junho 07, 2011

Um Celular com Câmera no Cine Joia


A galeria do Cine Joia é tipicamente moderna, e uma das maiores bandeiras é esse tanque de pouca profundidade em que as carpas pareciam não nadar e sim rastejar, uma caracteristica abundante na arquitetura da época. Só que da última vez em que passei por lá, as carpas tinham sido todas substituídas por... tartarugas!


A maior parte desses laguinhos foi esvaziada de peixes ou de água mesmo, mas este ainda resiste.


A boa notícia é que, talvez pela volta do cinema, as carpas retornaram ao tanque!


Fazia tanto tempo que eu não ia ao Joia que jurava que ele ficava na sobreloja, quando na verdade fica no primeiro subsolo.


O Joia originariamente era o Cine Hora e eu quando criança o frequentava domingos de manhã, as famosas matinês, normalmente com desenhos de Tom & Jerry. Mas o Hora - que aparentemente tinha este nome por ter sessões desde as dez da manhã, um conceito de cinema que desapareceu, aquele em que você entrava pra passar o tempo - se mudou para o Avenida Central, onde resistiu até a década de 90. Ambas as salas eram minúsculas e tinham cheiro de mofo.


O Joia retornou recentemente até com um certo alarde da mídia, já que era a volta de um cinema de rua - o que é irônico, já que ele fica dentro de uma galeria. O último cinema verdadeiramente de rua inaugurado no Rio foi o Copacabana, em meados da década de 50. A partir da popularização da televisão, o quase monopólio que esse tipo de diversão tinha sobre o público foi se esvaindo lentamente. Nos anos 60, as salas que abriram no Rio eram todas dentro de galerias, ou seja, o conceito de que ir ver um filme deveria envolver também comer um lanchinho e passear em lojas, tudo no mesmo lugar, é mais antigo do que os saudosistas querem nos fazer crer. De qualquer forma, é sempre bom ter um lugar com uma tela grande (em termos, maior do que a minha tevê... mas... até quando?). O blogueiro foi à sessão das dez, daí que a galeria já estava fechada. Ajudaria a frequência se tivesse onde fazer uma boquinha por ali. O pessoal que vai a multiplex em shopping não deixa de ter certa razão. De qualquer forma, oito pessoas pra ver uma projeção digital de um documntário do Joy Division não deixa de ser um público significativo pruma quarta-feira em que o Flamengo decidia com o Ceará a vaga na Copa do Brasil.


O cheiro de mofo continua (o Hora também tinha). E puseram uma estatuazinha da Marilyn Monroe - ou uma pin-up que remete a ela - pra dar uma bossa.


Divertido passeio. Espero que o Joia continue aí por um bom tempo.

Sem comentários: