Acende um cigarro pra mim
suspira e levanta

e se espreguiça alongando
sua doce anatomia

deixa cair uma meia

Vizinhança II




"Ninguém nunca usará mais do que 640 kb" (Bill Gates, anos 80)

Uma Lagartixa na Parede Não Significa Nada Mais Que Uma Lagartixa na Parede


Simpática, não? Deixa a minha gata vê-la...

Vizinhança I


Mais uma casa foi derrubada na Álvaro Ramos. Mudei-me pra esta área de Botafogo (Fernandes Guimarães, perto da rua da Passagem, Arnaldo Quintela, Álvaro Ramos, General Polidoro...) há seis anos e de lá pra cá dez prédios subiram nas cercanias. Tenho que fotografar a rua pra gente lembrar como era daqui a algumas décadas. Quando me mudei pra Marquês de Olinda, tirando meu prédio e mais dois, tudo era casa. Hoje em dia só sobrou uma. Por enquanto, entretanto, um velho hábito de um pequeno supermercado de perto: o frango da televisão de cachorro.

Um Celular com Câmera



Sento pra descansar no Centro durante a hora do almoço e esta borboleta maluca pousa (e posa) no meu tênis. E não sai de jeito nenhum.

Setembro 29, 2009

Não Acredite em Tudo que Você Lê nas Colunas de Futebol

Estava eu a ler o meu Globo de domingo, meus senhores, quando me deparo com uma de suas colunas esportivas. Fernando Calazans, a respeito da atuação do Fluminense da Copa Sul-Americana, diz que só a assiste a partir das quartas-de-final!

Pois vejam só, meus senhores! Um jornalista, não de um blogue qualquer da Internet, não de algum pasquim desses que vêm e vão, mas do Globo! O Globo onde já escreveu Nelson Rodrigues, esta lenda da crônica esportiva! Pois não é que no Globo hoje em dia seus colunistas nem ao menos se sentem na obrigação de... ver jogos?

É por isto que a crônica esportiva de hoje é tão difícil de se ler. É por isto que a crônica esportiva tornou-se esta crônica pragmática, interessada apenas em manter leitores. Onde estão o encanto e o conhecimento do futebol de um Mário Filho, um João Saldanha, um Sandro Moreyra? Como se pode levar a sério a opinião de alguém que nem ao menos se dá ao trabalho de ver jogos de futebol?

É por isto que cada vez mais o jornalismo impresso vai perdendo mais e mais leitores. É por isto que os jornais estão em crise e perdendo seu público. Não há organização, não há preocupação com o conteúdo, apenas com o resultado. É por isto que grandes jornais cariocas como O Dia e o Jornal do Brasil encontram-se em situação tão desesperadora na tabela e sem perspectivas de salvação pela frente.

Tudo bem, isso aí em cima é um pastiche do próprio Fernando Calazans. Não o conheço, mas dizem que pessoalmente ele é MUITO gente-boa, o que se sobressai ainda mais num meio com tanto interesse escuso intrometido. Pelo menos sabemos que ele não faz coisas como, por exemplo, perseguir laterais esquerdos porque eles tiveram um caso com a mulher dele. Mas é esse tipo de pensamento, de não acompanhar jogos, que fode com a crônica esportiva e o próprio pensamento do torcedor. O torcedor não é desafiado a pensar, já que o colunista que não vê jogos acaba caindo sempre nos mesmos clichês, "tem que atacar pelas pontas" e "o futebol hoje em dia está muito defensivo e a tradição brasileira é atacar". Desde os anos 40, quando Flávio Costa e os irmãos Moreira começaram a criar a marcação por zona que os jornalistas defendem essa tradição do ataque. Em 1958 a semifinal do Brasil punha frente a frente o melhor ataque contra a melhor defesa - e a melhor defesa era a do Brasil, primeiro time a jogar com QUATRO ZAGUEIROS (todo mundo jogava com três) e marcar por zona.

Essa coisa de não assistir a jogo é terrível. Quantas vezes nos anos 80 e começo dos 90 já não vimos técnicos de seleção convocarem um sujeito porque ele marcou um golaço no fim de semana e apareceu no Gol do Fantástico? Em 1998, o Zagallo convocou pra lateral direita Zé Carlos, que era MAIS UMA revelação do São Paulo, jogava pra burro e merecia vaga no escrete. Quando ele chegou, Zagallo levou um susto quando soube que ele tinha 29 anos! Cacilda! Zagallo não via ele jogar, não?

Outro dia o Mourinho apareceu no Sportv. Mourinho é aquele técnico português que foi campeão europeu com o Porto, com o Chelsea e agora está na Inter de Milão, que passeou no campeonato italiano. Logo de cara ele fez uma brincadeira com os repórteres, "minha mulher odeia vocês". "Por quê?" "Porque eu fico vendo os jogos que vocês passam". Um europeu assistindo os jogos do Brasil. Não é à toa que ele costuma acertar nas contratações. Vocês imaginam o Joel Santana acompanhando as partidas europeias pela tevê? Ou o Renato Gaúcho?

Quem acompanha aqui no Brasil é o PVC. Ele é capaz de dizer se qualquer jogador vagamente conhecido no mundo joga bem ou não. Ele é capaz de desfiar os esquemas das equipes e dizer porque ganharam ou perderam sem apelar para "fechou muito o jogo pelo meio" ou "tinha só um atacante isolado" ou "recuou muito depois do gol". Assistir aos comentários dele - e de outros, como Tostão - é aprender mesmo sobre o esporte, como ele funciona. Pra maioria dos comentaristas, futebol é que nem pelada de rua, todo mundo partindo pro ataque e no máximo um gordo lento na defesa. Curiosamente, sempre que um time de pelada tem um ou outro zagueiro que entenda do assunto, ganha as partidas todas.

Setembro 27, 2009

Festival do Rio 2009

Bad Lieutenant

Port of Duty: New Orleans

de Werner Herzog


O total e completo desespero é o primeiro passo para a verdadeira fé. Não me lembro de quem disse isto, mas os personagens do Abel Ferrara estão sempre próximos de dar esse primeiro passo. Desde seu longa de estreia, “O Assassino da Furadeira”, o diretor povoa a tela com sujeitos que de sua vida em meio à jornada acharam-se em selva tenebrosa, tendo perdido a verdadeira estrada, desde a supracitada criatura com a ferramenta mortífera - que busca a redenção pela arte e, falhando, pela morte (a princípio dos outros) - até o tenente mau do filme cult de 92, que tem uma epifania e acaba dando mesmo o primeiro passo e encontrando finalmente a tal da fé.

Contando a saga de um policial tão perdido em seus vícios e instintos que nem nome tem, insensibilizado pela sua profissão e tentando preencher seu vazio com todos os tipos de drogas, abusos e comportamentos autodestrutivos, Abel Ferrara concatenou provavelmente a fita americana religiosa mais surpreendentemente sincera desde “Barrabás”. A estrada para a redenção do tenente mau começa quando ele encontra uma bela e jovem freira, estuprada (até com um crucifixo) por dois rapazes. Ela sabe quem eles são, mas não dirá seus nomes porque os compreende e perdoa. Daí que Herzog refilmar esta história deixou todo mundo embatucado: além da aparente desnecessidade de uma nova versão pruma produção recente, cult, visceral e pessoal, e de estar trabalhando com um roteiro alheio, o alemão sempre esteve mais para o lado dos ateus, embora não necessariamente materialista. O que ele ia fazer com essa história de salvação nas mãos?

Bem, diz o Herzog que sua obra não é uma refilmagem ou adaptação da anterior. Que por ele o filme se chamaria só “Port of call: New Orleans”, mas alguém na produção detinha os direitos pro título “Bad Lieutenant” e queria meio que começar uma franquia. Tá bom. Vai ver esse alguém na produção viu que estava trabalhando numa história sobre um tenente de polícia drogadão, que assedia sexualmente menores, que tem problemas com apostas e que até mesmo trafica drogas e disse, “ei, eu já vi isso antes!”

Só que ele teve a vantagem de ver com o Harvey Keitel. O tira perdido da vez é o Nicolas Cage. Que começa o filme já no meio de um monte de referências bíblicas: uma serpente e um dilúvio. Ele é apenas mais um tira corrupto e cruel como seu parceiro Val Kilmer (Val Kilmer num Herzog?), mas em vez de levar a sério uma aposta sobre quando um prisioneiro vai se afogar na cela trancada durante a enchente do Katrina, ele acaba mergulhando na inundação pra salvar o vivente. Garante seu lugar no recomeço pós-diluviana, promovido a tenente, mas ganha em consequência um problema crônico de coluna.

Com a sutileza que lhe é característica, Nicolas Cage passa o filme todo torto e com as omoplatas encolhidas, num andar que rapidamente destruiria qualquer resquício de coluna vertebral. Tudo bem que não tem ele chorando nu e crucificado como fez o Harvey Keitel 17 anos atrás, mas com uma postura que imediatamente lhe garantiria dispensa até de um emprego de testador de colchões, é muito estranho que um bando de argutos policiais não perceba a óbvia metáfora para o peso do mundo que ele parece carregar. Como o tenente sem nome do filme do Abel Ferrara, o tira de Nova Orleans se afoga em drogas, descarrega sua frustração com abusos de poder, e frequenta prostitutas. Na verdade, não, namora uma prostituta de luxo. Mas a diferença entre os dois tiras e os dois cineastas fica clara logo na primeira sequência: o do Herzog tem um nome.

É porque o alemão é mais humanista do que teísta e a estrada para a salvação de Terence McDonugh começa quando ele investiga a morte de uma família africana com três crianças, inclusive uma assassinada logo depois de escrever um poema sobre seu amigo peixe, que olha para ele enquanto ele dorme. Torto, sem dormir, sentindo-se dimunuído frente aos clientes ricos de sua namorada, consumindo drogas à vista dos espectadores o tempo todo, o tenente mau ainda assim mostra inesperada perícia em seu trabalho. Pois ele acredita que solucionar o crime e levar o mais mau ainda chefão das drogas local à cadeia irá redimi-lo.

Herzog bota a fita de pé sem muito de suas costumeiras imagens líricas, mas quando estas aparecem, botam pra quebrar, como no assassinato dos capangas que acaba num espetáculo de street dance (não pergunte). Infelizmente, um tom corriqueiro num thriller policial não é o mesmo que um tom corriqueiro numa trama sobre uma expedição ao Amazonas no século XVI – é o que as séries de tevê gringas gostam fazem desde os anos 70. Mas o Werner é um cineasta que sabe tudo do ofício e rola a história com fluência e naturalidade sem precisar, graças aos céus, usar uma câmera tremendo como se segura por um atacante brasileiro na véspera da final contra a França em 98. Com toda a estabilização de imagem eletrônica, aparelhos cada vez mais leves e até mesmo a maior familiaridade de todo mundo com as cada vez mais onipresentes câmeras de vídeo, as únicas criaturas que ainda filmam tremendo como se estivessem com mal de Parkinson são os diretores de fotografia americanos (e alguns brasileiros).

E assim, sob esta sólida cinematografia, o corrupto Terry vai se afundando cada vez mais na mediocridade, assumindo mais e mais responsabilidades – a certa hora ele tem o carro cheio com um cachorro, uma prostituta e uma testemunha jogadas sobre suas frágeis costas - sem esboçar uma reação, apenas se deixando levar pelos acontecimentos. Até que eles fogem completamente de seu controle. E é aí que surge a diferença entre os dois cineastas de tenentes maus. O tira do Herzog vai tomar a tenebrosa estrada para o inferno e, como num livro de autoajuda às avessas, tenta reassumir o controle de sua vida – e sua identidade – quebrando até mesmo seu controvertido código de ética e desprezando todas as convenções. Este é o caminho para a excepcionalidade, a fuga a todas as trivialidades e futilidades burguesas que povoam a eternidade inútil do Nosferatu do cineasta. Associando-se aos assassinos da família africana, armando resultados de jogos, participando até de assassinatos, o homem, que a um ponto aceitou que sua namorada desse pra dois capangas pra se livrar de uma enrascada, consegue finalmente a solução para suas dívidas, para seus casos pendentes e para a promiscuidade de sua garota (Eva Mendes! Uau!).

Novamente de posse de sua vida – e de sua arma, uma Magnum 357, o revólver do Dirty Harry, o óbvio símbolo de sua masculinidade, que ele deixa o tempo todo à vista mal enfiada em sua virilha - ele consegue uma promoção, uma casinha com jardim e uma namorada grávida, uma prostituta casta. O sonho americano. Mas, escondido de todos, ele continua achacando menores e cheirando adoidado, até reencontrar o prisioneiro que salvou no começo da fita e os dois vão parar no aquário municipal. Apesar de tudo, Terry continua procurando alguém que olhe por ele enquanto ele dorme. Por um instante, parece que Herzog andou abraçando se não alguma religião, pelo menos um pensamento místico oriental. Até que Nicolas Cage, sutil como sempre, sorri, como se percebendo que nada daquilo faz sentido. E fade. Fim. Para Herzog, vem para todos.

Setembro 26, 2009

Se Eu Fosse Uma Turista Inglesa Obesa de Meia Idade no Caribe Jogando Palavras Cruzadas (Hoje Conhecido como Scrabble)...




Tudo que eu quereria seria uma celebridade doidona esfregando os peitos no meu braço e dando palpites como se me conhecesse há tempos.

Ela Continua Depilando Lá Embaixo


A sempre confiável Britney Spears.

Quando o Rio de Janeiro foi Reconstruído

Foi um monte de vezes, mas o que nós conhecemos é este cheio de arranha-céus e de onde foram banidas as casas dos bairros do Centro pra Zona Sul. Botafogo, que ainda tinha muitas em bom estado, está sendo posto abaixo neste momento. Desde que me mudei para a rua Fernandes Guimarães (uma das primeiras daqui!), perto da rua da Passagem, já vi subir oito prédio nos quarteirões adjacentes. Mais dois vão ser construídos.


Às vezes, vendo fotos nem tão antigas assim, do rio até os anos 50, mesmo anos 60, a cidade, apesar de grande, tinha outro perfil (lembrem-se que estou falando da área mais valorizada da cidade - os subúrbios ainda têm muitas casas, mas, embora sua densidade populacional ainda seja bem menor, elas estão sendo substituídas por prédios, ainda que mais baixos em suas contrapartes mais caras). Vendo fotos de prédios históricos ou bonitos ou mesmo tão alienígenas quanto o do Elixir de Nogueira (no cartão postal obviamente fora de escala), sempre ficamos pensando como puderam derrubar tais verdadeiros monumentos.

Pois é fácil descobrir o porquê: acabo de assistir ao blu-ray (chique, hein?) do épico em Cinerama (a imagem é espetacular, mesmo com as distorções de perspectiva) A CONQUISTA DO OESTE. Após seguir a saga de uma família, termina mostrando a terra prometida aonde o progresso nos levou: vias expressas cheias de automóveis e uma megalópole cheia de arranha-céus colados uns nos outros. Estávamos na era áurea do sonho americano - bigger is better. Acreditávamos no carro como o grande salvador e criamos Brasília como um monumento a esta máquina poluidora e egoísta. E ainda a transplantamos para a Barra.

O progresso iria nos levar a morar em torres altas cercadas de amplas áreas ajardinadas e o automóvel venceria essas distâncias para nos levar aonde quiséssemos em avenidas largas e sem sinais, pois não haveria pedestres. Tente caminhar de um condomínio para o outro na Barra. Logo de cara cria-se um fetichismo pelo automóvel que vai acabar descambando para o materialismo. Sem falar no isolamento, na falta de contato com pessoas de outras classes, credos, maneiras de viver e encarar a vida... Gente como Jane Jacobs começou a mudar esse jeito de ver as urbes nos anos 60, como em sua grande obra MORTE E VIDA DAS GRANDES CIDADES, onde aponta que os urbanistas que criaram esse conceito viveram nas horrorosas metrópoles do século XIX movidas a cavalo, fedendo a merda de cavalo, que se transformava na onipresente e malcheirosa lama. Esses sujeitos na verdade odiavam a vida metropolitana - a diversidade, a multiplicidade, as oportunidades, os encontros casuais - e foram eles que vieram com a ideia da cidade perfeita.

E é assim que a visão otimista e futurista de um filme dos anos 60 termina com uma vista aérea de uma horrorosa metrópole, depois de mostrar homogêneas e intermináveis planícies aradas sem viv'alma à vista e minas escavadas nas belezas naturais da terra. Bigger is better e parecia que nada poderia deter o homem. A não ser a destruição do planeta, os ecologistas e os neomalthusianos.

Setembro 24, 2009

The Planet on the Table

Wallace Stevens

Ariel was glad he had written his poems.
They were of a remembered time
Or of something seen that he liked.

Other makings of the sun
Were waste and welter
And the ripe shrub writhed.

His self and the sun were one
And his poems, although makings of his self,
Were no less makings of the sun.

It was not important that they survive.
What mattered was that they should bear
Some lineament or character,

Some affluence, if only half-perceived,
In the poverty of their words,
Of the planet of which they were part.

Felicidade

Felicidade é tomar um sundae do Bob´s no sofá de casa só com as luzes do pisca-pisca iluminando a sala vazia. Eu era criança, mas me lembro disso até hoje. A sensação de conforto era tão grande que até hoje adoro o Natal e as festas de fim de ano.

Felicidade é você na praia à noite pescando, com a primeira namorada ao lado te dando uns amassos e você pegando no peitinho dela. Tudo é novo, tudo é felicidade e você está apaixonado e a sensação de liberdade e de não estar preocupado com alguma coisa que venha depois ou que tenha vindo antes é maravilhosa.

E felicidade é você amando sua mulher e descobrir que sexo pode ser tão transcendental quanto na época de sua primeira grande paixão. É você olhar nos olhos dela e perceber que a consciência não é tudo, a individualidade não é tudo, o eu não é tudo. É estar a um passo da salvação, da epifania e chegar a pensar em dar este passo.

Mas felicidade é fugidia, porque estar vivo é, como já dizia Carlos Pena Filho, é entrar no acaso e amar o transitório. A ordem absoluta é o reino das pedras, dos planetas, das translações universais e da morte. O caos e a entropia negativa regem a vida.

Eva Mendes


Ou porque uma mulher bonita de calcinha rendada é mais sensual do que uma mulher nua.

Setembro 21, 2009

A Fronteira Final - A Primeira Temporada de Star Trek - A Série Original



Primeiro Comando

Já não basta Spock perder tudo que é jogo de xadrez tridimensional pro Kirk, ainda por cima quando tem seu primeiro comando, durante uma emergência na Galileo, nave auxiliar da Enterprise, é obrigado a confessar que não tem a mínima ideia do que fez de errado – todas as suas decisões foram lógicas e racionais e ainda assim ele perde dois homens e complica cada vez mais a situação.

Este episódio devia ser analisado pelo filósofo predileto deste saite (sorry, Sílvio Rabaça), Antônio Rogério da Silva, especialista em Teoria dos Jogos. O que acontece quando uma abordagem racional, em posição de desvantagem, encontra um desafio completamente irracional? A Enterprise manda uma equipe na Galileo estudar um daqueles fenômenos galáticos que acontecem toda hora em “Jornada nas estrelas” e a naveta despiroca e cai num planeta que, descobre-se depois, está cheio de homens da caverna gigantes e agressivos. E, como sempre, o mesmo troço cósmico que eles queriam estudar interfere com os sensores de Kirk e sua turma. Está tudo nas mãos do pessoal que caiu lá embaixo, chefiados por Spock, em seu, como ressalta McCoy, primeiro comando.


É claro que, como sempre, há uma corrida contra o tempo, pois a Enterprise tem que levar medicamentos necessários para debelar uma epidemia num sistema distante. A Galileo precisa ser reparada e não tem energia suficiente pra levar todo mundo de volta – dois vão ter que ficar. Quando o frio vulcano diz que não fará um sorteio, mas escolherá pessoalmente quem permanecerá no planeta, começam suas desavenças com o grupo. E nós espectadores ficamos pensando qual o problema: uma vez chegando na Enterprise, por que eles simplesmente não diriam onde encontrar quem ficou lá embaixo?


A resposta é que o mundinho é habitado por humanóides gigantescos na Idade da Pedra que eliminam logo um camisa-vermelha. Spock recusa-se a tentar matá-los com os phasers, preferindo assustá-los com tiros a esmo, já que a superficie parece toda recoberta com gelo seco e torna difícil a visualização dos nativos. Só que eles não ficam assustados muito tempo e logo acabam com outro sujeito. E o vulcano tem que tomar uma difícil decisão quando Scott informa que a única chance deles é usar a energia dos phasers para abastecer a naveta. Um artifício de roteiro, diga-se de passagem, simples e elegante, distante do que teríamos na “Nova geração” (“tive uma ideia, Geordi, se ligarmos em linha os solenóides neutrônicos dos phasers, talvez pudéssemos induzir uma reversão protônica nos cristais de dilitium e iniciar uma reação em cadeia”).


Com dois mortos – o número perfeito pra Spock não ter que escolher quem ficará no planeta – e cercados por humanóides gigantes, o vulcano tem que enfrentar a rebeldia de sua pequena tripulação, que por pouco não se amotina. Quem principalmente parece culpar o sr. Spock por tudo é o tenente Boma, o que soa injusto, já que ele é interpretado por Don Marshall, o futuro copiloto de “Terra de gigantes”. Tudo bem que Roddenberry queria enfatizar a multiculturalidade em sua série, mas dado o que acontece com ele aqui e no seriado de Irwin Allen, seu pé frio deveria ser mantido longe da ponte de comando de qualquer nave do Universo!


Embora o suspense seja bem construído mecanicamente pelo roteiro e pela direção, que se vale bem de seus parquíssimos recursos, o episódio peca na caracterização dos personagens. O Spock que conhecemos pode não ter emoções (ha, ha, ha), mas respeita as dos outros e jamais se abrogaria o direito de escolher quem vive ou quem morre – a não ser que pretendesse ser um dos deixados para trás. Afinal de contas, a própria série aponta que este teria sido o grande pecado de Kodos, o Executor, no espetacular “A consciência do rei”. Também a unidade da tripulação da Enterprise, como imaginada na utopia de Roddenberry, dificilmente entraria em colapso por tão pouco. E tudo bem que Kirk fosse amigo pessoal de Spock e McCoy, mas depois de tanto esforço despendido tentando resgatá-los, ele é comunicado da morte de um sujeito do grupo de busca e nem parece se importar muito. Esse absurdo favorecimento pessoal pouco tem a ver com o positivismo igualitário vendido pelo resto do seriado.
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Enfim, este programa tem altos e baixos e desperdiça a chance de criar mais um momento memorável de “Jornada nas estrelas”. Sua apologia à criatividade frente a desafios inesperados reflete o individualismo americano, sem maiores novidades quanto ao que se produzia na época pra tevê, o que não é típico da melhor série de ficção científica já feita. Mas, para nos lembrar desse status, sobra o roteiro com uma situação de tensão crescente e suspense e uma direção que cumpre sua função mesmo tendo para trabalhar apenas pedras de isopor, gelo seco e uns extras altos com peruca, filmados de longe.

Digno de nota:

- Contagem de corpos: três tripulantes.
- Por que o médico de bordo e o engenheiro-chefe estão num grupo para pesquisar fenônemos cósmicos esquisitos?
- No final, Spock faz um gesto desesperado: solta o combustível e o incendeia, para sinalizar à Enterprise. Ficam as perguntas: com que oxigênio o combustível queimou? Se a nave é movida a algum tipo de energia eletromagnética, como se deduz por usar phasers para decolar, que combustível é aquele? O que tem de tão desesperado em morrer dois minutos antes se sua ideia não der certo, já que eles iam cair do mesmo jeito?
- Avistamentos de tenente Leslie: na ponte de comando, preocupado com o grupo de busca.

Pronto, Já Dei um Jeito






Enviadas pelo Minhoca. Não sei o linque original.

A Blitzkrieg Alemã Parte III

A primeira parte deste artigo está aqui, em uma nova janela.

E aqui está a segunda parte.

A I Guerra acabara, embora na época eles ainda não soubessem que tinha sido só a primeira. Os alemães tiveram que embarcar numa onda que lhes era completamente alheia: a democracia. Os vencedores voltaram a seus afazeres, não mais sábios, porém mais pobres, com exceção dos Estados Unidos da América - a nova e emergente superpotência - agora mais experientes, embora também não mais sábios. Apenas a França imaginou que a Alemanha não iria ficar muito tempo quieta sem querer dominar o mundo, afinal, falando uma língua com declinações você só pode filosofar ou conquistar o planeta. E, como Nietzsche tinha unido as duas vertentes no final do século XIX...

O problema com os gauleses é que mesmo sendo mais espertos que os outros vencedores, ainda assim também não eram tãããããão mais espertos. E se prepararam não para lutar o conflito vindouro, mas para lutar a guerra de 1914-18, que tinham acabado de vencer, embora tivessem se preparado não para lutá-la, mas para lutar a guerra franco-prussiana de 1870... percebem um padrão aí?

Tudo bem que é fácil criticar olhando retrospectivamente, mas depois de se prepararem para uma guerra de movimento em 1914, os franceses estavam convencidos de que a próxima porradaria novamente seria um confronto de entrincheirados artilhados e quem tivesse a melhor trincheira ganharia. Daí construíram as gigantescas fortificações da Linha Maginot que virariam sinônimo para "maior mico" em história militar.

O problema é que quem bolou essa estratégica conservadora foi o Pétain e seus auxiliares, tudo militar. E, como já diz um velho ditado, guerra é um assunto sério demais pra ficar nas mãos dos militares. H. G. Wells previu em sua "História Universal" que o conflito avizinhando-se seria travado por máquinas blindadas, o que pôde ser visto na adaptação cinematográfica de seu livro (que não li) "The Shape of Things to Come". Mas Wells era um escritor, não um guerreiro. Embora tudo que é filme condene a lavagem cerebral que os recrutas sofrem quando em treinamento, há que se lembrar que nem todo mundo está disposto a morrer pela sua pátria, portanto é melhor fazer os caras agirem por reflexo e irem pra linha de frente sem parar pra pensar, "peraí, isso aí é bala de verdade! Que que eu tô fazendo aqui? Eu quero ir pra casa!" E uma vez tão bem treinado pra não raciocinar, é difícil abandonar o hábito.

Mas voltemos à linha Maginot. Quem a ideou foi Pétain, que venceu em Verdun com um pensamento radical para os generais da época: evitando o desperdício de vidas e mantendo uma defesa bem postada. Daí que quando se tornou Ministro da Defesa botou pilha pra fazer na fronteira com os germanos uma parede fortificada, um série de supertrincheiras. O velho marechal tinha visto a carnificina de 14-18 em primeira mão e sua obsessão com fortalezas advinha de uma genuína preocupação com a vida de seus subordinados, mas infelizmente a dinheirama gasta com o projeto comprometeu os gauleses com a guerra de posição e quando os avanços tecnológicos dos anos 30 tornaram o tanque a indisputável estrela do campo de batalha, os franceses, com exceção de De Gaulle, preferiram se aferrar à sua blindagem imóvel.

E tão obcecados eles ficaram que nem se importaram quando os belgas, tentando se apegar à sua neutralidade, não permitiram que a linha Maginot se estendesse por dentro de seu território. Em 1914, justamente para se desviar da infantaria e das fortificações francesas, os alemães tentaram flanquear os gauleses com um avanço pelas planícies da Bélgica, e já ensaiaram nos quatro anos que ficaram lá as atrocidades que fariam a partir de 1938 (na Tchecoeslováquia). Mas nem isso comoveu Alberto & os belgicanos. Uma muralha frontal que não se estende até a parede lateral não costuma ser boa proteção, mas Pétain não conseguia enxergar nada além da necessidade de se entrincheirar. Além do mais, em caso de conflito, a Bélgica se aliaria à França e à Inglaterra e os três exércitos se concentrariam nas planícies de Flandres.

Já do outro lado da fronteira, os alemães, como perdedores da guerra, chegaram à conclusão que era preciso pensar então em outra maneira de conquistar o mundo. Como foi contra eles que os tanques foram usados pela primeira vez, e em quantidade, eles acabaram desenvolvendo muito mais respeito pela arma do que os aliados, que nunca tinham lutado contra blindados - os germanos tinham construído só 20 monstros mecânicos, lentos demais, pesados demais, mal armados demais, grandes demais. Como a tecnologia de motores dos anos 10 não permitia aos mastodontes de aço mobilidade e confiabilidade suficentes, pra maior parte dos generais vencedores aquelas máquinas não compensavam o trabalho que davam. Mas os prussianos tinham-nos visto pelo outro lado e sabiam como era apavorante mesmo para o seu soldado, o mais bem treinado e mais disciplinado do mundo, encarar aqueles leviatãs à prova de balas.

O último comandante supremo dos exércitos alemães na I Guerra tinha sido Ludendorff (extra-oficialmente; nominalmente o chefe era Hindenburg), que declarou depois do conflito que se tivesse homens suficientes pra produzir os tanques, tê-los-ia alistado. Ludendorff não imaginou que os blindados poderiam economizar vidas, tão comprometido estava com a guerra de posições e a ideia de que o país que tivesse o último soldado de pé seria o vencedor. Esse raciocínio ficaria obsoleto com a tecnologia. Com a derrota, o exército alemão seria desbaratado e, quando Hitler o montou novamente, teve que lançar mão de vários generais jovens (para o cargo, é claro), que tinham sido oficiais de linha de frente nas trincheiras e que sabiam o valor do carro de combate.

Blonde Bombshell (Reprise)


Minha irmã no Museu Aeroespacial de Campo dos Afonsos

Descontração em Barcelona










O Caderno de Caligrafia

Cada pessoa um imprevisível fantasma
Com carne e voz
Cada objeto uma manifestação
do divino e do sobrenatural
A mãe é a bruxa a rainha
A fada madrinha
O pai é o monstro o soberano o príncipe
O mago com um plano

Até que a alfabetização sufoca
A esquizofrênica imaginação
E cada criança se torna uma repetição
Numa linha de caderno de caligrafia

Um velho já ressecado e rabugento
Esperando lentamente seu disfarce cair
E revelar seu verdadeiro e previsível
E decadente e mortal eu

Setembro 20, 2009

Os Mais Belos Poemas de Amor

When You're Old, de William Butler Yeats

When you're old and grey and full of sleep
And nodding by the fire take down this book
Read slowly and dream of the soft look
Your eyes had once; and of their shadows deep

How many men loved your moments of glad grace
And loved your beauty with love false or true
But one man loved the pilgrim soul in you
And loved the sorrows of your changing face

And now bending down beside the glowing bars
Murmur, a little sadly, how love has fled
And took its pace the mountains overhead
And hid its face amid a crowd of stars

Livre tradução minha:

Quando você for velha e grisalha e cheia de sono
E assentindo junto ao fogo pegar este livro
Leia-o devagar e sonhe com o suave olhar
Que seus olhos tiveram um dia; e com suas sombras profundas

Quantos homens não amaram teus momentos de adorável graça
E amaram sua beleza, com amor falso ou verdadeiro
Mas um homem amou a alma peregrina em ti
E amou cada tristeza do teu rosto que mudava

E agora, curvando-se sobre as barras incandescentes
Murmuras, um tanto melancólica, como o amor voou
E tomou seu caminho pelas montanhas acima
E escondeu seu rosto entre uma multidão de estrelas

Três Filmes Que, Se Feitos Hoje em Dia, Ia Todo Mundo Preso (+ um Duvidoso)

1.A Menina do Lado

O título remete ao “A Mulher do Lado”, do Truffaut. E Alberto Salvá também mostra a influência do grande gaulês ao contar com tanta delicadeza uma historinha de amor (incluindo muito sexo) que a gente até esquecia que tinha ido ao cinema pra ver ninfetinha pelada, a Flávia Monteiro, que chegaria ao auge da fama com “Chiquititas” e uma capa da Playboy... quase 20 anos depois dessa fita. Sim, porque ela tinha 14 anos quando primeiro tirou as roupas para uma câmera. Em conformidade com a legislação da época, só víamos os peitos e a bundinha da mocinha ao lado do Reginaldo Faria nu se esfregando nela simulando sexo.

E Flávia Monteiro não era aquela sua vizinha gostosa de 14 anos que parece mais velha. Com um rostinho infantil até hoje (o que a ajudou em “Chiquititas”) e um corpo magrinho com pernas finas que não tinha nada a ver com a recém-balzaquiana que posou pra Playboy, ela parecia até mais nova como Alice, a menina de 13 anos que se apaixona por um sujeito trinta anos mais velho (uma fantasia de muitos quarentões).

Mas, como eu já disse antes, a coisa toda é contada com tanta delicadeza, a Flávia Monteiro está tão bem na fita e a personagem que ela faz é tão interessante que até as cenas de sacanagem fluem naturalmente. Ajuda bastante que o enredo é a história real do diretor Alberto Salvá e da coprodutora Elisa Tolomei (Elisa, Alice, sacaram?). Os dois se conheceram em Búzios lá por volta de 75, quando a cidade realmente era deserta o suficiente prum escritor querendo isolamento se internar e pruma ninfetinha andar com os peitos de fora na praia o tempo todo, mas já em 1987, mesmo na baixa temporada, este hábito já parecia ficção científica.

A Playboy nesta época publicava menores de idade (algumas só peitos e bundas, como Verônica Rodrigues, outras despudoradamente completamente nuas, como Luciana Vendramini,
Andréa Cardoso e Marianne, que completava a edição de junho de 1991 com Isadora Ribeiro), mas depois que lançaram um livro com aspirantes a modelo de até 12 anos seminuas e fazendo caras e bocas, o infame “Anjos Proibidos” (que o blogueiro chegou a ver num sebo), proibiram essa semvergonhice.

2.Fulaninha, de David Neves

David Neves também tinha excelente mão para botar de pé filmes sem muita trama e ainda torná-los interessantes para os espectadores. Aqui basicamente ele conta o cotidiano de três quarentões solitários que estão sempre tomando umas e outras num pé-sujo em Copacabana, sendo que um deles, um diretor de cinema, é meio obcecado com uma adolescente gostosinha que tá sempre passando por ali. Pra dar profundidade e vida a essa ninfetinha, David Neves mostra ela várias vezes trepando com o namorado no terraço do prédio. Ajudou certamente na bilheteria mostrar a neta de 16 anos do Vinícius, a Mariana de Moraes, sem roupa, e tanto era este o gancho do filme que a garota na época do lançamento ainda andou indo pegar um sol em Ipanema sem sutiã, o que garantiu fotos em vários jornais e revistas.

Mas Mariana de Moraes tinha uma voz chata, chata, e estava longe de mostrar o carisma de Flávia Monteiro na tela, daí que a cena que o blogueiro melhor lembra da fita é quando o diretor, Cláudio Marzo, esbarra na mãe da adolescente, Kátia d'Angelo, engatam casualmente uma conversa e marcam um encontro à noite e, mais tarde, saindo do banho, quando toca o telefone, ele exclama consigo mesmo, “droga, é ela desmarcando”. De qualquer forma, o longa é bastante simpático e agradável e as cenas em que Mariana entra nua e sai pelada aumentam sobremaneira o interesse do público masculino.

3.Beau Pére, de Bertrand Blier

Passou no Brasil com esse título mesmo, em francês. O prestigiado diretor Bertrand Blier analisa a vida emocional de um artista de 30 anos que precisa assumir responsabilidades quando sua esposa morre e sua enteada de 14 anos vai morar com ele. Sua vida não parece estar indo a lugar nenhum, ele parece se recusar a crescer ainda assim e por isso, quando a ninfetinha diz que quer dar pra ele, ele primeiro fica embatucado, mas no final os dois acabam ficando juntos. Ariel Besse mostra os peitos generosamente, mesmo tendo apenas 15 anos e a fita trata toda a história com leveza, descartando a perversão que está na base da obsessão de Humbert Humbert. Robert A. Heinlein e Rubem Fonseca (e um monte de pedófilos) aprovam essa visão positiva de sexualidade infantil (Heinlein abunda de adolescentes sexualmente ativas em suas ficções científicas e Rubem Fonseca tem um conto em que um quarentão é amante de uma menina de 13 anos e cita estudos psicológicos que mostram que adolescentes sexualmente precoces teriam na verdade mais maturidade).

E, por fim, o que seria isso hoje em dia?


Com Licença Eu Vou à Luta

Na época essa história de uma garota de uns 14 anos que tinha um caso com um sujeito casado e bem mais velho, contra a vontade da família conservadora, foi considerada um exemplo de ousadia, de valentia e de independência da mulher. Com o atual cerco à pedofilia será que esta fita seria produzida e depois disso ainda vendida como uma lição de vida para as adolescentes apaixonadas? Se bem que vem aí um filme sobre a Bruna Surfistinha que é capaz de ser igual às novelas “rurais” da Globo no final dos anos 80, início dos 90, em que prostituição era mostrada como sendo uma vida divertida e recompensadora, ao contrário da caretice das mulheres velhas e feias da cidade.

Grandes Obras de que Todo Mundo Gosta, Menos Eu

O Jogo de Amarelinha, de Cortázar

Cortázar é o meu escritor argentino preferido. Nunca tive muita paciência com a erudição abstrata de Borges. É bem verdade que li muito pouco dele, mas meu gosto pessoal sempre foi por artistas mais humanistas e menos dedicados à forma ou ao esteticismo e a literatura do Cortázar neste aspecto é mais emocionante do que a do cegueta.

Mas quando pela primeira vez fui encarar um romance dele, foi um sofrimento. Foi o seu clássico, “O Jogo de Amarelinha”. Só o efeito especial que tornou o livro famoso já devia ter me deixado precavido, a história de que os capítulos podiam ser lidos em determinada ordem, ou em outra, ou poderiam ser lidos capítulos extras, ou pulados, ou mesmo postos em qualquer ordem. Ooops, o troço não tem começo e nem fim, ninguém aprende nada e vamos ter uma narrativa circular. Tudo bem, Beckett fez seu nome assim e sua trilogia Molloy/Malone Morre/O Inominável é do caralho. Mas ele teve o bom senso de não tentar contar historinha de amor.

O que dizer? Tudo bem que o portenho não tem culpa nenhuma, mas o primeiro problema com “Amarelinha” é que é obviamente o modelo pra muuuuuuuitos imitadores contistas brasileiros modernos. E romancistas também. Quantos e quantos artistas que não têm muito o que dizer, que são pessoas extremamente sensíveis (mas só em relação ao que acontece a eles) não encheram páginas e páginas com prosa tortuosa e angustiada, meio mágica e meio poética pra expor um romance que tiveram com uma mulher maluca, como se fosse algo único e inesquecível. Qualquer sujeito que goste da coisa e tenha feito uma faculdade de humanas ou um curso de teatro já passou por isso umas três vezes só no primeiro semestre. Como esse povo normalmente não tem emprego ou contas a pagar no fim do mês veem uma intensidade na coisa que só pode levar aquela turma que já comeu as três no primeiro semestre a pensar, “que manés”.

Mas o pior são os efeitos especiais. Como uma historinha de amor entre dois adolescentes (às vezes tardios) com suas briguinhas idiotas e o que eles pensam ser ousadia normalmente não tem incidentes que realmente interessem a outras pessoas (e os autores raramente estão a fim de REALMENTE serem confessionais e abrirem MESMO o coração porque têm medo de se expor), então dá-lhe mistura de estilos, parágrafos enormes, técnicas cinematográficas, rubricas teatrais e tudo o mais que puder distrair o leitor da falta de conteúdo.

Mas, como eu disse anteriormente, o Cortázar não tem culpa dos seus imitadores. Ele tem uma vida mais interessante, mas em “Amarelinha”, assim como os caras acima, não se dispõe realmente a abrir seu coração. Apenas quer que projetemos as maluquinhas pelas quais fomos apaixonados na Maga. A ideia de nunca marcarem um encontro e sempre acabarem se encontrando pode parecer poética e cármica, a menos que você se lembre que antes de todo mundo constituir família, você sempre encontra as mesmas pessoas nos lugares aonde vai à noite.

Mas onde o Cortázar me perde e praticamente onde eu parei a leitura foi quando ele começou com o papo de que só ele realmente entendia Louis Armstrong. Que os burgueses tinham passado a gostar do Satchmo justamente quando ele já não era tão bom, só ele e a Maga compreendiam o que ele significava. Foi por causa de uma dessas que me perdi grande parte do meu interesse em Rubem Fonseca, quando em “Agosto” ele conta que o delegado realmente entendia ópera, ao contrário dos ricos que tinham a grana pra ir ao Muncipal e não eram verdadeiros adoradores de ópera.

Essa atitude é indesculpável. Cada vez que leio uma tentativa de agregar valor cultural dessas, lembro de cara daquela história do Fritz the Cat, em que os artistas iam pra praça com seus instrumentos tentar comer mulher e ficavam discutindo, cada um berrando cada vez mais alto “a minha alma é muito mais genuinamente sensível do que a sua”. É insincero. É o caminho para a perdição (cf. “Os Demônios”, Dostoievski. Se você não entender o que tem a ver, é porque só eu realmente compreendo o russo genial). É uma adulação ao leitor, que sorri consigo mesmo e pensa “só nós dois, né, Cortázar, sabemos admirar a verdadeira arte”, enquanto for a da biblioteca um monte de gente está admirando verdadeiramente a verdadeira vida. E, à Woody Allen (que em breve ganhará um imenso capítulo nesta série), joga a culpa por fracassos numa humanidade desumana sem sensibilidade para os diferentes.

Bem, e foi assim que larguei “O Jogo de Amarelinha”. Perdi o livro na mudança. Não faz mal. Ainda tenho “Todos os Fogos o Fogo”. Cortázar é maneiro.

Setembro 08, 2009

Os Melhores Não Têm Medo de se Apregoar Como Tal


Personal Consultant

Bernard Madoff foi preso. Pra sobreviver por trás das grades, contratou um personal trainer especializado em prisões para ensiná-lo como viver vendo o sol nascer quadrado. Não, não estou brincando. Clique aqui e veja o anúncio da empresa, especializada em assistência a criminosos de colarinho branco e ex-executivos de Wall Street.

Setembro 07, 2009

Ivan o Artista




Private joke.

Careta



Aniversário do Serginho Parte II

Role o blogue abaixo para a primeira parte...















Do Nosso Enviado Especial, o Panameño:

JUSTIÇA NOS EUA DECIDE: ESPERMA MASCULINO UMA VEZ EJACULADO DURANTE RELAÇÃO SEXUAL PASSA A SER PROPRIEDADE DA MULHER!


Usar esperma para engravidar sem autorização do homem não caracteriza roubo porque uma vez ejaculado, o esperma se torna propriedade da mulher.

O entendimento é de uma corte de apelação em Chicago, nos Estados Unidos, que devolveu uma ação por danos morais à primeira instância para análise do mérito.

Nela, o médico Richard Phillips acusa a colega Sharon Irons de traição calculada, pessoal e profunda ao final do relacionamento que mantiveram há seis anos. Sharon teria guardado o sêmen de Richard depois de fazerem sexo oral, e usado o esperma para engravidar.

Richard Phillips alega ainda que só descobriu a existência da criança quando Sharon ingressou com ação exigindo pensão alimentícia.

Depois que testes de DNA confirmaram a paternidade, o medico processou Sharon por danos morais, roubo e fraude.

Os juízes da corte de apelação descartaram as pretensões quanto à fraude e roubo afirmando que a mulher não roubou o esperma.

O colegiado levou em consideração o depoimento da médica.

Ela afirmou que quando Richard Phillips ejaculou, ele entregou seu esperma, deu de presente.

Para o tribunal, houve uma transferência absoluta e irrevogável de título de propriedade já que não houve acordo para que o esperma fosse devolvido.

Ou seja, agora é oficial: Os homens não mandam mais em porra nenhuma!

O Colunismo Arte

Li a coluna de Fernando Calazans no Globo de segunda-feira. Novamente
ele reclamava e enaltecia o passado. Pois é, leitor... Temos que
conviver hoje com colunistas sem imaginação, burocráticos, que
repetem o mesmo texto coluna após coluna. Isto, amigos, no jornal O
Globo, na imprensa carioca. Imprensa carioca que nos deu nomes
como João Saldanha, Nelson Rodrigues, Mario Filho... Imprensa carioca
em cujos jornais se liam crônicas de Sandro Moreyra, Armando Nogueira
etcetcetc

(De um amigo)

Setembro 03, 2009

Poesia Picareta

Nariz enorme
Cara pequena
Pele de cor errada
Cabelos embaçados

Web quem?

Os Fantasmas (início de um projeto...)

Os fantasmas são os piores. Porque eles existem, eu sei, mas o resto das pessoas não sabe, então eu não posso chegar pra minha médica e dizer que ultimamente tenho me sentido pior porque os fantasmas andam me seguindo pra tudo que é lado, até quando eu tô trepando - e alguns não entendem porra nenhuma das cordas e dos prendedores de mamilo - aí é que ela ia me internar mesmo, mas não é isso, não é a cabeça, eles estavam por perto muito antes do resto, eles já estavam por perto quando eu era garota, eu só não sabia quem eles eram, eles sim, eles é que sempre souberam quem eu era, sempre, mesmo que eu, eu mesma, eu mesma não saiba até hoje.

São três dias, três dias já, nunca levou tanto tempo, nem em nenhuma menstruação, nem quando eu perdi a virgindade e eu nem sei, já nem sei do que eles estão atrás, de que sangue eles estão atrás, que sangue eles querem, qual sangue, se eles querem meu sangue, terão o meu sangue, verão o meu sangue só no fim, já até joguei as agulhas fora, mas eles continuam me seguindo, não, não é verdade, eles não vêm me seguindo, eles só pairam, só ficam por aqui, aqui pelo prédio, rodando pelo prédio, pelos corredores, pela escada, no elevador, no hall, na entrada do apartamento, na sala, no banheiro, no quarto, no meu quarto, sobre a minha cama, sobre a minha cama na hora de dormir, não é a hora de dormir, não, não é, eu não durmo, eles não deixam, eu não durmo, eles só ficam olhando, olhos nos olhos, abertos ou fechados, não adianta eu fechar que eles continuam olhando, eu continuo olhando, eu continuo olhando mesmo com os olhos fechados, sem dormir, sem sonhar, sem alucinar.

Só vendo aqueles fantasmas.

Aniversário do Serginho Parte I










Uma Tarde na Praia Vermelha


A Grande Chance de Dunga

Dunga armou o time brasileiro pra jogar no contra-ataque. Sábado vamos ver se vai funcionar mesmo. Vai pegar um adversário que tem uma defesa horrorosa e que vai partir pra cima, já avisou a todo mundo que vai partir pra cima e cuja outra opção é partir pra cima. Vamos ver no que vai dar. Se estiver bem armado, é jogo pra (mais uma) surra história na Argentina.

Calor

Nenhuma brisa
Nenhuma respiração
A casa morta
As luzes todas acesas desnudando-a
e revelando toda sua palidez cadavérica
Um lar exalado
Sem o seu bafo
Sem o seu ar
Sem a sua inspiração
Sem a sua transpiração

E o verão das ruas cobre-me de pó e suor

Cinco Grandes Momentos dos Quadrinhos de Supereróis que Quase Acabaram com a Indústria

CRISE NAS INFINITAS TERRAS

Pensei em escolher também Guerras Secretas, mas a Crise foi mais do que um simples evento de mercadologia. A DC queria revitalizar seus personagens, mudando seus conceitos e contratando novos artistas. A Crise reformulou Batman e Superomem, Mulher Maravilha, matou o Flash, acabou com as terras paralelas, sepultou o Superboy, Kripto, Supermoça e Kandor, enfim, realmente foi uma mudança brusca. E bem que esses heróis estavam precisando, comportando-se como se ainda estivessem no início dos anos 70.

A Crise, no entanto, envolvendo todos os heróis em todas as revistas, fez tanto sucesso que a partir daí a DC começaria quase todo ano a fazer uma jogada parecida. Vamos voltar com a Liga da Justiça? Então lancemos LENDAS! Em MILÊNIO, lançaram alguns heróis novos, mataram uns personagens secundários e empobreceram o Besouro Azul. A partir de INVASÃO virou zona e eu me lembro de uma saga sem pé nem cabeça que encerrou melancolicamente a era da editora Abril publicando DC no Brasil, com umas sondas que queriam devorar o Sol e onde o grande acontecimento foi a morte do pai de Lois Lane e da mãe da Mulher Maravilha. Isso sem falar na ZERO HORA, quando toda a cronologia da casa foi reformulada e, ao fim... o Batman passou a se vestir de preto.

O resultado disso foi que em alguns anos todas as revistas eram encadeadas com outras e com edições anteriores e vindouras. Um pobre mortal que comprasse um gibi pra se divertir jamais entenderia o que estava se passando por causa dos 5.738 tie-ins necessários. Um dos motivos que levou a não se formar novos leitores nos anos 90.


DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO

No futuro os Sentinelas dominaram os mutantes e Kitty Pryde volta no tempo pra tentar mudar a história. Um conceito já batido na literatura, mas que influenciou sem dúvida O EXTERMINADOR DO FUTURO. A história era boa, mas introduziu descaradamente a viagem no tempo e logo a linha temporal dos X-Men e correlatos estava uma completa zona: Cable, aquele velho, era o futuro do filho de Ciclops e Jean Grey no passado, sendo que durante dez anos eles viveram no futuro pra criá-lo. E seitas, e Apocalypse, e Tolliver, num dado momento todo mundo parecia estar vindo do futuro e revelando-se parente de alguém.


O CAVALEIRO DAS TREVAS

Junto com Watchmen, o marco dos supereróis dos anos 80, ambas as séries sendo publicadas em 85/86. Miller tirou qualquer resto de traço de humor do homem morcego e, pra sublinhar a psicopatia nascida do assassinato dos pais à sua frente, aumentou a violência e o sadismo do vigilante. A maioria dos outros quadrinistas, entretanto, ficou só com a violência e o sadismo e ignorou a construção psicológica, salvo pra dizer que o Batman e o Coringa eram reflexos um do outro (bocejo). Em pouco tempo os heróis se tornavam indistinguíveis dos vilões na editora Image e nas mãos de gente como Rob Liefeld, reduzidos a porrada (que, sem o gênio narrativo de Miller, dificilmente funciona em quadrinhos) e frases de efeito (sem talento).


A SAGA DA FÊNIX NEGRA

Uma personagem querida pelo público torna-se malévola, destrói todo um planeta e... é isso. Ninguém restaura o planeta e, ao fim, ela não é salva, prefere se matar a tornar-se maligna novamente.

O choque de ver uma heroína gente boa, bonita, jovem, amada e tradicional sendo morta repercutiu durante meses nos gibis dos X-Men e ela ficou fora de cena por anos, parecia mesmo que não voltaria - seu namorado até mesmo se casou com outra ruiva, depois de pensar que ela fosse a reencarnação da amada.

Ela acabou voltando, para fazer parte do X-Factor, numa boa história. A partir daí Chris Claremont começaria a matar personagens em quase todas as suas sagas apenas para trazê-los de volta alguns meses depois. Historinhas sem mortes de personagens passaram a parecer desprovidas de drama, graças à inflação de óbitos, e as que tinham os heróis batendo as botas soavam caricaturais, já que ninguém mais acreditava que eles fossem permanecer falecidos. Joe Quesada assumiu a Marvel no final dos anos 90 e salvou a indústria, começando por declarar que em sua gestão os mortos permaneceriam mortos. Claremont quase saiu na porrada com ele porque matou a Psylocke e Quesada vetou a volta. Mas isto não durou muito e hoje em dia já estão de volta as ressurreições de personagens e as megassagas confusas (que ele também havia prometido eliminar). Vamos ver no que vai dar.


X-FACTOR

Walt Simonson desenha pra cacete, mas seu estilo era bastante diferente daquele da Marvel. Menos realista, mais estilizado, menos clássico e com raios, rajadas e efeitos sonoros dispostos no painel mais por efeito estético do que por técnica narrativa. Até aí nenhum problema, mas ele fez tanto sucesso no final dos anos 80 que logo todos os desenhistas estavam estilizando o traço, pra mangá, pra sabe-se lá o quê, no caso do Rob Liefeld, ou para uma linha dura, "de macho". Todd McFarlane abandonaria o naturalismo confuso com ar publicitário do início da carreira e em Homem Aranha tornaria Peter Parker e Mary Jane caricaturas esplendidamente desenhadas e sólidas, mas caricaturas.

O caminho estava aberto para o predomínio da imagem sobre o texto e logo teríamos o horroroso Spawn, a Image e declarações como a de Rob Liefeld (sempre ele): história? Pra que história?

Agosto 28, 2009

Os Cinco Computadores (+1) Mais Perturbados do Cinema

5.O Vortex (Zardoz, de John Boorman)

No futuro, a ciência consegue descobrir a imortalidade. Os cientistas então se fecham numa comunidade regulada pelo computador central para tentar desvelar o enigma do Universo e, após uma eternidade, fracassam e passam outra eternidade sem ter nada o que fazer e incapazes de morrer, pois o Vortex está programado para reconstruí-los. Numa trama porralôca e psicodélica, bem ao gosto da época (1973), o bárbaro Sean Connery é subrepticiamente alfabetizado e educado para que tente se infiltrar no Vortex e destruí-lo, trazendo de volta a libertação da morte e o sentido da vida.

4.O Computador Central (Alphaville, de Godard)

O computador controla a cidade e a vida de todos os cidadãos, consequentemente tolhendo-os de iniciativa e criatividade. Os habitantes parecem felizes, mas um personagem se indaga se milhões de anos antes as formigas e os cupins não teriam tido seus artistas e escritores, antes de construírem suas sociedades perfeitas. Lémy Caution, uma espécie de Phillip Marlowe francês, é trazido de sua série de filmes noir, com o intérprete original e tudo, pra nesta ficção científica da nouvelle vague, desafiar o cérebro eletrônico com jogos de palavras e poesias, artifício tão legal que depois seria chupado em Jornada nas Estrelas, The Monkees, desenhos da Hanna Barbera e muito mais, logo virando um clichê.

3.Hal (2001, de Stanley Kubrick)

Este todo mundo conhece. O olho vermelho com a fala mansa que não hesita em matar toda a tripulação para manter a missão e ainda se desculpa quando diz a Dave que não pode abrir a comporta. Mas ele paga por seus pecados sendo lobotomizado, com uma das mais famosas súplicas da tela luminosa (“Dave, stop... stop, Dave) e Dave segue em seu caminho para tornar-se um semideus, renascendo no espaço como um feto em órbita.

2.Colossus (Colossus)

Esqueci no momento o nome do diretor de Colossus 1980: Project Forbin, mas vocês podem checar no IMDB se quiserem. Um cientista cria um computador para controlar todo o sistema de defesa americano. Ele no entanto percebe que seu único igual no mundo é sua contraparte russa e os dois se aliam para controlar a humanidade. Numa das melhores cenas, o cientista russo que criou o monstro é assassinado por agentes russos mesmo, quando conversava com colegas para pensar numa solução, chantageado pelo cérebro eletrônico que ameaçava liberar umas ogivinhas nucleares.

1.O computador central Krell de Altair IV (Planeta Proibido, de Larry Wilcox)

Os avançadíssimos Krell desapareceram todos num único dia – pior que os dinossauros. Como herança, um computador central que ocupa todo o interior do planeta... e é capaz, como se descobre depois, de concretizar desejos. Os Krell só não sabiam que a interface telepática iria captar também os desejos subconscientes de morte, vingança e destruição e numa única noite toda a raça foi massacrada. O mesmo por pouco não acontece com uns terráqueos depois que um capitão estelar intempestivamente come a filha de um cientista (sempre os cientistas...), únicos sobreviventes da colônia humana do planeta, mas felizmente o resto do bando de militares positivistas estava por perto para corrigir tudo. O enredo parece saído de Jornada nas Estrelas, mas na verdade foi Jornada nas Estrelas que saiu desse filme, como confessou o criador da série original, Gene Roddenberry. O melhor filme de ficção científica dos anos 50 e um dos melhores de todos os tempos.

E, na posição extra:

O computador da bomba de Dark Star, de John Carpenter

Um bando de lixeiros espaciais entediados ativa sem querer a bomba que carregam pra explodir refugos e asteróides imprestáveis e, seguindo o conselho do cadáver congelado de seu ex-capitão (não pergunte), tenta impedi-la de explodir discutindo fenomenologia com ela. O pior é que conseguem convencer a bomba a dar um tempo e aprender um pouco mais sobre si mesma antes de explodir, e se explodir por um erro não seria o desperdício de uma consciência, mas eles são tão manés que vivem ativando-a sem querer, até que ela chega à conclusão de que precisa assumir sua identidade de bomba explodindo e destrói a nave e todos os personagens. Uma interessante porraloquice de estreia pra Carpenter, que depois se tornaria um ícone do terror B, com fitas bem mais inteligentes do que seus congêneres – Halloween, Christine, O Enigma de Outro Mundo...
And I sleep all the time
In my dreams
You walk with me